[Livros Na Telona] Água Para Elefantes - Sara Gruen | Minha Vida Literária
11

abr
2012

[Livros Na Telona] Água Para Elefantes – Sara Gruen

Livros Na Telona é uma coluna na qual analiso filmes que foram baseados em livros!

Sobre o Livro

Título: Água Para Elefantes
Autor: Sara Gruen
Editora: Sextante
Número de Páginas: 336
Ano de Publicação: 2007
Skoob: Adicione
Compare e Compre: Buscapé

Há muito tempo eu tinha a curiosidade de ler a obra de Sara Gruen e foi com alegria que pude fazê-lo.
Diferente do que eu imaginava, Água Para Elefantes vai muito além de um romance entre um homem e uma mulher. Aliás, arrisco a dizer que esse seja apenas um elemento da história, e não seu foco principal, o que torna a capa original do livro muito mais pertinente a ele do que a do pôster do filme. O livro trata, principalmente, da vida de Jacob Jankowski, que aos seus 90 anos – ou 93 – relembra dos acontecimentos de seus 23 anos e toda a vida que eles desencadearam.
A narrativa, sempre em primeira pessoa, é dividida em duas partes: uma pertence ao Jacob já idoso, vivendo em um asilo, enquanto a outra pertence ao Jacob de 23 anos. Vi muitas pessoas reclamarem da quantidade de palavrões presentes na narrativa, mas, sinceramente, eles me pareceram completamente pertinentes à história. Diferente de muitos romances, a escrita de Sara é longe de ser melosa ou, até mesmo, romântica. Seu padrão de escrita segue a própria história e o cenário em que ela acontece. Dessa forma, como Jacob, aos seus 23 anos, viveu no circo entre homens sofridos em um meio sofrido e bruto, é completamente aceitável que haja o uso de palavras brutas e ásperas, pois é assim o ambiente vivido. Ainda, acredito que seja esse também um dos maiores artifícios da autora: embora sua escrita esteja longe de ser doce, a história contada é linda, emocionante e com momentos completamente delicados.
O circo representa a quebra da inocência de Jacob, já iniciada anteriormente com a morte de seus pais. Lá o personagem passa a enxergar a dura realidade por trás da ilusão vendida aos espectadores, além da realidade própria da vida, o que inclui a maldade do ser humano, as dificuldades enfrentadas para se construir uma vida digna – mesmo que seja necessário viver sem qualquer dignidade para isso durante algum tempo -, a influência do dinheiro no tratamento entre as pessoas e, finalmente, a experiência sexual, que o caracterizará irrevogavelmente como homem.

Um dos pontos altos é a profunda ligação entre homens e animais e a singela maneira de como essa conexão é contada. Os personagens que mais nos afeiçoamos no circo são aqueles que tratam os animais com respeito, enquanto que os que os maltratam são vistos como vilões. A autora, também, teve muito cuidado em descrever as ações e reações dos animais, fazendo deles personagens tão importantes quanto qualquer outra humana.

Agora, o que certamente mais me agradou foram as passagens de Jacob idoso, no asilo. Ficava com o coração apertado a cada vez que me deparava com o personagem já em idade avançada, em situação tão negligenciada diante da outrora vida em ascensão. Foi triste enxergar a realidade vivida por tantos idosos na mesma situação ou em, até mesmo, piores. A sensação de perda de controle da própria vida, das próprias decisões e vontades, o medo de perder a única coisa ainda restante – sua lucidez, a noção de se estar em um asilo por já não mais caber na vida da família, o desânimo causado pela falta de perspectiva de um futuro promissor, fadado a apenas se esperar pela morte. Essas, para mim, foram as partes que mais mexeram comigo, que mais me emocionaram e que mais me fizeram criar compaixão. Acho que ler esse livro e se envolver com ele implica em, certamente, olhar para os idosos com outros olhos, e me fez ter certeza de que jamais quero ver algum ente querido na mesma situação, além de, claro, também nunca querer vivenciar o fim da minha vida em um ambiente desses.
Sobre o Filme

Falar de adaptações cinematográficas certamente implica em sabermos que haverá diferenças. E isso é mais do que evidente em Água Para Elefantes. Embora seja necessário deixar de lado o que foi lido na obra de Sara Gruen para que o filme possa ser analisado apenas por si, o intuito dessa coluna é justamente comparar o filme com o livro e é isso que aqui será feito.

