Especial: Histórias de Amor | Minha Vida Literária
05

jul
2012

Especial: Histórias de Amor

Minha ideia inicial, para esse post, era fazer uma trajetória histórica sobre romances.

Entretanto, na literatura, a palavra “romance” não está ligada, apenas, a histórias de amor.
Segundo o Aurélio, temos:
Romance s.m. 
1. Descrição mais ou menos longa das ações e sentimentos de personagens fictícios, numa transposição da vida para um plano artístico;
2. Descrição ou enredo exagerado ou fantasioso.
Portanto, romance, na literatura, é um tipo de prosa, um tipo de narrativa.

Assim, o mais correto não seria dizer que escolhi, para essa semana, como um gênero literário o Romance, mas sim livros que narrem histórias de amor. Porém, aqui teríamos outro problema: um livro que conte a história de uma mãe e uma filha, por exemplo, poderia ser considerado um livro de amor, certo?
Então, ao invés de ficar analisando o conceito de cada palavra, peço a vocês a licença para generalizar e continuar associando esses livros que narram histórias do relacionamentos amorosos entre um homem e uma mulher simplesmente como “romances”.
Só mais um parênteses: essa conexão entre “romance” e “amor” existe por conta do Romantismo, estilo literário surgido no final do século XVIII na Europa e que tinha como características a exaltação dos sentimentos, do saudosismo e tantas outras características que fazem parte de tudo classificado como “romântico”, até os dias de hoje.
Mas, é claro, as histórias de amor, na literatura, não surgiram no século XVIII.
Uma das mais antigas que se tem conhecimento é a de Tristão e Isolda, datada da Idade Média.
Em linhas gerais, temos:

Tristão, excelente cavaleiro a serviço de seu tio, o rei Marcos da Cornualha, viaja à Irlanda para trazer a bela princesa Isolda para casar-se com seu tio. Durante a viagem de volta à Grã-Bretanha, os dois acidentalmente bebem uma poção de amor mágica, originalmente destinada a Isolda e Marcos. Devido a isso, Tristão e Isolda apaixonam-se perdidamente, e de maneira irreversível, um pelo outro. De volta à corte, Isolda casa-se com Marcos, mas ela mantém com Tristão um romance que viola as leis temporais e religiosas e escandaliza a todos. Tristão termina banido do reino, casando-se com Isolda das Mãos Brancas, princesa da Bretanha, mas seu amor pela outra Isolda não termina. Depois de muitas aventuras, Tristão é mortalmente ferido por uma lança e manda que busquem Isolda para curá-lo de suas feridas. Enquanto ela vem a caminho, a esposa de Tristão, Isolda das Mãos Brancas, engana-o, fazendo-o acreditar que Isolda não viria para vê-lo. Tristão morre, e Isolda, ao encontrá-lo morto, morre também de tristeza.”

 
Fonte: Wikipedia
 
 
Como pode ser observado, a história contém elementos que se repetiram inúmeras vezes depois. Quem não sentiu um ar de Romeu e Julieta com esse final de Tristão e Isolda? Afinal, o que torna, então, um livro romântico? O que faz de uma história romântica?
Já diria Woody Allen, em Vicky Cristina Barcelona: “Somente um amor incompleto pode ser romântico”.
Não estou querendo dizer que histórias com finais felizes não sejam românticas, mas sim que, para haver romance, nesse caso, é necessário que haja obstáculos.
Obstáculos levam à superação. Por mais exemplar que seja uma história de amor que não encontra obstáculos, ela deixa de ser romântica. O conceito de “romântico” está intrinsecamente ligado aos ideais românticos da época do Romantismo e a essas próprias histórias que antecederam essa época, como as de Tristão e Isolda e Romeu e Julieta, simplesmente porque todo o sofrimento, nesses casos, potencializa o sentimento.
Que fique claro: estamos falando do romance em livros, não na vida real, ok? Essa seria outra discussão!
Mais um exemplo está em Titanic, que, apesar de não ser um livro, é um dos filmes de maior sucesso de bilheteria da história do cinema e narra, exatamente, uma intensa história de amor não realizado.E por que, então, esse sofrimento é tão atraente nessas histórias?
Há quem possa dizer que o ser humano é alguém sádico e, por isso, aprecie tragédias, de alguma forma. Novamente, não vou entrar nessa questão, se é válida ou não. Mas, levando-a em consideração, eu prefiro acreditar que o sofrimento é atraente por conta da superação envolvida, como já citei anteriormente.
Quem é que nunca vibrou ao acompanhar a superação dos obstáculos em uma história? Quem foi que nunca sofreu ao ver diversos acontecimentos tristes em um livro, mas que, ao chegar ao final, suspirou feliz e pensou que todos os sofrimentos só fizeram aquela leitura mais prazerosa ao final?
Essa é a questão: a fórmula dos obstáculos funciona até os dias de hoje nas histórias porque potencializam o amor, valorizam o sentimento e o relacionamento. Sabe aquela história de que só damos valor àquilo que apresenta dificuldade? Que o que é muito fácil não é valorizado? É essa a ideia embutida na maioria dos romances.Talvez seja esse o elemento que tanto me agrada em livros assim. Simplesmente acho incrível qualquer história de superação, ou um amor que resista às dificuldades ou à ação do tempo. É delicioso um romance que a tudo enfrenta sem enfraquecer.
Já diria Shakespeare:

“Não haja impedimento à união
de almas fiéis; amor não é amor
se se altera ao ver alteração
ou curvar a qualquer pôr e dispor.
Ah, não, é um padrão sempre constante
que enfrenta as tempestades com bravura;
é estrela a qualquer barco navegante,
de ignoto poder, mas dada altura.
Do Tempo, o amor não é bufão, na esfera
da foice cuva em bocas, róseos rostos;
com breve hora ou semana nãos e altera
E até ao julgamento fica a postos.
E se isto é erro e em mim a prova tem,
nunca escrevi e nunca amou ninguém.”
Nota: Esse é o Soneto 116. Ele aparece em “Razão e Sensibilidade” e há inúmeras traduções disponíveis na internet. Porém, essa, presente no livro, é a que considero mais bela e mais fiel dentre as que encontrei. Ela foi retirada desse link.





