abril 22, 2012 | Minha Vida Literária
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2012

Coluna da Duhau #26 – Vícios de Linguagem

Oi, pessoal, tudo bom com vocês? Vocês devem ter estranhado que semana passada não teve Coluna da Duhau, mas é que eu passei por um final de semana bem complicado de dar aulas freneticamente e não estava com tempo nem de respirar! Tanto que esse mês, até agora, só li um livro de 200 e poucas páginas, pra vocês verem que até minha atividade preferida está sendo comprometida por essa correria do dia-a-adia que está afetando todos nós. 
Bom, mas não é pra falar sobre isso que estou aqui. Agora que desafoguei um pouquinho, voltei com mais um post da coluna pra vocês e só posso pedir desculpas pela ausência na semana passada, espero que entendam. E pra essa semana decidi trazer novamente um tema que tem a ver com português, já que ainda tô muito com a cabeça nesse tema por conta das aulas intermináveis que dei. Então trouxe um tema que ainda é muito comum e alguns errinhos que muita vezes cometemos tanto na escrita, quanto na fala, que são os Vícios de Linguagem.
Vamos a eles?


– Ambiguidade – 
  1. Ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem ter dois sentidos. Ela geralmente é provocada pela má organização das palavras na frase. Quando uma mesma oração dá espaço de interpretação para dois sentidos distintos e, caso esse não seja o interesse, isso será um erro, já que sua frase poderá ter um sentido que você não quis dar a ela.

Exs.: Leu para o filho muitos poemas e lendas da Grécia. (Ambiguidade estrutural, quando há mais de uma interpretação por conta do agrupamento de palavras.) “da Grécia” refere-se só às lendas ou também aos poemas?


Sonhava toda noite com louros. (Ambiguidade lexical, quando há mais de uma interpretação por conta da polissemia [vários significados para uma mesma palavra].) Nesse caso, “louros” pode ser um substantivo (referindo a “homens louros”) ou também pode ter o sentido de “glórias alcançadas”.



– Barbarismo –
  1. Barbarismoperegrinismoidiotismo ou estrangeirismo (para os latinos qualquer estrangeiro era bárbaro) é o uso de palavras ou expressão em desacordo com as normas gramaticais, ou com erro de pronúncia, grafia ou significação.
  2. Subdivide-se em: Galicismo (quando a palavra é proveniente do francês), Anglicismo (quando é do inglês) e Castelhanismo (do espanhol).

Exs.: Eles têm serviço delivery. (Anglicismo, o correto seria: “Eles têm serviço de entrega.”


Ontem comprei muitos CD’s naquela loja. (Anglicismo, pois na nossa língua não usamos o apóstrofo em nenhuma palavra (exceto para supressão de alguma letra, como em copo d’água). O correto seria “CDs”.




– Cacofonia –
  1. cacofonia é um som desagradável ou obsceno formado pela união das sílabas de palavras conseguintes. 
Ex.: Deixe ir-me , pois estou atrasado

Atenção! NÃO são cacofonias: “Eu amo ela”, “Eu vi ela”, Ela tinha…”, etc. já que, apesar de existir uma feia junção de fonemas nesse exemplos, essas junções não resultam na formação de uma palavra ou significado obsceno como no exemplo acima. Mesmo assim devemos evitar usar tais combinações.




– Pleonasmo Vicioso –

  1. pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando consiste numa redundância inútil e desnecessária de significado em uma sentença, é considerado um vício de linguagem. Esse tipo de pleonasmo chamamos pleonasmo vicioso.

Exs.: Grande maioria, certeza absoluta, monopólio exclusivo, bonita caligrafia (caligrafia já significa “boa letra”), elo de ligação, habitat natural, etc.

Atenção! Como dito acima, o pleonasmo pode ser usado propositalmente, como figura de linguagem, pelo autor. Porém, é necessário muita maestria para utilizá-lo corretamente e, por isso, recomenda-se evitá-lo. Exemplo de pleonasmo como figura de linguagem: “Cada qual busca salvar-se a si próprio.” – Herculano




– Solecismo –
  1. Solecismo é um erro gramatical, especialmente de sintaxe, cometido quase sempre por quem desconhece as regras da língua  Há três tipos de solecismo:
  • Solecismo de Concordância: “Fazem cinco anos que nos conhecemos.” (Faz cinco anos…). “Aluga-se salas neste edifício.” (Alugam-se salas…).
  • Solecismo de Regência: “Ontem eu assisti um filme de época.” (Ontem eu assisti a um filme de época. Quem assiste [no sentido de ver], assiste a alguma coisa. Já se o sentido do verbo assistir fosse ‘dar assistência’, aí sim seria assistir alguém.)
  • Solecismo de Colocação: “Me parece que você está muito feliz hoje.” (Parece-me que você está muito feliz hoje. Sempre ocorrerá a ênclise se o verbo estiver no início da frase). “Eu não respondi-lhe nada do que perguntou”. (Eu não lhe respondi nada do que perguntou [O “não” atrai a próclise]).





Bom, pessoal, eu acho que me estendi um pouquinho, haha. Mas é que gosto tanto de português/gramática que a professora já baixa em mim e eu saio tagarelando mesmo. No mais é isso mesmo. Lembrando que existem outros vícios de linguagem, como o Eco, a Colisão, o Plebeísmo e a Prolixidade. Se tiverem interesse, aconselho a pesquisarem mais sobre eles, é um assunto muito interessante.

Por falar em prolixidade, desculpem a minha. Vou encerrando por aqui. Um beijão e uma ótima semana a todos! o/ 
















Pri, eu sou super a favor de uma edição nº2 de Vícios de Linguagem com esses outros que você citou!Acho que eu já conhecia todos desse post, mas, ainda assim, foi ótimo ler sobre eles, porque alguns dos exemplos eu nunca havia parado para pensar que eram vícios (ex: “a grande maioria”). Enfim, eu também adoro português então estou me deliciando com esses seus posts!!




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