[Livros na Telona] Entrevista Com o Vampiro - Anne Rice | Minha Vida Literária
06

mar
2013

[Livros na Telona] Entrevista Com o Vampiro – Anne Rice

Livros Na Telona é uma coluna na qual analiso filmes que foram baseados em livros!

Sobre o Livro

Título: Entrevista Com o Vampiro
Autor: Anne Rice
Editora: Rocco
Número de Páginas: 336
Ano de Publicação: 1996
Skoob: Adicione
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Entrevista Com O Vampiro conta a história do vampiro Louis durante uma entrevista feita para um jovem. Mais do que os fatos de sua vida após a transformação em vampiro, Louis revela, acima de tudo, seus anseios mais íntimos.
Confesso que não consegui me envolver com a história durante toda a leitura. Talvez, a própria temática tenha sido um empecilho para mim, já que tenho um histórico de não envolvimento com livros sobrenaturais. Contudo, arrisco a dizer que parte do meu não envolvimento se deu, nesse caso, por conta da narrativa de Anne Rice.
Sua escrita é direta, fato perceptível desde as primeiras páginas, e, ao mesmo tempo, beira o poético em diversos momentos, tendo um ar introspectivo que combinou muito bem com a tradução de Clarice Lispector. Estou longe de dizer que não gostei da narrativa da autora ou que não a achei boa, mas, para mim, ela não funcionou porque não se fez fluida durante minha leitura. Acredito que o principal motivo para isso se deu por conta da mistura entre as visões da primeira com a terceira pessoa.
Inicialmente, o livro é narrado em terceira pessoa. Entretanto, quando Louis começa a contar sua história, ele o faz por meio de, praticamente, um monólogo, o que faz a narrativa ser majoritariamente em primeira pessoa. Porém, não há uma separação dos tipos de narrativas, e as falas de Louis contando sua história são pontuadas por travessões, já que essas falas fazem parte de sua conversa com o entrevistador. Porém, esses travessões se mesclam com os diálogos que fazem parte da história narrada pelo vampiro. Assim, muitas vezes eu ficava confusa, porque precisava diferenciar os travessões.
Para exemplificar, deixo o quote abaixo, no qual fica visível a narrativa em terceira pessoa, o diálogo entre Louis e o entrevistador, um diálogo entre Louis e Lestat (diálogo interno à história contada por Louis), e a narrativa de Louis em primeira pessoa – que nada mais é do que sua fala ao entrevistador.
“O vampiro parecia apreciar a fumaça se espalhando em volta do lustre.
– Ah…Voltamos rapidamente a Nova Orleans – disse -. Lestat mantinha seu caixão num quarto miserável, perto das muralhas.
– E você entrou no caixão?
– Não tinha escolha. Implorei a Lestat que me deixasse ficar no banheiro, mas ele riu, espantado.
– Não sabe o que você é? – perguntou.
– Mas é mágico? Precisa ter esta forma? – implorei.
– Tudo o que consegui foi ouvir sua risada de novo. Não conseguia suportar a ideia; mas, como vimos, notei que não sentia um medo real. Era uma estranha descoberta (…).” 
página 30
Sendo assim, por não ter conseguido me envolver, minha leitura foi superficial e, acredito, perdi muito da história e de seu aproveitamento por conta disso. Ainda assim, não pude deixar de admirar o fato de Anne Rice ter escrito com tanta sensibilidade sobre um vampiro em uma busca principalmente interior, e sobre a transformação do homem em sua versão obscura. Louis, mesmo após sua morte humana, preservou muitos de seus sentimentos e de seu caráter, sobretudo, e esse seu lado vive em conflito direto com sua realidade vampira. Sem dúvida, foi esse o aspecto da obra que mais chamou minha atenção e, em minha opinião, fez dela um clássico do gênero sobrenatural, publicado em 1976, reconhecido até os dias de hoje.
É importante dizer que, embora haja cenas dignas de uma história de terror, não é esse o clima predominante da história, que, tamanho seu sucesso na época, deu origem à continuação O Vampiro Lestat, também publicado no Brasil pela Editora Rocco. Os dois livros fazem parte da série As Crônicas Vampirescas, que conta com dez títulos.
Sobre o Filme
Com poucas alterações na adaptação, o filme Entrevista Com O Vampiro se fez fiel principalmente por manter a essência da obra de Anne Rice.
Sendo justa, o filme é bastante fiel, pouquíssimos fatos da história foram alterados e, no caso dos que foram modificados, não eram relevantes na história de um modo geral. Inclusive, a cena final foi diferente no filme, e arrisco em dizer que preferi a modificada àquela criada pela autora. De qualquer forma, o que realmente importa é que a essência da história de Louis está inteira no filme, bem como sua sensibilidade e suas falas poéticas.
Devo dizer, também, que o horror que não senti durante a leitura me pegou nas cenas do filme. Não que eu tenha me sentido amedrontada com alguma cena, mas certamente me senti incomodada com diversas pelo asco que elas me causavam.
Enquanto fazia a leitura, imaginei que Louis fosse interpretado por Tom Cruise e Lestat por Brad Pitt – sabia que os atores estavam no elenco, mas não sabia quem era quem -, já que o segundo me parecia ter mais da malícia de Lestat. Contudo, mesmo que eu tivesse invertido os papéis em minhas suposições, fiquei impressionada em como os atores estiveram perfeitos em suas atuações, em como transmitiram com exatidão a essência de cada um de seus personagens.
E o que falar de Kirsten Dunst?  Não me restaram dúvidas do porquê de ter sido esse o papel que alavancou sua carreira. Apesar de sua pouca idade na época, sustentou um papel de grande responsabilidade na história e de uma personagem complexa. A vampira Cláudia é inocente e infantil apenas na aparência. Com o passar dos anos, apesar de manter sua imagem infantil, a personagem cresce interiormente, tornando-se uma adulta em um corpo de criança, e Kirsten não desapontou nesse quesito. E, venhamos e convenhamos, quem tem a sorte de atuar tão próxima de Brad Pitt aos 11 anos de idade?
Apesar de não ter me sentido conectada com o filme em todos os momentos – o que me faz crer que minha dificuldade com a leitura se deu principalmente por conta de sua temática -, gostei dele pelo mesmo motivo que apreciei o livro: a sensibilidade do personagem Louis e seu eterno conflito entre quem ele se tornou e entre o quê ele gostaria de ser.
Aos fãs de sobrenaturais, a leitura é obrigatória, e o filme, em minha opinião, não deixou nada a desejar.
Confira o trailer do filme!

