[Resenha] Xadrez - Fabiane Ribeiro | Minha Vida Literária
01

maio
2012

[Resenha] Xadrez – Fabiane Ribeiro

Título: Xadrez
Autor: Fabiane Ribeiro
Editora: Multifoco
Número de Páginas: 400
Ano de Publicação: 2011
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Inglaterra, 1947. A Europa encontra-se devastada pela Segunda Guerra Mundial, assim como o coração de Anny. A garota de oito anos vê seu mundo desmoronar ao receber a notícia de que não poderá mais viver com os pais e terá que se mudar de casa levando pouco mais que seu tabuleiro de xadrez. Tudo parecia um pesadelo, até que surge Pepeu, um jovem misterioso que mudará para sempre a vida de Anny, levando-a a aprender sobre o mundo e a viver momentos emocionantes sem sair dos canteiros de seu pequeno jardim. Ao lado de anjos que são colocados em sua jornada, a doce menina aprende a enfrentar as dificuldades através de lições de abnegação, fé e amor verdadeiro.

Fabiane Ribeiro criou um mundo encantador. Na realidade, acho que o melhor a ser dito é que ela criou uma personagem encantadora: Anny, uma garotinha mais do que especial, que me lembrou a célebre Pollyana de Eleanor H. Porter.
Conheci a narrativa de Fabiane através de Corações em Fase Terminal, no qual pude perceber o talento da autora. Em Xadrez, apenas o constatei, já que a história é muito bem escrita e desenvolvida.
O enredo poderia ser classificado tanto como “doce” quanto como “amargo”. Há cenas cruéis, nas quais sentia o coração apertar. Porém, acima da crueldade, há um imensurável amor, capaz de tornar o livro muito mais doce do que amargo. Anny é o amor em forma de criança e tudo que conseguia pensar enquanto eu a conhecia mais a fundo era o quão especial ela era. Em alguns momentos, cheguei até mesmo duvidar que uma criança assim pudesse existir, já que ela carrega consigo uma sabedoria gigantesca. Entretanto, a própria história se encarrega de nos mostrar que Anny, de fato, não é uma criança qualquer.
São várias as histórias entrelaçadas as de Anny. Não é apenas sobre a garotinha que conhecemos, mas também sobre todos que com ela estão envolvidos. E a autora foi muito feliz em criar todas elas, visto que os detalhes dados a cada uma só serviram para enriquecer a obra como um todo e permitiram uma maior aproximação com o leitor.
Apenas dois pontos me desagradaram um pouco. Um deles foi Cindy, a mãe de Anny. Achei a personagem controversa, não consegui defini-la muito bem. Logo em suas primeiras falas, ela demonstra ser uma pessoa fria e que busca a distância da filha – o que fica claro na maioria de suas ações ao decorrer da história. Entretanto, em outras de suas atitudes, ela se mostra uma mãe carinhosa, que se importa com Anny, o que não se encaixa com seu perfil. O outro ponto foi o final, que me pareceu um pouco corrido e com alguns pontos não muito bem finalizados, fiquei com a sensação de algumas explicações terem faltado. Por exemplo, esperava maiores detalhes sobre o trabalho dos pais de Anny ou uma maior explicação sobre a condição de Angel, embora eu acredite que haja a possibilidade de ter sido exatamente essa a intenção de Fabiane: deixar tudo subentendido, já que a própria Anny não conhece com certeza esses fatos.
Ainda como consequência do final corrido, em minha opinião, acabei não conseguindo conhecer tão bem a Anny adolescente. A Anny criança foi muito bem explorada e apresentada, todavia sua fase adolescente deixou um pouco a desejar. Achei que faltaram elementos para melhor apresentá-la, gostaria de ter sabido se algo nela mudou, se seus sonhos foram modificados, quais suas aspirações para o futuro no meio tempo transcorrido entre sua infância e o final da história, entre outros aspectos. Em resumo, enquanto a Anny criança foi bem real em minha imaginação, a adolescente não criou uma forma clara em minha mente, continuei a imaginá-la como a criança que um dia havia sido. Novamente, esse pode ter sido um recurso da autora, para mostrar que Anny sempre manteria seu lado criança consigo.
De um modo geral, a leitura me agradou bastante, tanto pela qualidade de sua escrita e, principalmente, pela belíssima mensagem de fé e amor transmitida. Anny é uma personagem cujo exemplo devemos seguir e tenho certeza de que os que conseguirem levar consigo um pouco dessa menina, não só serão mais felizes como, também, terão aprendido uma valiosa lição: a de se saber viver.




