[Livros Na Telona] O Carteiro e o Poeta - Antonio Skármeta | Minha Vida Literária
12

dez
2012

[Livros Na Telona] O Carteiro e o Poeta – Antonio Skármeta

Livros Na Telona é uma coluna na qual analiso filmes que foram baseados em livros!

Sobre o Livro



Título: O Carteiro e o Poeta
Autor: Antonio Skármeta
Editora: Best-Bolso
Número de Páginas: 128
Ano de Publicação: 2011
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O Carteiro e o Poeta é um livro curto, mas, nem por isso, desprovido de conteúdo. Com suas poucas páginas, consegue falar de amizade, romance, política e, sobretudo, poesia.
Mário é um jovem filho de pescador que nunca se encontrou na atividade pesqueira, embora tenha crescido numa aldeia de pescadores. Quando seu pai o encoraja a procurar um emprego, ele se candidata à vaga de carteiro cujo único cliente seria o poeta Pablo Neruda. Embora sejam diferentes, com idades e educações diferentes, ambos compartilham a alma poética, mesmo que Mário nem ao menos se dê conta disso. Através da poesia, nasce a amizade entre ambos. 
A narrativa de Antonio Skármeta é peculiar, isso porque, ao mesmo tempo em que consegue ser incrivelmente poética em diversos momentos, é crua e direta em outros, não poupando o leitor de um palavreado baixo que poderia beirar o vulgar se não fosse bem utilizado: como se a poesia da narrativa representasse a alma de Mário e, a outra faceta da escrita, a realidade de seu vilarejo.
Não apenas sobre o relacionamento entre Mário e Neruda, há um importantíssimo contexto político como pano de fundo da história, sendo que esse cenário é baseado em fatos reais do início da década de 70 do Chile. Embora a história entre os amigos seja fictícia, os fatos políticos não o são.
Por ser um livro realmente curto (123 páginas), os acontecimentos são acelerados, porém isso não faz deles inverossímeis. Aliás, encaro o tamanho da obra como algo positivo, uma vez que não sendo um lançamento ou um livro muito comentado no momento, pode não ser uma frequente opção de leitura e seria ainda menos frequente caso tivesse muitas páginas.
De modo geral, indico a leitura, porém com algumas ressalvas. Ressalto que o vocabulário do livro não é indicado para os mais jovens, bem como sua temática pode não agradar a todas. Contudo, esse não é um livro apenas para se ler, mas sim para também se apreciar.
Sobre o Filme
Já havia assistido ao filme quando criança, o que significava que assisti-lo novamente foi o mesmo que assistir pela primeira vez – eu não me recordava de absolutamente nada, apenas dos personagens.
Quando começou, fiquei totalmente confusa. No livro, a história se passa no Chile, porém o que eu ouvia eram os personagens falando em italiano. Comecei a achar que meu inexistente espanhol era pior do que eu supunha, até que percebi que, no filme, a história realmente se passa na Itália, local onde Pablo Neruda foi exilado durante parte de sua vida.
Por conta da mudança do cenário e, consequentemente, da época – o livro se passa no início dos anos 70, enquanto o filme, nos anos 50 -, o desfecho da história e alguns outros momentos foram alterados. Contudo, a adaptação é extremamente fiel, a ponto de muitos diálogos originais terem sido exatamente representados nas cenas.

Não apenas alguns acontecimentos, senti que a atmosfera do filme também é diferente. Na adaptação, ela é muito mais poética, isso porque os momentos mais rústicos do livro não foram incorporados no roteiro. O filme, no resumo, é mais romantizado, enquanto o livro é mais politizado.

Philippe Noiret e Massimo Troisi estiveram perfeitos como Neruda e Mario, respectivamente, mesmo que as idades do personagem do último no livro e no filme sejam visivelmente discrepantes. No original, Mario é um jovem de 17 anos, e, embora sua idade não seja revelada na adaptação, o ator tinha 41 anos quando o interpretou. Porém, sua simplicidade e sua ingenuidade mantiveram a essência do protagonista de Antonio Skármeta – o que realmente importa. 
Como já dito, o filme é mais romantizado e, por conta disso, acredito que seja mais fácil de emocionar. De qualquer forma, recomendo tanto assistirem à adaptação quanto realizarem a leitura do livro. Mesmo com suas diferenças, a essência em ambos é praticamente a mesma e a história contada é belíssima.
 