Como dito, as mudanças no filme foram evidentes. Diversas partes foram omitidas, até mesmo personagens, enquanto algumas foram, inclusive, alteradas. Tudo para que a história pudesse ser condensada sem que o encadeamento lógico e a essência do livro fossem perdidas. Apenas o foco foi um pouco alterado: no filme, o romance é muito mais evidenciado do que no livro. Não que cenas diferentes tenham sido criadas, apenas ganharam mais destaque na adaptação.

Entre as partes omitidas, a que mais senti falta foi, sem dúvida alguma, a do asilo. Essa foi a parte mais tocante do livro para mim e ela não aparece no filme, apenas é contada superficialmente pelo Jacob já idoso. Aliás, a vida de Jacob no circo ficou melhor adaptada do que a sua aos 90 anos. É possível visualizarmos a crua realidade por detrás da ilusão do circo e o quão maldoso pode ser o homem, ainda mais se comparado à pureza de um animal. Porém, se pensarmos na condição do Jacob idoso e toda a humanidade presente nessa parte do livro, ela não fica tão clara assim no filme.

Sobre a escolha dos atores, gostei da atuação de ambos, porém achei os personagens do filme um pouco diferentes dos personagens do livro. Enquanto o Jacob do livro, ao chegar no circo, me pareceu mais amedrontado e, até mesmo, com um ar de inocência consigo, o Jacob de Robert Pattinson me pareceu ganhar ares mais confiantes e, inclusive, com uma certa malícia que não notei no personagem do livro. Já a Marlena do livro mostra muito mais seu lado sensível e frágil do que a Marlena de Reese Whiterspoon. Essa interpretou uma mulher mais fortalecida, que, embora seja sim sensível, acaba engolindo as lágrimas nos momentos em que precisa ser forte.

De um modo geral, gostei da adaptação mais como um complemento ao livro. As cenas foram bem ilustradas, porém há sutilezas perceptíveis aos que leram o livro e que talvez não sejam tão bem visualizadas aos que apenas viram o filme. Ainda, o livro, por ser mais rico em detalhes e emoções, acaba por ser mais envolvente, permite uma maior conexão com o leitor além de possibilitar uma melhor compreensão das personagens.
De qualquer forma, achei o filme bem adaptado e o recomendo, independente de a leitura ser ou não realizada. Claro que recomendo a leitura, mas, nesse caso, ela não se torna obrigatória se considerado o filme. Porém, aos que quiserem um aprofundamento da história, então a leitura certamente se faz necessária.

Confira o Trailer do Filme





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23 Respostas para "[Livros Na Telona] Água Para Elefantes – Sara Gruen"

Eduarda Menezes - 11, abril 2012 às (22:22)

Oi Mi! Sempre adoro as suas análises, são bem completas.
Nesse caso vi e li os dois, porém como já faz um certo tempo não lembro de muitos detalhes que poderia apontar.
Assisti o filme na estreia, logo após ter lido o livro, e me recordo de ter percebido várias mudanças mesmo, como algumas que você apontou, mas de qualquer forma gostei dos dois.
Ao ler o livro não imaginava o Pattinson no papel do Jacob, mas de certa forma até gostei.
Uma das maiores mudanças que lembro porém, é que o circo não é do carinha que é casado com a Reese (já esqueci o nome de todo munda haha), e no filme eles excluíram o verdadeiro dono e deram o circo para ele. Apesar de ser uma mudança grande, acho que no final das contas não muda tanto assim e, a essência em si, foi mantida. Uma das minhas cenas preferidas é quando o Jacob chega no circo – ficou perfeito e emocionante nas telas do cinema. ^^
Ah e nada a ver com o post, mas que ironia né, o Rob com o nome de Jacob haha, achei engraçado!
Beijão!

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Vanessa - 11, abril 2012 às (22:58)

Concordo com você Mi, o romance entre Jacob e Marlena é apenas um detalhe na história, o livro é com certeza beeem mais do que isto.
Eu achei o filme bem parecido com o livro e isto me deixou muito feliz, pois esta é uma história que vou levar pra sempre na minha memória…

Vanessa -Balaio

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Entre Fatos & Livros - 12, abril 2012 às (01:06)

Oi Aione!
Que coincidência! Hj comecei a ler esse livro. Ainda estou bem no início, por isso não posso dar opinião. Tb não assisti ao filme, mas pretendo depois de terminar a leitura. Já vi mta gente elogiando o livro e dizendo que o filme tb foi bem feito. Um complementando o outro. Espero ter a mesma opinião.

