A Cultura e os Livros da Moda | Minha Vida Literária
10

dez
2012

A Cultura e os Livros da Moda

Não é de hoje que livros da moda geram as mais diversas polêmicas. Basta um livro se tornar mundialmente famoso para que surjam defensores ferrenhos e críticos ainda mais inflexíveis.
Verdade seja dita, é impossível que se agrade a todos. Não existe sequer uma obra, não apenas na literatura, cuja aprovação seja unânime. Ao mesmo tempo, não há a necessidade de isso acontecer, as pessoas são diferentes e é de se esperar que suas opiniões também o sejam.
A questão não é gostar ou não de uma obra, ou querer lê-la ou optar por deixá-la de lado – que isso fique a critério do gosto e da vontade de cada um. O que me incomoda são os cada vez mais frequentes comentários julgando leitores por suas escolhas literárias.

Inegavelmente, a leitura está associada a uma maior cultura. Quando alguém diz ser um leitor voraz perto de outros que não tem esse hábito, já surge uma imagem de erudição. Contudo, ler não precisa, necessariamente, ser um hábito para se agregar conhecimento. Aliás, diria que, pelo menos em meu caso, a leitura é muito mais um hábito de prazer e entretenimento do que qualquer outra coisa.
Independentemente do conteúdo, diversos estudos indicam os benefícios da leitura. Capovilla et al (2004) encontraram correlação entre a leitura e a escrita com habilidades aritmética, memória fonológica, vocabulário, consciência fonológica e sequenciamento (artigo disponível aqui). Porém, para quem tem o hábito, não são necessários estudos para mostrarem o quanto a leitura colabora com a escrita e com uma melhor capacidade de compreensão e interpretação de informações.
A questão é: se diversas pessoas optam por assistir a novelas ou a reality shows como forma de entretenimento, programas que frequentemente sofrem o mesmo tipo de preconceito, por que não optar por um livro de “baixo conteúdo literário” para o mesmo propósito? Desde quando a leitura de livros desse tipo faz de alguém mais ignorante? Aliás, ainda que o livro seja exclusivamente para entretenimento, a atividade da leitura por si só não é muito mais positiva do que assistir a um programa de televisão de mesmo objetivo, em termos de desenvolvimento de habilidades cognitivas, e, ainda assim, a opção pela televisão acaba por ser muito mais frequente do que a escolha pela leitura? Que fique claro: não estou recriminando o ato de se assistir à televisão.
Não quero entrar, aqui, na questão do entretenimento, independentemente de qual tipo, como forma do controle de massas. A alienação é sim um problema grave, mas a ignorância de se taxar alguém exclusivamente pelo tipo de opção de leitura ou de programa televisivo assistido também o é.
É importante lembrar, também, que cada leitura adquire um significado e uma importância diferente para cada leitor. Assim, o que pode ter sido uma experiência medonha para um, pode ter sido a mais incrível viagem e lição de vida para outro.
Da mesma maneira que defendo a leitura de clássicos, de livros que estimulam e provocam o leitor, que o tiram de seu lugar comum, eu também defendo a “leitura vazia”, inclusive porque não acredito que uma leitura possa assim ser chamada. Toda e qualquer leitura é proveitosa, desde que se saiba tirar proveito dela. Se eu quiser optar por um livro mais erudito, eu tenho o direito e isso não me tornará uma leitora superior a ninguém, nem muito menos farei a escolha para me sentir mais culta. Se eu optar por um Best-sellerapontado por críticos como “vazio”, tenho igual direito de lê-lo sem ser considerada como fútil ou ignorante. Ler, acima de qualquer coisa, deve ser um ato prazeroso, ainda que também seja importante o desenvolvimento de um senso crítico sobre a leitura – o que não significa condená-la. Acima de qualquer gênero literário, defendo a leitura.
Digo e repito: cabe a cada um decidir que tipo de leitura será feita ou qual mais lhe agrada, independentemente do gênero ou época de publicação. Inclusive, cabe a cada um ter sua própria opinião, positiva ou não, sobre suas próprias leituras. Não cabe a ninguém julgar a escolha alheia.