Por fim, gostaria de deixar aqui alguns dos livros românticos que mais me encantaram. Não incluirei nessa categoria nem livros clássicos nem chick-lits, porque eles terão um espaço exclusivo para eles 😉





É isso!


Espero que tenham gostado!




Beijos!

 





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9 Respostas para "Especial: Histórias de Amor"

Lili - 05, julho 2012 às (19:55)

Adorei, flor!
Acho muito gostoso trazer esse conhecimento e a discussão.

Sem falar que vários dos meus romances preferidos estão aí: P.S. Eu te amo, Um dia… 🙂

liliescreve.blogspot.com

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Planet Pink - 05, julho 2012 às (20:07)

Oi Miiii!!!
Eu adoro romances!! Com certeza, é um dos gêneros que mais gosto! *-*
Dessa sua lista aí, Por Linhas Tortas é meu top, tá certo que não li muitos dos outros rs
Fiquei pensando, com essa semana especial de romances, será que rola participação da sua gêmea falando de romances de banca? =p

Beijão!!

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Raquel Machado - 06, julho 2012 às (01:06)

Oi flor,
Parabéns pelo post você como sempre com posts super criativos…então eu aqui falando de romance…aiaiaia não vai dar certo…hauhau sabe que sou uma romantica assumida ne…e assim tristão e isolda é muitooo lindoooo é uma história maravilhosa..sobre sua lista tem vários que eu gosto mas meu querido e anna e o beijo frances não adianta. Agora sobre o que você falou de gostarmos de romance porque ao decorrer são obstáculo vencidos foi isso que eu entendi..pode ser nunca tinha pensado nisso ehehe ou talvez seja porque vemos tanta coisa de histórias de principe encantados e histórias maravilhosas desde pequena que isso fique um pouco na gente…ahuaha viajei sei lá…enfim adoreiii o post.
Bjksss
Raquel Machado
Leitura Kriativa
http://leiturakriativa.blogspot.com/

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leitoracompulsiva - 06, julho 2012 às (14:48)

Oi Mi,
Adorei o post de hoje.
Nem sempre é fácil entender qual o uso da palavra romance para a literatura. A gente sempre pensa em uma história de amor, mas que bom que você esclareceu que nem sempre é esse o significado!
beijos
Camis – Leitora Compulsiva

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✿Vanessa✿ - 06, julho 2012 às (15:15)

Oi Mi*
Que post maravilhoso, amei!!
Adoro livros assim, e dentre estes que vc citou eu ja li um dia, o diario de suzana para nicolas, Por linhas tortas, ainda não te disse nada e Anna e o beijo frances. E eu adorei todos eles.
Bem, eu tenho muita vontade de ler este primeiro que citas e o o da Patricia Cabot.
E não sei por que eu fico em duvida em relação ao livro do o circo da noite =)

Bjinhs
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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Lucas Martins - 06, julho 2012 às (16:51)

Nesse mês de aniversário do Minha Vida Literária realmente não poderia faltar um especial sobre Romance que é um de seus gêneros literários preferidos, né, Mi?! Rsrsrs
Eu adorei o especial e todo contexto histórico que você considerou nele. Eu adoro romance e nas obras que você destacou no fim da post, acho que quero ler a maioria (visto que alguns eu já li/tenho e outros não me interessam muiiiiito).
Beijão!

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Alinne - 06, julho 2012 às (19:33)

Oi Mi.
Adorei o post!
O gênero romance é um dos meus preferidos e atualmente embarquei nessa e não parei mais!rs.Gostei bastante dos livros escolhidos por você, destes ai os que já tive a oportunidade de ler e por isso concordo plenamente são:Anna e o Beijo Francês, Diário de uma Paixão e Um Dia, quantos aos outros tem alguns que pretendo ler.
Esse gênero além de ser agradável,pode ser lido à qualquer hora, pois nada como estar de baixo astral e ler um romance marcante e envolvente não é? Parece que ao ler o animo chega novamente…e eu amo isso! Enfim parabéns pela ideia do post.
Obs: Sobre o curtir do Face se não estiver funcionando,é só você add aos amigos que já estará válido tá? E obrigada pelo aviso!
Beijos.

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Flavio (Grobsch) - 07, julho 2012 às (10:37)

Gostei bastante do artigo, agora ficarei ansioso aguardando o sobre os clássicos. Em todos os meus livros eu incluo um romance, mesmo se fora do tema central.

P.S: “O amor é um silo fissurado, sem conserto e repleto de areia; jamais interrompemos o vazamento, então precisamos alimentá-lo diariamente com pás e mais pás para mantê-lo cheio.”

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Ni - 09, julho 2012 às (01:06)

Adorei! Também acho que apreciamos a tragédia por culpa da superação quem vem com tal história… Apesar de também pensar que toda tragédia adiciona uma dose de realismo ao livro, e assim, nos conectamos mais intensamente à ele. Tragédia é algo mais concreto, que a gente normalmente sabe apontar, enquanto amor é algo mais poético, confuso… Então a gente sente com mais intensidade os obstáculos da história, e estes, fortalecem o romance! Enfim, nem sei mais o que estou escrevendo. Beijão, Mi!

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