BjoO
Pri
Entre Fatos e LIvros

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Mari ♥ - 12, abril 2012 às (01:08)

Oi Mi,
Ah estou com esse livro aqui, ele vai ser umas das minhas próximas leituras, depois vou assistir o filme é claro.
Ah que legal que o evento virando a página terá esse livro como base, uma pena que bem nesse dia vou ter aula online :(, mas vou tentar ir rs.
Adorei flor 😀
Beijos

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Vanessa Vieira - 12, abril 2012 às (02:06)

Parabéns pelo post Aione! Já li Água para Elefantes e também assisti o filme e me emocionei bastante, principalmente com a Rosie. O linguajar do Jacob é agressivo e ranzinza no livro, e no filme eles tornaram isso bem mais light. Beijos!

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João Victor - 12, abril 2012 às (02:32)

Oi ..

Eu gostei tanto do livro quanto do filme. Ambos são ótimos, mas o livro é realmente mais completo.
E sim, também vi o filme como um complemento do livro, mas mesmo assim me emocionou, :).

João Victor
Amigo do Livro
amigodolivro.blogspot.com.br

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Marcelo Lima - 12, abril 2012 às (02:48)

O livro já não é la essas coisas , mas o filme é inaceitável ! rs eu assistia querendo matar o roteirista !

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Caline - 12, abril 2012 às (11:34)

Esse livro foi uma das minhas últimas leituras e sinceramente achei que fosse gostar mais. Não acho que ele seja uma história de amor, mas sim uma história de vida.

Já comprei o filme e quero assistir logo, espero que as mudanças que sempre acontecem não estreguem a essência do livro.

Beijos, Caline
Mundo de Papel

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Julia G - 12, abril 2012 às (12:15)

Oi Mi, ainda não li o livro nem assisti o filme, então gostei muito da sua análise comparativa. A história parece linda, mas não sei se tenho vontade de ler o livro. O filme com certeza vou assistir e, mesmo que seja menos completo, deve passar a essencia da história.

Beijinhos

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Érica Patricia Lopes - 12, abril 2012 às (13:22)

Mi,
Não li o livro ainda, talvez o leia um dia!
Já vi o filme, achei que muito bem perfeito, porém eu esperava mais … acho que criei muita expectativa e fiquei frustrada =/

Beijos flor ^^

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Andressa Tomaz - 12, abril 2012 às (14:03)

Oi Mi!
Eu sinceramente não gostei da adaptação desse livro para o cinema. Também gostei bastante da leitura, me emocionei e ri com o Jacob mais velho no asilo. Fiquei com pena e também com essa sensação de não querer ver um ente querido no seu lugar.
Mas por causa disso, achei o filme extremamente superficial. Não senti emoção nenhuma, nem no romance, nem no Jacob idoso. Quando o filme acabou achei que faltou muito em termos de emoção, comparado ao livro.

Beijos.

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✿Vanessa✿ - 12, abril 2012 às (16:49)

Oi Mi*
Adorei sua análise!
Eu comprei o livro e ainda não li e já tenho o filme para assistir, mas estava sem animo.
Lendo seu comentário, me voltou a vontade de ler e acho que muito logo irei faze-lo!

Bjinhs
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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Sora Seishin - 12, abril 2012 às (18:08)

Oi Aione!
Eu já li o livro e amei!!! Achei a história e a escrita da autora muito perfeitas.
Já o filme, ainda não vi. Sanacagem terem tirado a parte do asilo, também achei uma parte tocante do livro. Ainda assim, quero assistir.

Beijos,
Sora – Meu Jardim de Livros

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Ana Ferreira - 12, abril 2012 às (19:47)

Mi,
Mais uma vez um título que não li nem tampouco assisti ao filme. Não na íntegra, pelo menos.
Mas lembro de ter me interessado por sua história antes de descobrir que se tornaria filme. Gostei muito do enfoque no drama, dessa relação com o circo e o elefante. Adoro essa atmosfera distinta e sempre fico encantada quando leia resenhas positivas, como as suas, por exemplo.
Também da Sara Gruen, estou curiosa quanto a “Casa dos Macacos”. Acho que é esse o nome hahaha. Alguma coisa dos macacos, enfim.