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15 Respostas para "A Cultura e os Livros da Moda"

Lili - 10, dezembro 2012 às (17:49)

Onde eu assino?
Sou a favor de leituras construtivas, e também apoio as leituras vazias.
Apoio a leitura até de folheto de supermercado, e disse isso na aula de redação do cursinho quando o professor começou a discursar e praticamente me esnobou quando eu acrescentei que considerava os gibis uma excelente fonte de conhecimento para crianças, por dialogar de modo simples e trazendo muitas vezes informação.

Ele achou um absurdo, e tentou de um modo ‘bonito’ me criticar. Eu revidei dizendo que no nosso cotidiano com poucas pessoas que leem, com o estigma que a leitura possui, e com pessoas que como ele (claro que eu não falei assim) que procuram taxar o que deve ser lido e o que é deplorável ler, eu ficaria bem contente que as pessoas se estimulassem a ler até mesmo os folhetos de propaganda de supermercado.
Que eu daria pulos de alegria e evocaria aos céus se eles se dedicassem aos livros de auto-ajuda (que o professor fez bufinhos).

Bom, preciso dizer então que eu assino o seu post como meu?
Leitura para engrandecimento, não precisa ser apenas uma leitura para conhecimento.

liliescreve.blogspot.com

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Planet Pink - 10, dezembro 2012 às (20:09)

Oi Mi!
Você falou tudo!
Infelizmente, apesar de a gente discutir e mostrar visões como a sua, sempre vão existir os preconceituosos, ou aqueles que se acham superiores só porque lêem grandes nomes.
As pessoas deveriam entender, que cada um ler o que quer e tem direito de gostar do tipo de leitura que mais lhe agrada, afinal onde está a liberdade de expressão e pensamento?

Ótimo post!!
Beijão.

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Marcelo Lima - 10, dezembro 2012 às (20:47)

super concordo ! acho que cada um ler o que quer e o lhe faz bem ! adorei o post mi

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Vanessa - 10, dezembro 2012 às (23:55)

E viva a liberdade de leitura!!!!! Que as pessoas leiam o que lhe derem na telha mesmo, antes ler alguma coisa do que não ler simplesmente nada!!!

Beijokss

Vanessa – Blog do Balaio

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MsBrown - 11, dezembro 2012 às (01:54)

A verdade é que não acredito na “leitura vazia”. Tudo bem, há muitos livros, por exemplo, que a princípio não parecem ser importantes, mas sempre há algo que eles acrescentam no leitor, mesmo que por um pequeno momento.
Gostei do post!

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Camila Loricchio - 11, dezembro 2012 às (02:30)

Que post incrível, Aione! 😀
Concordo com cada uma das letras escritas ali, às vezes a única coisa que se quer é ler algo que não nos faça pensar demais, que seja aquela coisa que faça nossa mente vagar, livros denominados eruditos não conseguem fazer isso muitas vezes.
Pode se discutir o próprio gosto, dar sua opinião sobre livros que acha vazios, livros que acha enriquecedores, mas para poder dizer que é livre para dar sua própria opinião, deve-se também saber que os outros são livres para ter sua própria, e saber respeitá-los por ter sua própria individualidade. A falta de respeito nessas horas é a pior coisa que pode sair de alguém que diz ser crítico de algo. Saber ter sua crítica criticada é o maior aprendizado!

Beijos!!!
Camila

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Alexandre Koenig de Freitas - 11, dezembro 2012 às (03:32)

Redundância a parte, concordo com absolutamente tudo Mi.
Eu tbm leio por entretenimento. E mesmo quando leio clássicos, o faço por prazer, e não por considerar que seja uma leitura cult.
Tbm acho que ninguém deveria condenar um genero literário. A leitura sempre será positiva, e cabe a cada um escolher aquilo que lhe apraz.
Abraço,
Alê.
Além da Contracapa

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Vanessa Grandin - 11, dezembro 2012 às (12:43)

Ótimo post Aione!!!
Também acredito que não exista leitura vazia…..é claro que alguns livros deixam a desejar no conteúdo, mas nem por isso não deixa de ser uma leitura válida, afinal acredito que para fazermos um julgamento de uma leitura boa ou não, temos que ler bastante e isso vem com o tempo e a experiência com os livros !
Cada um lugar deve ler o que quer, o que te entretem e o aprendizado é consequência !

