[Resenha] 12 Anos de Escravidão – Solomon Northup

Postado por Aione Simões em 27/02/2014 - Arquivado em Resenha

Título: 12 Anos de Escravidão
Autor: Solomon Northup
Editora: Seoman
Número de Páginas: 232
Ano de Publicação: 2014
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Filme vencedor do 71º Globo de Ouro e indicado para o Oscar 2014 em 09 categorias, é adaptação do livro publicado este trimestre pela Seoman. 12 Anos de Escravidão é um livro de memórias angustiantes sobre um dos períodos mais sombrios da história norte-americana. Ele relata como Solomon Northup, nascido um homem livre em Nova York, foi atraído para Washington, D.C., em 1841, com a promessa de um emprego, e então drogado, espancado e vendido como escravo. Ele passou os doze anos seguintes de sua vida em cativeiro, trabalhando, na maior parte do tempo, em uma plantação de algodão em Louisiana.
Após seu resgate, Northup escreveu este registro excepcionalmente vívido e detalhado da vida escrava. Tornou-se um sucesso imediato e, hoje, é reconhecido por sua visão incomum e eloquência, como um dos poucos retratos realmente fiéis da escravidão americana, redigido por alguém tão culto quanto Solomon Northup — uma pessoa que viveu sua vida sob a óptica de uma dupla perspectiva: ter sido tanto um homem livre como um escravo.

 
Se eu tivesse que descrever em poucas palavras o livro 12 Anos de Escravidão, diria que, além de ser forte e realista, é uma história que tem a capacidade de emocionar, indignar e nos fazer refletir sobre um período da história em que a escravidão e seu lastro de crueldade eram cotidianamente maximizadas na sociedade.
O livro conta a história real de Solomon Northup, que nasceu como um homem livre, tinha uma família – uma mulher e dois filhos -, era um homem culto que gostava de ler e tocar violino, mas, em uma emboscada, foi sequestrado e mantido por 12 anos como escravo. A narrativa é em primeira pessoa e foi escrita pelo próprio Solomon Northup no ano de 1853. Muito bem escrita, é incrível como consegue prender a atenção do leitor e surpreender a cada novo capítulo. Os únicos instantes em que demorei a sair de um capítulo para o outro se limitaram aos momentos em que Solomon descrevia o modo de cultivar cana-de-açúcar e algodão, já que ele traz os mínimos detalhes desde o cultivo até a colheita. Entretanto, isso não tira a fluidez do enredo, nem tampouco o impacto que ele causa.

“Agucei os ouvidos, tentando captar algum som ou sinal de vida, mas nada rompia o opressivo silêncio – a não ser o tilintar dos elos das correntes que me prendiam, que soava ao menor movimento que eu fizesse. Proferi algumas palavras em voz alta e assustei-me com o som da minha própria voz. Tateei meus bolsos, tanto quanto as correntes permitiam meus movimentos, e, vasculhando-os, dei-me conta de que eu fora despojado da minha liberdade, mas, também, de todo o dinheiro e dos documentos que possuía. Então, começou a forma-se em minha mente a ideia – a principio confusa e vaga – de que eu tivesse sido sequestrado. Contudo, tal pensamento me parecia inacreditável.” 

Pág. 26 
Contrabandeado para a Louisiana, ele passou mais de uma década sendo escravizado e trabalhando incessantemente em diferentes fazendas de plantações de algodão e de cana-de-açúcar. Por meio do relato do seu dia-a-dia na condição de escravo, ele descreve todas as atrocidades cometidas pelos seus “donos”, assim como aos outros escravos que eram mantidos nas fazendas, incluindo mulheres e crianças.

“Cheguei a pensar que morreria sob o açoite daquele amaldiçoado bruto. Ainda agora minha carne estremece sobre os ossos quando me recordo daquela cena. Eu me sentia inflamar, e meu sofrimento não poderia ser comparado a nada menos do que as abrasadoras agonias do Inferno!”. 

Pág. 30
É uma história triste, de sofrimentos e angústias de um homem que, privado de sua liberdade, lutou pela sua sobrevivência dia após dia. Sofrendo de enfermidades, de ameaças à sua vida e de violência física e moral, é um relato muitíssimo bem escrito sobre o que é ser escravo e passar os dias naquela terrível e assombrosa realidade.
De modo geral, considerei um livro incrível e de leitura indispensável para o conhecimento e esclarecimento sobre uma época cheia de contradições e barbaridades. Solomon fez um resgate dos mais profundos sentimentos que permearam sua vida naquele momento. É muito emocionante o resgate histórico que ele fez e a minúcia com que retrata os detalhes mais espantosos de seus dias como escravo. Para quem se interessou, o livro também teve uma adaptação para o cinema, e concorre a 09 indicações para o Oscar. 
 
 

Postado por Aione Simões
25 anos, libriana. É paulistana de nascimento e mogiana por vivência. Leitora apaixonada por romances e chick-lits, também não dispensa um bom thriller, principalmente os policiais. Também conhecida como Mi, precisa de chocolates para viver tanto quanto dos livros.

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3 comentários
Postado em 03/03/2014 as 20:20
Visitante assíduo e já deixou 17207 comentários.

Muito curiosa para ler obrigada pela resenha abçs

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Postado em 05/03/2014 as 18:25
Visitante assíduo e já deixou 17207 comentários.

Quero muito ler Clivia, em especial depois de te visto o filme.
Achei o filme bom, mas achei que o roteiro não explorou tão bem a história. Não me emocionou tanto a questão da crueldade. Quero saber como ficou no livro, se ele conseguia transmitir esse sentimento que eu imagino, mas que não me foi transmitido.
Apenas em algumas cenas.

liliescreve.blogspot.com

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Postado em 07/03/2014 as 15:50
Visitante assíduo e já deixou 17207 comentários.

Oi Clivia eu assisti o filme e me emocionei muito, agora vou conferir o livro e acho que me desmanchar em lágrias, pois o livro sempre é mai completo.
Bjs
Aline Lima
http://alinenerd.blogspot.com.br/

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