[Resenha] A Ideia - Lucas Chagas | Minha Vida Literária
21

jan
2013

[Resenha] A Ideia – Lucas Chagas

Título: A Ideia
Autor: Lucas Chagas
Editora: Novo Século
Número de Páginas: 424
Ano de Publicação: 2012
Skoob: Adicione
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Um homem, no limite do sofrimento, decide compartilhar sua jornada e escreve a mais sincera declaração de amor. Dessa forma, ele leva até você, leitor, a trajetória vívida de uma paixão que, sem imaginar, mudaria sua forma de ver a vida. Beatrice Dumont, 23 anos, estava habituada à mesmice da sua vida, mas percebe, durante uma noite de forte chuva, que aproveitava pouco sua juventude. E tudo parece piorar quando ela se apaixona por Benjamim. Porém, ela nem imagina o que a espera… Sem achar uma luz no fim do túnel, sente a necessidade de dar um passo em direção à mudança de vida. Mas o que ela parecia ter esquecido é que a felicidade, muitas vezes, pode trazer consigo perdas irreparáveis, principalmente quando os laços afetivos com as pessoas que amamos são muito fortes. A Ideia não é uma história de um amor perfeito, no qual o universo conspira a favor. É uma história de luta pelo amor, quando tudo parece estar contra. Fala da vida em sua brevidade, sem deixar de lado os instantes que fazem dela algo eterno. 

Quando conheci A Ideia fiquei bastante curiosa pela leitura. É raro acontecer de eu ler a sinopse de algum livro; porém, quando não tenho por parâmetro outras resenhas, preciso lê-las e a desse livro me pareceu muito promissora. Uma história sobre a luta pelo amor, envolvendo diversas dificuldades só poderia ser atrativa para a romântica de plantão que vos escreve.
Não há como negar: Lucas Chagas tem talento para a escrita. Sua elaborada narrativa chamou minha atenção desde o início, mesclando interações diretas com o leitor, frases reflexivas e um vocabulário primoroso. Percebe-se tanto pela escrita do autor quanto pelo conteúdo das reflexões, além das diversas citações, que Lucas se preocupou em criar um enredo mais profundo e denso. Fiquei em choque logo no prefácio: já sabemos com a história vai terminar e isso aumentou ainda mais minha expectativa. Minha experiência com a leitura, contudo, não foi das melhores e infelizmente não me permitiu esse aprofundamento.
Fiquei em dúvida se faria essa resenha porque tenho consciência de que perdi muito da história. Não consegui me conectar a ela, por motivos a serem discutidos abaixo, e, dessa forma, não consegui me prender ao livro, fazendo uma leitura superficial e sem concentração. Lia páginas, muitas vezes e, quando dava por mim, não havia absorvido nada delas. Dessa maneira, será complicado falar de uma história que não tive 100% de acompanhamento, acredito que perdi detalhes importantes para sua compreensão. Ainda assim, posso falar dos motivos que impediram meu envolvimento.
Acredito que a principal razão para o livro não ter me agradado foi a protagonista. Beatrice me pareceu controversa em demasia. Há uma forte melancolia presente em sua personalidade e que, diversas vezes, me pareceu infundada. A protagonista divaga sobre a dureza da vida e suas infelicidades, mas, sinceramente, não enxerguei tais sofrimentos. Sim, ela perdeu seus pais quando criança e isso é um sofrimento o qual não desejo a ninguém e que acredito ser suficiente para causar impacto na vida de qualquer um. Porém, esse próprio fato foi pouquíssimo explorado e aprofundado, então foi difícil, para mim, estabelecer a ligação entre ele e o estado de espírito de Beatrice. Ainda, eu muito mais enxergava a protagonista em uma situação de comodismo, infeliz com sua vida, mas sem buscar mudá-la, do que vítima das situações.
Também, devo dizer que algumas de suas atitudes, aliadas a essa melancolia, me fizeram imaginar uma garota tímida, introspectiva. Contudo, outras de suas atitudes e principalmente falas revelavam o oposto – eu simplesmente não consegui definir uma personalidade para ela, principalmente porque, quando descrita por seus amigos e até por ela mesma em outros momentos, Beatrice é colocada como uma pessoa forte e sábia, o que eu, sem dúvidas, não enxerguei.
Excluindo-se o seu passado – pouco abordado -, o único problema em seu presente é sua conturbada relação com sua tia, sendo que também essa relação não foi muito explorada. Beatrice é inteligente, frequenta a faculdade, tem vários amigos e pretendentes, mas nada preenche o vazio de sua vida, até conhecer Benjamin. Uma das coisas que mais costuma me agradar em um livro – essa exploração introspectiva e reflexiva – acabou sendo um dos pontos que mais me desagradou em A Ideia, simplesmente porque elas me pareciam infundadas.
O próprio enredo não se mostrou como eu imaginava pelo descrito na sinopse. Estava a espera de grandes conflitos, reviravoltas, dúvidas e encontrei uma história linear, sem obstáculos, a não ser as dúvidas iniciais. Vez ou outra havia a inserção de alguma reflexão – as quais não consegui conectar ao enredo – ou então alguma discussão, como ocorre em qualquer relacionamento, mas nada que fizesse dele difícil ou dependente de grandes lutas. É sim belo ver a transformação de Beatrice ao conhecer o amor, mas a sinopse promete uma história forte, impactante e não foi isso o que senti, não vi nada além de um relacionamento comum. Um final cheio de impacto não pode falar pelo restante do desenvolvimento.
Novamente, acho importante salientar que perdi detalhes do livro por não ter conseguido me envolver e, por isso, eu certamente não o compreendi. O próprio título me parece vago e confesso não ter entendido seu significado. Talvez a falha tenha estado em mim, como leitora, mas acredito que seja válido para o autor repensar alguns pontos, principalmente os que envolvem a construção da protagonista e a sinopse, uma das maiores causas de minha decepção.
Não digo que não indico o livro porque, embora ele não tenha funcionado para mim, ele pode funcionar para outros leitores – ainda mais por apresentar uma ótima média de avaliações no Skoob. Indico, inclusive, a leitura das outras resenhas lá cadastradas para que não levem em conta apenas a minha opinião. Fiquei mais decepcionada por não ter gostado do livro do que desgostei dele em si. Acredito no potencial do autor; como disse no início da resenha, é notável a qualidade de sua escrita. Só acho que talvez, no intuito de não fazer uma história qualquer, mas sim um livro com visível profundidade, algumas pontas tenham sido deixadas soltas.