 





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26 Respostas para "[Livros na Telona] Entrevista Com o Vampiro – Anne Rice"

Lygia Netto - 06, março 2013 às (16:35)

Aiaiai…esse filme juntou o que se tem de melhor: Pitt, Cruise e Banderas! Só por aí não tem como não amar! xD

Sim, já imaginei que vc falaria da falta de não conectividade com a história. Sobrenatural não é seu foco, mas imaginei que iria curtir mais pq tem a pegada “filosófica” do nosso protagonista. A narrativa poética de Anne é impecável nesse livro, o que me fez crer que ela deve ter fumado alguma coisa qnd escreveu a trilogia erótica da Bela Adormecida. Mesmo para a temática a história é tão sem pé-nem-cabeça, que é realmente difícil acreditar que seja escrita pela mesma pessoa, rsrs.

Beijos!!!

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Lú Miranda - 06, março 2013 às (16:49)

Poxa, todos dizem que a autora tem uma narrativa boa e vc não gostou. Isso instiga mais ainda os livros dela para eu ler. Sim, eu concordo com vc quando cita a questão de vc não ter muito envolvimento por livros sobrenaturais, talvez isso possa ter colocado em questão a sua avaliação do livro. Não curto muuito vampiros, mas tenho interesse pela autora.

Beijos Mi!
clicadolivros.blogspot.com.br

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Aione Simões 06 mar 2013

Oi Lu!
Não é que não gostei da narrativa, é que eu a achei confusa e acredito que isso tenha prejudicado meu envolvimento. Também, o fato de eu não ter conseguido me envolver não prejudicou minha avaliação do livro em si, achei fantástica a sensibilidade da Anne Rice ao escrever a história, e gostei do caráter reflexivo dela.
Se puder, leia, o livro é sim muito bom, mas não é meu estilo favorito de leitura por conta da temática. São poucos os que conseguem realmente me agradar!
Beijão!