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10 Respostas para "[Resenha] Xadrez – Fabiane Ribeiro"

Ana Ferreira - 01, maio 2012 às (23:19)

Mi,
Já tinha visto divulgação do material de “Xadrez” em outros blogs, mas tudo bem superficial até então. Lendo a sua resenha e dando uma atenção maior à sinopse, gostei do que vi e pude formar uma ideia positiva a respeito da obra de Fabiane.
Não sei se é só pela sinopse, mas me lembrei de “A Menina que Roubava Livros”.

Beijinhos!
Ana – Na Parede do Quarto

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Danzinha - 01, maio 2012 às (23:47)

Oiie MI,

Adoro suas resenhas, pois são tão bem escritas e bem coerentes. Eu imaginava que este livro fosse bem infantil e até mesmo um pouco bobo, porém, em sua resenha percebi que me equivoquei. A estória me pareceu realmente cheia de amor, e fiquei bem curiosa para receber.

Beijos

Amigas entre Livros

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Milly - 02, maio 2012 às (02:01)

Oi flor 🙂
Ando sumida né? eu sei rs

Nunca tinha lido nada a respeito desse livro. E sinceramente, o achei bem interessante.

Como sempre, suas resenhas são um arraso. Parabéns!

Beeijos,
Ler e se Aventurar

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Eduarda Menezes - 02, maio 2012 às (03:48)

Oi Mi!
Li a resenha desse livro em outros blogs e me parece ser uma história bem tocante, também como você definiu muito bem: doce, e ao mesmo tempo amarga.
Primeiramente o livro não tinha me chamado tanto a atenção, mas após algumas resenhas e me aprofundar um pouco mais sobre a história, criei uma impressão bem positiva do que vou encontrar.
De qualquer forma como sempre, adoro o fato de você ter chamado atenção para os aspectos negativos que você também encontrou.
Como sempre, uma resenha muito bem estruturada e coerente.
Beijão!

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Entre Fatos & Livros - 02, maio 2012 às (05:09)

Oi Aione!

Eu já li outras resenhas sobre esse livro e mesmo muitas sendo positivas, não despertou meu interesse. Eu gostei de saber que é um livro que mexe com o leitor. Gosto disso. Mesmo assim, ainda não entrou para minha wishlist. Talvez mais para frente.

BjoO
Pri
Entre Fatos e Livros

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Érica Patricia Lopes - 02, maio 2012 às (13:38)

Oi Mi!
Nossa que lindo!
Simplesmente amei! É a primeira resenha que leio de Xadrez e fiquei encantada!
A Fabi é doce de pessoa, gosto muito dela!
Parabéns flor pela excelente resenha!

Beijokas

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Aetria (Camila Loricchio) - 02, maio 2012 às (19:00)

A sinopse do livro em um dos blogs me lembrou da história da Alice, do Carrol, fiquei com vontade de ler, se tiver oportunidade o farei =)

Bjoos

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Julia G - 02, maio 2012 às (19:05)

Mi, fazia um tempinho que eu não passava por aqui, mas estava me fazendo falta! Adoro suas resenhas, e essa não perde em nada. Já morria de curiosidade de ler a história criada pela Fabiane, e acho agora que preciso ainda mais. Parece ser daquelas histórias lindas, que conseguem nos fazer enxergar a luz e o bem em meio ao caos, e que vêm tão carregadas de mensagens que ficam gravadas na gente sempre.

Beijos

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Jonathan Henrique - 02, maio 2012 às (19:07)

Oi, Aione!
Se eu julgasse o livro pela capa sem nem sequer ler a sinopse, certamente não chamaria a minha atenção. Então, obrigado pela resenha, pois assim pude ver do que se trata “Xadrez”.
Eu gostei da trama e fico contente em saber que foi bem escrita. Só não entendi onde entra o tabuleiro de xadrez na história… =/
Parabéns pela ótima resenha.

Beijos,
@Jonathan_HGF

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Lucas Martins - 05, maio 2012 às (03:10)

Ah, Mi! Eu tinha vontade de ler o livro, desde as novidades em que você falou sobre ele!
Gosto de histórias assim, “amargas” e “doces”, se é que me entende. Gosto de autores brasileiros explorando temas bacanas e estruturando histórias tão boas e gostosas de conhecer!
Você comentou sobre a semelhança da personagem com a Pollyanna… Cara, eu amo a Pollyanna, rsrs Pollyanna é um dos meus livros preferidos e me arrependo de só ter tipo a oportunidade de lê-lo agora…
Fiquei bastante interessado, Mi! Quero conhecer este universo criado pela autora!
Beijão!

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