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14 Respostas para "[Resenha] A Ideia – Lucas Chagas"

Rafael Fernandes - 21, janeiro 2013 às (17:23)

Esses detalhes que tu perdeu me deixou com um pé atrás, eu também me encantei pela sinopse assim como você, mas depois que vi a resenha… decepção, nem quero chegar perto do livro, resenha concisa e sincera, parabéns Mih.

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Lili - 21, janeiro 2013 às (18:29)

Ai Mi, não gosto quando isso acontece. Confesso que não te darei parâmetros porque ele não conseguiu me cativar e criar aquele vínculo que me motiva ler um livro.

Uma pena mesma que não tenhas te cativado com uma escrita que, segundo descreveste, parecia rica e com detalhes.

liliescreve.blogspot.com

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Julia G - 21, janeiro 2013 às (21:05)

Oi Mi, uma pena quando essa conexão não acontece. Acabei de ler um livro o qual adorei, mas também não me senti conectada; o meu problema, contudo, foi quanto à minha vida pessoal, e nada com a história nem nada assim.
Li a sinopse do livro e também tive a impressão de ser algo promissor; quem sabe num outro momento eu leia.

Beijos

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Amiga da Leitora - Thais - 21, janeiro 2013 às (21:20)

O que me chamou muito a atenção neste livro também foi a sinopse, já que assim como vc, sou uma romântica incurável! rsrs …
Acho que o fato de vc não ter conseguido se concentrar logo no começo, deixando passar alguns detalhes, pode ter influenciado a essa não conexão. Quem sabe né?! Eu vou ler o livro em breve e estou ajudando o autor a organizar o Booktour, então vou aproveitar para deixar o link aqui para aqueles que se interessar (http://amigadaleitora.blogspot.com.br/2013/01/book-tour-ideia-inscricoes-abertas.html)

xoxo

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Kéziah Raiol - 21, janeiro 2013 às (21:51)

Oi Mi, tudo bom? Eu já tinha lido a sinopse desse livro e também fiquei bem curiosa com o livro, mas não tinha lido uma resenha sobre ele, e foi muito bom ler a sua, pois ela esclareceu todas as minhas duvidas, provavelmente não vai ser um livro que vai me agradar muito, eu já não gostei dessa Beatrice hahaha’
Mas claro, vai de cada um né?