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Raquel Machado - 11, dezembro 2012 às (23:26)

Oi flor,
Adoreiii o post muito bem colocado. Sabe que esse esquema de livros modinha tem me deixado pensando ultimamente tipo eu gosto de estar por dentro das novidades ainda mais por ter o blog e tal…mas dai vejo tanta gente indo atras só porque esta na moda…tudo bem como você disse cada um tem seus gostos mas sabe quando você vê que as pessoas realmente estão indo atrás por ir…enfim…sobre ler acho que é válido independente do que sendo ela um clássico da vida um livro leve e divertido o importante e a pessoa gostar disso. Bjsss
Raquel Machado
Leitura Kriativa
http://leiturakriativa.blogspot.com/

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✿Nessa✿ - 12, dezembro 2012 às (13:16)

Oie!
Bela reflexão Mi, adorei.
O que mais me chamou atenção no seu texto foi esta parte: “Inclusive, cabe a cada um ter sua própria opinião, positiva ou não, sobre suas próprias leituras. Não cabe a ninguém julgar a escolha alheia”.
Concordo Mi, cada um tem uma opinião e não cabe a nós julgar!!

Bjinhs*

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Lucas Kammer Orsi - 12, dezembro 2012 às (19:54)

Adorei a reflexão! Tem que ser assim mesmo. Usufruir do livro o máximo o possível. Não ler apenas por ler. Um livro que li e me causou isso de refletir foi Corações em Fase Terminal, da Fabiane Ribeiro. Foi um livro, que apesar de ser ficção, deu-me várias coisas para pensar.

Beijos
Lucas
ondeviveafantasia.blogspot.com.br

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Julia G - 13, dezembro 2012 às (15:21)

Oi Mi, parabéns pelo texto maravilhoso. Estava vendo comentários no twitter esses dias exatamente sobre o mesmo assunto, e concordo inteiramente com você. Acho que, independente do tipo de leitura que cada um adota para si, o importante é ler, exercitar o cérebro e deixá-lo aberto à imaginação. Não se pode julgar alguém pelo seu estilo de leitura, nem se achar superior literariamente falando, só porque lê algo que aparenta ter mais conteúdo que outras obras. Até porque o prazer é o que importa, e os benefícios serão os mesmos.
Gosto de clássicos e gosto de leituras vazias, acho que é até necessário intercalar tais leituras, e assim como tem leituras sem conteúdo que se tornam agradáveis ou chatas, o mesmo acontece com os clássicos.

Beijos

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Tahis - 15, dezembro 2012 às (17:21)

Olá flor!
Como disse uma leitora acima: “Onde eu assino”?
Falou tudo, concordo com você!
Independente do estilo, se for “vazio” “erudito” qualquer coisa, o importante é ler, é estimular o cérebro, ler é tão bom, nos faz viajar sem sair de casa, nos faz imaginar, faz com que melhoremos nossa interpretação! Infelizmente, poucas pessoas tem esse hábito, e acabam julgando as pessoas que leem! Não entendem que a leitura é um prazer enorme.
Adorei o post, parabéns!

Beijão
http://lovesbooksandcupcakes.blogspot.com.br/

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Gabi Rodriguez - 18, dezembro 2012 às (03:33)

Oi Aione,

Bom texto, até porque…os clássicos, na sua época foram leitura de massa, embora a maioria tenha sobrevivido através do tempo…o que prova que os best sellers de hoje, podem se tornar clássicos no seculo seguinte. ótimo post!

beijos

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Crislane Barbosa - 10, março 2013 às (16:41)

Oi!
Falou tudo Aione!
Detesto quando as pessoas julgam sem conhecer, ou julgam os outros por ler ou assistir determinado programa. Seja o que for.
Todos somos diferentes. Imagine todo mundo gostando da mesma coisa? Que chato e enfadonho seria!
E Gabi concordo plenamente com você!

Bjus…

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