Beijos!
Ana – Na Parede do Quarto

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leitoracompulsiva - 12, abril 2012 às (20:37)

Oi Aione,
Esse é um dos meus livros prediletos e o que mais mexeu comigo foi a narrativa do Jacob idoso!! Chorei compulsivamente em vários trechos do livro! Apesar de amar essa parte, sabia que fiquei feliz por ela não estar no filme? Acho que porque fiquei com medo de me emocionar tudo de novo! rs…
Acho que a adaptação serviu para mostrar um outro ponto de vista da mesma história!
Por isso acho que todo mundo deveria ler o livro e depois ver o filme! Eles se complementam de alguma forma!
E que venha o VAP de Abril!!!
Beijos
Camis – Leitora Compulsiva

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Lygia Netto - 13, abril 2012 às (01:47)

Oi Aione!
Confesso que sempre fugi de livros que envolvesse a temática de circo, pq não curto mt! Mas acabei comprando o livro e deixando na estante. Não assisti ao filme ainda, mas posso dizer que, depois da grata surpresa com ‘O Circo da Noite’, desfiz um pouco do preconceito estabelecido.

Realmente a capa nova dá a entender o romance, mas é uma das capas mais lindas EVER! (L)

Beijos!

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Mariana FS - 14, abril 2012 às (00:04)

Oi Aione!
Certa vez, peguei esse livro na biblioteca e depois acabei não conseguindo ler. Isso foi antes do filme. Depois acabei lendo algumas resenhas negativas sobre o livro e me desanimei. Devo dizer que a sua me fez mudar de opinião. Achei muito interessante a sua observação sobre a diferença da vida (momento, ambiente, etc) de Jacob ser expressa através da linguagem. Realmente, um artifício bastante interessante da autora para mostrar a visão diferente do personagem em duas fases diferentes da vida. Assim como deve ser interessante observar o contraste de uma história delicada, como você disse, acontecendo em um ambiente rústico.
Mesmo sem ter lido o lido o livro, ou visto o filme, eu tinha exatamente a impressão que a adaptação cinematográfica esforçava-se para mostrar uma história mais romântica do que a retratada no livro. Não sei o que me fez imaginar isso, mas pelo jeito eu estava certa.
Acho que na maioria das vezes quando um livro é adaptado para o cinema acontece o que você falou: quando comparadas as duas obras, percebemos que os livros são mais ricos em emoções. Não sei se é porque temos mais tempo para nos envolvermos com os personagens, mas eu sempre tenho a impressão que os conheço melhor nos livros do que nos filmes e penso ser por isso que a tendência é achar que o livro é sempre melhor (as únicas exceções, na minha opinião, são em “O Silencio dos Inocentes” cujo filme é muito melhor que o livro, e nas adaptações de livros do John Grisham. Invariavelmente, sempre que os livros do autor são adaptados para o cinema as historias se tornam mais interessantes)
Gostei muito da sua análise. Continuo com um pé atrás sobre o filme, mas mudei de opinião sobre o livro. Vou tentar retirá-lo de novo e, dessa vez, ler.
Um abraço
http://www.alemdacontracapa.blogspot.com

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Vanessa Tourinho - 14, abril 2012 às (22:26)

Oi, Mi!
Que post empolgado e gostoso de se ler é esse, mulher! *-*
Ainda não tive a oportunidade de ler o livro, e tão pouco assistir ao filme, mas minha vontade só vai aumentando, cada vez que vejo um post assim, como o seu, tão bem construído.
Parabéns, Mi.
Beijão.

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Lucas Martins - 17, abril 2012 às (01:50)

Ah, Mi, quero ler Água para Elefantes pra ontem!
Gostei muito da comparação que tu fez e fiquei com ainda mais vontade de ler o livro, já que várias coisas foram excluídas e o romance mais evidenciado no filme. Todos criticam a profundidade da obra e por isso preferem ela ao filme, então já sei que tenho que ler mesmo!
Beijão!

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Fabrica dos Convites - 21, abril 2012 às (23:45)

Não vi o filme e quando peguei o livro para ler, não esperava muita coisa, mas ele me surpreendeu e eu adorei.
Bjs, Rose.

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Anonymous - 06, maio 2012 às (23:17)

Adoro ver a sua caixinha do correio!! Gaby

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MsBrown - 09, dezembro 2012 às (02:31)

Adorei a análise!

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luallessi - 18, fevereiro 2013 às (21:29)

Eu comprei o livro e o blu ray do filme semana passada, estou bem no comecinho da leitura e estou curtinho bastante a história e o estilo de escrever da Sara Gruen. Vou terminar de ler o livro antes de ver o filme…Única coisa que não me deixou feliz foi que não achei o livro sem ser com a capa do filme, que é belíssima, mas eu preferia a outra. Gosto de livro com capa de livro, não de filme.

Mas a edição da Sextante esta muito bem feita, graças a deus não são páginas brancas e as letras tem um tamanho ótimo pra quem usa óculos 🙂

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