Beijocas!

Ah e cm relação ao livro , a resenha que você comentou lá no blog, ele é sobrenatural, então nem vais poder usar no “Parece, mas não é” hahaha 🙁 Eu não citei, pq fica mais interessante se as pessoas descobrirem isso no decorrer da leitura, já que a sinopse acaba com todo encanto.

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Marco Antonio - 21, janeiro 2013 às (22:22)

Boa noite Aione,

Não conhecia o livro e nem o autor, mas confesso que não me despertou muita curiosidade…parabéns pela resenha…abçs.

http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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Mari ♥ - 22, janeiro 2013 às (02:29)

Oi Mi,
Essa é a segunda resenha que leio, que teve a mesma sensação de algo faltando.
Como vocÇe fiquei bem curiosa depois que li a sinopse, mas talvez eu também não vou curtir muito.
Dessa vez passo o livro adiante rs.
Gostei do jeito que você escreveu sua resenha, mesmo sem ter se conectado com o livro, mas soube explica o motivo.
Parabéns.
Beijos

Mari – Stories And Advice

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Sara Felippi - 22, janeiro 2013 às (03:08)

Adorei a resenha!!!!
Ah…e te dei um selinho com um blog maravilhoso,pois eu gosto bastante dele!
http://estantedeletrinhas.blogspot.com.br/2013/01/off-selinhos-que-ganhei.html

beijos
Sara

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Ana Ferreira - 22, janeiro 2013 às (04:18)

Mi, a leitura do livro acaba se tornando enfadonha quando perdemos a nossa concentração naquilo que ele expressa.
Uma pena que você tenha ido com tanta sede ao pote e, ao final, se decepcionado. Isso acontece numa frequência maior que a desejada entre leitores assíduos. hahaha Já não tenho essa mesma reticência que você a ler sinopses. Até gosto, para comparar com a temática do livro.
Agora, sobre a protagonista não ter te cativado, garanto que isso pode ter comprometido bastante a leitura. Uma pena :/
Ótima resenha, como sempre.
Beijo!

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✿Nessa✿ - 22, janeiro 2013 às (10:37)

Oi Mi*
Essa é a segunda resenha que leio deste livro.
Olha, eu não entendo o titulo e a capa, que estranho.
Não tenho vontade de ler este livro, parece tão confuso.

Bjinhs*
http://diariodeincentivoaleitura.blogspot.com.br/

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Érica Lopes - 22, janeiro 2013 às (13:24)

Oi, flor!
Não conhecia o autor e nem o livro. Não curtir a capa 🙁 e ele não despertou minha curiosidade…
Beijos

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Bárbara Lorentz - 22, janeiro 2013 às (13:51)

Ei, Mi. Queria muito ler sua resenha pois li uma que falava quase a mesma coisa que você. Fiquei querendo saber se era mesmo isso e pensar novamente sobre ler ou não. e decidi por não ler, já que levo MUITO em consideração a sua opinião como leitora/blogueira.
Beijos.

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Alinne - 22, janeiro 2013 às (18:08)

Oi Mi.
Esse livro não me chama a atenção, desde a primeira resenha que li não senti curiosidade, então este eu passo.
Beijos.

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Alexandre Koenig de Freitas - 23, janeiro 2013 às (15:55)

Oi Mi,
Tbm acho mto ruim quando as sinopses transmitem uma falsa impressão sobre o livro. É muito frustrante.
Recentemente, tive o mesmo problema que vc: não consegui simpatizar com o protagonista, o que é fundamental para qualquer livro.
Me parece que um dos problemas do selo Novos Talentos da Literatura é a ausência de um trabalho de edição. O livro é publicado ainda “cru”, sem uma lapidação.
Abraço,
Alê
Além da Contracapa

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