[Resenha] O Que Há Por Trás - Babi Lorentz | Minha Vida Literária
02

jan
2013

[Resenha] O Que Há Por Trás – Babi Lorentz

Título: O Que Há Por Trás
Autor: Bárbara Lorentz
Editora: Publicação Independente
Número de Páginas: 248
Ano de Publicação: 2011
Skoob: Adicione

O Que Há Por Trás conta a história de Melissa e Thiago. Primos que se envolvem, apaixonam-se e começam a viver uma história de amor. Pelo grau de parentesco, primeiramente eles não contam para a família. Até que o pai de Melissa os vê juntos e resolve começar a impedir que o romance aconteça. Mesmo assim, sendo atrapalhados por uma só pessoa, eles decidem continuar o namoro às escondidas, sem imaginarem que uma notícia pode mudar tudo o que vivem.


O Que Há Por Trás é o livro de estreia, publicado de forma independente, da autora Bárbara Lorentz, blogueira do Babi Lorentz. Vergonhosamente, admito, posterguei essa leitura até agora, não por falta de curiosidade, mas por motivos que levam a todos nós, leitores compulsivos donos de estantes lotadas de livros a serem lidos, a postergarem uma leitura desejada.
Quando peguei o livro para, finalmente, lê-lo, resolvi que leria o começo naquele momento – já que minha intenção era lê-lo no dia seguinte – e só parei, pouco mais de duas horas depois, ao finalizar a leitura.
Babi me ganhou no primeiro parágrafo. Sua narrativa funcionou perfeitamente bem para mim, conseguindo me envolver desde o início com seu romance e intensidade. Não foi nem um pouco difícil aceitar o romance entre Mel e Thiago e torcer por eles.
Conforme a leitura prosseguia, entretanto, alguns pontos foram se destacando para mim, por mais entretida que eu estivesse com a leitura. A primeira delas é que o ambiente geral da história me soou um pouco artificial, achei muitas características da vida dos protagonistas destoantes da realidade, mesmo com um padrão de vida elevado de ambos.
O seguinte ponto que me incomodou foi, a meu ver, a inversão de alguns valores. A família de Mel segue o padrão arcaico e paternalista, no qual seu pai é o chefe de família, rigoroso e autoritário, enquanto sua mãe é submissa e cumpre seu papel de esposa. A partir dessas características, o pai de Mel é posto como o vilão da história por se opor ao namoro da filha com o sobrinho, enquanto a mãe de um dos amigos do casal adolescente é colocada no papel de “fada madrinha” por ajudá-los, sendo admirada por todos. Porém, em determinado momento, menciona-se que essa personagem permite a liberação de álcool em festas adolescentes, com a presença de menores de idade. Não quero ser a moralista aqui, até porque seria uma mentira dizer que menores de idade não consomem bebidas alcoólicas, mas não acredito que esse deva ser um hábito incentivado e nem muito menos valorizado, ainda que indiretamente. Não há uma glorificação desse ato em si na história, mas há sua menção e, como a personagem é a querida por todos, indiretamente ocorre essa inversão dos valores: aquela que é liberal é a personagem boa, enquanto o conservador é o vilão.
Ainda, até certo ponto do enredo, não consegui enxergar a oposição do pai de Mel como algo tão grave assim. Acredito que, em muitas famílias, o relacionamento entre primos não seja tão abertamente aceito ou que, pelo menos, demande um tempo para isso. A forma como Mel, Thiago e todos os outros amigos enxergavam essa oposição como um absurdo me parecia mais absurda do que a própria oposição. Novamente, não é o relacionamento em si, eu torcia por ambos, mas ver resistência das famílias, para mim, era aceitável – o que não significa que deva haver uma oposição nesses casos. Assim, senti falta, até metade do enredo, de algo que me fizesse enxergar, verdadeiramente, todas as grandes dificuldades passadas pelo casal, ainda mais porque eles me pareciam muito bem sucedidos em encontrarem maneiras de se relacionarem.
Devo ressaltar que o livro foi, originalmente, escrito sob a forma de fanfic. Dessa maneira, acredito que, nesse formato, O Que Há Por Trás cumpre muito bem seu papel; eu certamente teria ficado extremamente ansiosa aguardando por cada capítulo e satisfeitíssima com a resolução de tudo. Como livro, acredito que alguns pontos poderiam ter sido revistos e aprofundados, para tornar a história e o cenário mais bem desenvolvidos.
                Apesar desses pontos, eu realmente gostei e me entretive com a leitura. É inegável a vocação de Babi como autora e tenho certeza de que, seguindo esse caminho, ela encontrará sucesso. Afinal, não precisou de muito para me fazer querer descobrir o que havia por entre as páginas de seu livro.




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15 Respostas para "[Resenha] O Que Há Por Trás – Babi Lorentz"

Marcelo Lima - 02, Janeiro 2013 às (15:13)

hm gostei do tema ! e sua resenha está tão bem escrita mi! entrou na lista de livros que um dia terei que ler 🙂

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✿Nessa✿ - 02, Janeiro 2013 às (15:17)

Oi Mi*
A sinopse me chama atenção, é um tema que eu ainda não tive contato.
Gostei da sua resenha e até me interessei, mas no momento minha lista de leitura está enorme, quem sabe um dia eu o leia!

Bjinhs*

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Babi Lorentz - 02, Janeiro 2013 às (15:20)

Caramba, acredita que eu nunca tinha parado pra pensar no papel de vilão/fada madrinha que você comentou na resenha? Fiquei aqui pensando e pensando e percebi que este é mais um ponto que deve ser melhorado na próxima edição do livro.
Obrigada pelas palavras lindas de incentivo.
Beijos.