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MsBrown - 06, março 2013 às (17:03)

Oi, Aione. Eu já tinha assistido ao filme. É realmente incrível as atuações. Mas nunca tive vontade de ler o livro, apesar de ser um clássico.

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Pah - 06, março 2013 às (18:00)

oi, tecnicamente falando, são 15 livros, isso pq os 2 ultimos da série se misturam com a serie AS Bruxas Mayfair, e alguns pontos desses 2 livros são explicados na outra serie… dá pra ler sem, mas faz mais sentido se ler as proxas mayfair

bjos

Ah, fica nessa ordem: começo bit.ly/WHWT1i e fim bit.ly/10afjbR

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Aione Simões 06 mar 2013

Oi Pah!
Não sabia que os livros se misturavam, obrigada pela informação!
Beijão!

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Aline T.K.M. - 06, março 2013 às (19:31)

Preciso rever esse filme! Nossa, tem muitos anos que o vi, e vi meio “nas coxas”, não vi inteiriiinho. E, apesar de adorar a escrita da Anne Rice, ainda não li o livro. Mas li O Vampiro Lestat e me apaixonei! Também li Cântico de Sangue, que também faz parte das Crônicas Vampirescas, mas ainda quero ler os demais livros e na ordem certinha.

Bj
Livro Lab

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cristiane - 06, março 2013 às (20:09)

Nunca nem vi esse filme e se vi não foi todo. E nem sabia que era livro até pouco tempo atrás! Gostaria de ler livros dessa autora e quando vi que esse era dele eu meio que pensei “então, tá aí um livro bom dela pra começar” , mas ainda não peguei pra ler. Espero um dia conseguir, porque vale a pena mesmo. É muito bom pelo visto.

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Érica Lopes - 06, março 2013 às (20:39)

Oi, Mi!
Putz é péssimo quando não nos envolvemos com a história né?
Eu fico super frustada com isso, a sensação que dá é que eu não li o livro!
Bom, o filme é ótimo!

Beijos

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Ana Paula Barreto - 06, março 2013 às (23:14)

Eu não gostei muito do filme, apesar dos atores (*-*). E nem sabia que era adaptação de um livro. Assim como você, tenho resistência ao “sobrenatural” nas obras literárias. Já li algumas e gostei de poucas.
bjs

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Laura Zardo - 06, março 2013 às (23:48)

Não conhecia o livro e nem o filme.
Eu ando cansada do gênero sobrenatural, então não fiquei interessada no livro/filme e não gosto de coisas confusas, principalmente leituras.
Ainda não li nada da autora, mas não posso dizer que me interesso em ler e saber que a escrita dela é confusa não me agradou.

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Kelry Caroline - 06, março 2013 às (23:55)

Gostei das novidades (:

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Sofia - 07, março 2013 às (00:08)

Entendi o que você quis dizer, gostou da narrativa mas não se tornou fluida, sei como é. Me surpreendi com o elenco tão bom do filme, não conhecia.

Beijão!

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Ivi Campos - 07, março 2013 às (11:34)

Oi Linda, tem Tag pra ti no blog: http://www.meuamorpeloslivros.blogspot.com.br/p/selos-e-tags.html
bj

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Michelle Boyd - 07, março 2013 às (11:54)

Eu sempre achei confusa essa coisa da autora com essa mistura de livros e esse em si, eu comecei a ler e não gostei, e depois de muito tempo eu resolvi ver o filme, dai eu me senti melhor, mas nada muito além disse, o que realmente me chama atenção é a atuação dos atores, porque pra mim, infelizmente, achei muito parado, deu até sono =/

Michelle Boyd
The Little Things

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Julia G - 07, março 2013 às (12:08)

Oi Mi, eu não tenho problema nenhum com sobrenaturais, adoro, mas esses livros da Anne Rice não me animam, não sei por quê. Talvez seja porque eles se encaixam mais no gênero de terror, sou meio medrosa ;~
Mas parece ser uma história intensa, ainda que não tenha havido identificação.

Beijinhos

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✿Nessa✿ - 07, março 2013 às (13:19)

Oi Mi*
Eu ainda não li nada desta autora.
Mas fiquei de boca quando vi o seu post, pq não sabia que tinha o livro deste filme.
Como te disse antes minha mãe amaaa este filme, que legal!
Vou procurar para dar uma olhada!