 

Curiosidades:

  • O Carteiro e o Poeta foi o último filme de Massimo Troisi, que sofreu um ataque cardíaco fatal um dia após as filmagens terem sido encerradas. O ator, também, era poeta e diretor, e foi um dos roteiristas da adaptação.
  •  O francês Philippe Noiret precisou ser dublado no filme, uma vez que não falava nem espanhol nem italiano. Isso também aconteceu em Cinema Paradiso.
Confira o trailer do filme!

 





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9 Respostas para "[Livros Na Telona] O Carteiro e o Poeta – Antonio Skármeta"

MsBrown - 12, dezembro 2012 às (19:55)

Parece interessante! Gostei do post!

Responder

Lili - 13, dezembro 2012 às (00:09)

Eu quero muito ler porque esse é um dos filmes que mais gosto. Eu já vi inúmeras vezes (come una farfalla) e já fui elogiada uma vez numa exibição dele. Um senhor desconhecido veio perguntar meu nome e me parabenizar por ser uma jovem que conseguia se emocionar tanto com a história.

Então, eu tenho uma história legal ligada a ele.

Não sabia dessas mudanças, e acredito que sejam válidas, porque o filme é italiano e coube bem no contexto (pela sua avaliação). E adorei saber da dublagem, fiquei rindo aqui comigo.

Podemos negociar esse nos empréstimos? hehe

liliescreve.blogspot.com

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Babi Lorentz - 13, dezembro 2012 às (00:27)

Nunca nem tinha ouvido falar sobre o livro, nem sobre o filme, mas você falou com tanto carinho sobre a história que acho que seria fácil assistir, ler e me emocionar também.
Beijos.

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✿Nessa✿ - 13, dezembro 2012 às (10:57)

Oi Mi*
Olha, faz tempo que eu assisti, acho até que foi na escola, talvez no ensino médio. Lembro que gostei do filme.
Não sabia da existência do livro, fiquei com vontade de ler e de assistir novamente.

Bjinhs*

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Natalia Dantas - 13, dezembro 2012 às (13:03)

Não sabia sobre o livro nem muito menos o filme, mas achei bastante interessante. Ótimo post.

Abraços.
Entre Livros e Livros.
musicaselivros.blogspot.com

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Julia G - 13, dezembro 2012 às (15:15)

Miii, não fazia idéia da existência dessa história, mas fiquei curiosa. Tenho que admitir que me interesso mais pelo filme, já que gosto dessa coisa de me envolver e emocionar.
Adorei saber as curiosidades, muito interessante.

Beijinhos

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Mariana FS - 17, dezembro 2012 às (15:28)

Oi Aione!
Nossa! Que surpresa encontrar esse livro por aqui. Como você disse, ele não é muito comentando, mas deveria porque vale muito a pena.
Li ele há alguns anos e achei muito bonito. Não lembro dos detalhes, mas lembro de ter me surpreendido. A verdade é que me deparei com ele na biblioteca da universidade e, por ser um livro famoso (pensando bem, acho que essa “fama” vinha do filme e não do livro) peguei, mas sem muito interesse e aí veio a agradavel surpresa.
Nunca assisti o filme. Que bom saber que vale a pena.
Beijos

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Anonymous - 28, novembro 2013 às (03:05)

Eu agradeço muito por ter feito, a senhorita, uma resenha tão bem feita tanto do livro quanto do filme, mas assumo que me apaixonei mais pelo livro, que já li uma 5 vezes eu acho…rs. Uma experiência que tenho a relatar sobre Neruda é que recentemente cheguei de Santiago do Chile e pude viver essa atmosfera romântica e cheia de delicadeza da obra de Neruda, sinto saudades de ver aqueles velhinhos jogando xadrez e andando pelas ruas, todos parecidos (em suas vestimentas) com Pablo Neruda. A imagem que mais me recordarei do Chile é quando fui à Valparaíso e vi as Gaivotas de que tanto gostava nosso poeta imortal.
Um forte abraço, Glauber Marques BH/MG.

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Edson - 29, dezembro 2015 às (18:12)

“Assisti-lo” não existe quando se trata de filme ou espetáculo e sim “assistir a ele”… Abraços.

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