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Gabi Rodriguez - 02, Janeiro 2013 às (15:28)

hey Aione,

achei bem interessante e um dia lerei o livro da babi, mas fiquei curiosa quanto a uma coisa. Seria fanfic de que esse livro?

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Dany - 02, Janeiro 2013 às (15:42)

Não conhecia o livro mais gostei muito da história.
Adorei a resenha, confesso que ficaraia com um pé atrás com esse namoro, namorar parente e meio estranho não? rsrs
Mais creio que a leitura dele deva ser muito boa. Gostei.
Bjos….

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Lili - 02, Janeiro 2013 às (16:38)

Mi, fiquei muito curiosa para ler. Mesmo porque tenho primos casados. E a aceitação familiar foi mais fácil do que acreditei (ou então se mostrou fácil, embora eu suspeite que sempre haja comentários).

Esse segundo ponto me deixou aflita para saber como eu encararia um ponto ‘quase polêmico’. Gosto de refletir sobre isso, ainda mais cercada de adolescentes.
Não sei se sou contrária ao estímulo. Sou contrária ao fato de estimular ‘ao ficar bêbado’. Acho isso feio em adultos e ainda mais nos jovens. Embora eu lembre sempre de tomar suco de vinho com meu avô e de na adolescência tomar bebidas alcoolicas com pais de amigos meus e meus pais, sem jamais ter uma recriminação ou segredo.
É claro, com cuidado e consciência (e sim, ainda assim passei por uma situação horrível devido a bebida que me fez ser ainda mais controlada).

Desse modo, imagina minha curiosidade!!!

Beijos e feliz 2013!

liliescreve.blogspot.com

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Mari ♥ - 02, Janeiro 2013 às (18:54)

Oi Mi,
Conhecia esse livro de vista somente, mas nunca tinha parado pra ler algo a respeito.
Realmente casal de primos, é complicado em algumas famílias já outras nem ligam para esse ponto.
Gostei da sua resenha, porém não fiquei com aquela vontade de ler o livro.
Mas amei sua resenha.
Beijos
http://marifriend.blogspot.com.br/

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Lygia Netto - 03, Janeiro 2013 às (00:14)

Interessante, Mi, pq ainda não tinha lido uma opinião do livro da Babi, mesmo “conhecendo-a” do mundo blogueiro.

Nem é questão de moralismo, está certissimo o que vc citou sobre o papel do personagem e o alcool. Bom que a Babi ali em cima já comentou que talvez possa trabalhar isso numa próxima edição! 😉

Beijos!

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Camila - 03, Janeiro 2013 às (00:21)

Oi Mi,
Eu não conhecia o livro, mas não me animei com a sinopse. Ainda mais depois do que você comentou sobre a inversão de valores. Eu sou do tipo de pessoa careta e não acho certas coisa legais, ainda mais para serem colocadas em um livro! Mas enfim…
Desejo muito sucesso à autora!
Beijos
Camis – Leitora Compulsiva

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Planet Pink - 03, Janeiro 2013 às (02:39)

Oi Mi!
É bacana ter tantos novos autores hoje em dia, ainda mais por ser blogueira.
Mas a sinopse do livro não me chamou atenção em nada. Quem sabe num próximo livro.

Beijocas e parabéns pela sinceridade de sempre.

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Preto no Branco - 03, Janeiro 2013 às (03:05)

Oii Aione!!
Entendi perfeitamente o seu ponto de vista, não li o livro e talvez não tivesse essa mesma percepção de inversão de valores que você teve, mas com você falando, entendo que não deveria ser bem assim. Concordo que a relação de sobrinhos namorando não deva ser totalmente agravável, rs, então acharia mesmo normal uma oposição dos pais com relação a esse namoro. Como você mesma falou, as pessoas acharem a oposição um absurdo, era mais absurdo do que a própria. Adorei o comentário da Babi, aceitando as críticas construtivas para melhorar, todos deveriam ser assim!!
Nunca li esse livro, mas fiquei curiosa, quem sabe um dia, rs.
Beijoo!

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JennyCullen - 03, Janeiro 2013 às (16:02)

Já tinha ouvido falar desse livro, e fiquei curiosa para ler pela capa e título, que achei bem interessantes. Mas nunca tinha parado para ver do que se tratava.

Concordo com você; a atitude do pai da Mel não é toda errada, afinal, eu não iria gostar muito de minha filha namorando meu sobrinho. Mas como fã de romances impossíveis, acho que também torceria para o romance da Mel e do Thiago dar certo.
É um tema bem complicado, o romance entre primos, e fiquei com vontade de ler e ver no que se dá.

Adorei a resenha Mi,vou procurar mais sobre o livro, com certeza 🙂

Beijooss,
Jennifer♥

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Alinne - 04, Janeiro 2013 às (00:56)

Oi Mi.
Já li esse livro e também gostei. Mas assim como você notei essa inversão de valores e isso me desagradou um pouco. Porém posso dizer que o livro foi agradável e que me fez me envolver com a história.
Beijos e um ótimo 2013 para você.

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Ceile - 06, Janeiro 2013 às (00:01)

Oi, Mi!

Eu fiquei curiosa pra ler este livro depois de ler Todas as Estrelas do Céu – estava ávida por assuntos familiares hahaha.

Eu gostei bastante do livro, gosto destas tramas amores impossíveis, sabe? Também acho que precisa amadurecer muita coisa, mas acho que vai melhorar muito na próxima edição 😉

Beijos!

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Fanzine Episódio Cultural - 29, Janeiro 2013 às (00:13)

“Numa estrada erma
Encontra-se um velho atalho
Cujos calos se escondem
Sob a poeira que o vento deixou.”

(Agamenon Troyan)

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