Bjinhs*

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Manu Hitz - 07, março 2013 às (13:43)

Não li o livro, só tomei conhecimento da obra anos depois de ver o filme. Lembro de ficar um tanto chocada com a criatividade do roteiro e da profundidade e crueza com que certos assuntos são tratados.
Tb não sou seduzida por temas sobrenaturais, vampiros e tal, mas admito: esses vampirinhos modernos e românticos não se comparam aos vampirões de antes, como nesse filme… aterrorizantes!

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Vanessa - 07, março 2013 às (15:43)

Olá.
Adorei o post. Ainda não li os livros e nem assisti ao filme. Acho que não iria gostar muito da narrativa da Anne Rice, apesar de adoro todo esse lance sobrenatural e vampiros. Enfim, ainda tentarei ler algum livro dela.

Beijos, Vanessa.
This Adorable Thing

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Gladys Sena - 08, março 2013 às (02:39)

Vi o filme e não sabia que era baseado em um livro.
Particularmente não curto essa temática sobrenatural.
São dez títulos? Uau, eu nem imaginava isso…

Responder

Eduarda Menezes - 08, março 2013 às (16:45)

Adorei a sua análise, Mi.
No meu caso, curto muito os sobrenaturais e adorei o livro como um todo. Também adorei essa pegada filosófica do Louis, sua constante crise existencial, seu relacionamento tortuoso com Lestat e a sua conexão com a Cláudia.
Ah e morri de rir aqui porque pensei O MESMO que você. Eu troquei as bolas, achava que Louis era Tom, e Lestat era Brad kkkkkkkkk Só que eu descobri o meu erro no MEIO do livro, então deu um nó na minha cabeça porque eu ficava querendo imaginar os dois diferentes. De qualquer forma gostei muito de cada um em seu papel, ficaram perfeitos nas caracterizações.
Beijão!

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Elaine André - 10, março 2013 às (16:11)

Poxa… Esse não é o tipo de livro que eu leria, fiquei um tanto que assustada com o filme, fico imaginando meus sentimentos ao ler o livro.
E por incrível que pareça, os únicos livros de vampiros que tenho são da saga crepúsculo.
Essa temática sobrenatural não me chama atenção… Talvez um dia isso mude, mas por enquanto, me contento em ler apenas as resenhas rsrs.

Beijos.

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Amanda.. - 10, março 2013 às (16:42)

pensa pelo lado bom..
o filme foi bastante fiel ao livro..
não li e não tenho certeza se já assisti..

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Thielen Costa - 16, março 2013 às (05:10)

Eu nunca assisti ao filme, por não ser fã de vampiros, mas sempre ouvi vários comentário de que o filme é bom e que vale a pena assistir. Confesso que ainda não assisti por preguiça hahaha

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Lili - 22, março 2013 às (18:48)

Atrasadíssima venho hoje ler e comentar.
COMO ASSIM VOCÊ NUNCA TINHA VISTO ESSE FILME???????????????????????

Sério, Mi. Vais precisar voltar a ganhar pontos comigo depois que você considerou que Louis seria Tom Cruise heheheh
Eu adoro esse filme, adoro de paixão desde criança. Porque a história era original e controversa, e eu também me emocionava horrores com a pequena vampira que jamais envelhecia.

Inclusive quando fui assistir o último filme do Crepúsculo, minha magia que estava comigo e não tinha lido os livros brigou comigo no cinema quando eu me virei pra falar com ela (e ela achou que eu tava tentando explicar a cena). Eu me confundi e me lembrei da cena deste filme, quando ela mata a mulher por ‘inveja’.

Eu não me interesso tanto por Anne Rice, mas eu gostaria de ler o livro apenas por adorar o filme (fico em dúvida apenas pelos pontos que levantaste e pelo quote que me fizeram crer numa leitura um pouco confusa).

E, lembre-se, você agora precisa me surpreender e ganhar pontos comigo hahaha

liliescreve.blogspot.com

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Jessica Lisboa - 31, março 2013 às (13:30)

Nem sabia que tinha filme, sabia que existia o livro pois na livraria da minha cidade tem, mas filme, no. Eu ia compra-lo só que meu amigo falou que a narrativa que o livro tem é muiito lenta.

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