[Resenha] Vinte Garotos No Verão - Sarah Ockler | Minha Vida Literária
02

jun
2014

[Resenha] Vinte Garotos No Verão – Sarah Ockler

Título: Vinte Garotos No Verão
Autor: Sarah Ockler
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas:  288
Ano de Publicação: 2014
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Compare e Compre: Buscapé

“Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que vocêaprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas se perguntam quando a obrigação de perguntar terminará (depois de três meses, por sinal. Escrito ou não escrito, é esse o tempo que as pessoas levam para esquecer algo que você jamais esquecerá). As pessoas não querem saber que você jamais comerá bolo de aniversário de novo porque não quer apagar o sabor mágico de cobertura nos lábios beijados por ele. Que você acorda todos os dias se perguntando por que você está viva e ele não. Que na primeira tarde de suas férias de verdade você se senta diante do mar, o rosto quente sob o sol, desejando que ele lhe dê um sinal de que está tudo bem.”

Um verão pode trazer diversas sensações, como o sabor doce de um sorvete ou o salgado do mar, além de, não raramente, um ardido na pele causado por uma queimadura de sol. E, tal como a quente estação, foi assim minha experiência com Vinte Garotos No Verão, esse misto de prazeres e incômodos, alegrias e angústias.

 

“(…) Em dez segundos toda a minha vida girava em torno daquele beijo, daquele desejo, daquele segredo que para sempre dividiria minha vida em duas partes.

Para cima, para baixo. Feliz, triste. Choque, surpresa. O antes e o depois.”

página 11

 

Ao falar sobre as férias de Anna e Frankie, Sarah Ockler poderia ter feito um livro leve e divertido, narrando uma experiência entre amigas. Porém, ao acrescentar a temática da dificuldade de se lidar com a morte, fez um aprofundamento incrível em sua obra sem torná-la extremamente densa ou, então, excessivamente melancólica.
Com maestria, sua narrativa em primeira pessoa, notoriamente poética, varia de intensa a divertida, conseguindo atingir e envolver o leitor. Fiquei encantada por suas palavras e, também, pela forma de como conseguiam caracterizar tão bem os confusos pensamentos e sentimentos de Anna, a protagonista.

 

“A partir desse dia tudo o que mais importava em minha existência só…deixou de importar. Eu estava imersa de novo sob as águas, vendo as coisas em câmera lenta, sem som nem contexto, sem sentir, sem me importar. O mundo poderia ter acabado que eu não teria notado.

De certo modo, ele acabara mesmo.”

página 243

 

Aliás, os personagens, de um modo geral, foram muito bem delineados pela autora. Conflitos entre eles são criados a partir do luto pela morte de Matt, irmão de Frankie e paixão secreta de Anna, uma vez que não há a compreensão com a dor do outro: Anna finge não estar sofrendo e não sabe lidar com as mudanças da amiga Frankie; a mãe de Frankie não sabe como agir com a filha, que faz o que faz em uma tentativa de ter a atenção dos pais. Porém, a grande sacada dentre todas as divergências está exatamente no fato de que, na realidade, os personagens não sabem como lidar com suas próprias dores – quem dirá com as alheias.

 

“Prendo a respiração quando tia Jayne apronta a mesa para o jantar, sabendo que, se a menor pena cair nesta fina névoa de paz, tudo pode se romper. Às vezes acho que nos sentimos culpados por estarmos felizes, e, assim que nos pegando agindo como se tudo estivesse certo, alguém se lembra de que nada está certo.

página 80

 

Indo além do luto, Sarah Ockler também abordou questões típicas da adolescência, como amizades, paixões e primeiras vezes, de forma a representar muito bem todo esse universo jovem adulto.

 

“De acordo com a incansável busca de minha mãe pela última promoção, combinada com sua imunidade à moda, meu armário – no todo – deveria ser julgado, condenado e enforcado. Sem nada bonitinho, curto ou com tirinhas, meu armário abriga uma antologia de itens de promoção e fora de moda dos porões das lojas de departamento nas quais abri caminho por entre pechinchadoras de meia-idade nas araras de calcinhas.

página 35

 

De modo geral, Vinte Garotos No Verão ganha destaque por, mais do que ser um livro tipicamente Young Adult, ter um aprofundamento ao abordar uma questão tão complicada e delicada como a morte, sem fazer de tudo um grande e exagerado drama, com pinceladas de leveza e divertimento. Sarah Ockler certamente foi sensível ao criar sua trama, e teve delicadeza na medida exata para fazê-la tão admirável.




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15 Respostas para "[Resenha] Vinte Garotos No Verão – Sarah Ockler"

Vanessa - 02, junho 2014 às (10:09)

Olá 🙂
Uh, faz tempo que eu não passava por aqui. Adorei sua resenha, ficou muito boa. Estou com muita curiosidade a respeito desse livro, espero poder gostar quando eu ler.

Beijos, Vanessa.
This Adorable Thing
thisadorablething.blogspot.com.br

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Natália Gomes - 02, junho 2014 às (11:23)

A sinopse desse livro é incrível e, pra mim, absolutamente real. Tenho uma curiosidade enorme de ler esse livro e só aumentou com essa resenha maravilhosa, Aione.
A capa é maravilhosa!

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FABRINE - 02, junho 2014 às (13:12)

Quero muito ler esse livro!!

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Edilza - 02, junho 2014 às (16:55)

Me interessei um pouco, se o livro só se focasse nas férias de duas amigas não iria ler, mas tem também a morte e o modo que se lida com ela. Gostei de que a narrativa vá de intensa a divertida, senão o livro ficava chato. Me identifiquei com o quote da pág. 80, bem reflexivo.
A capa é bonita. Amei a resenha!

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Adriana - 02, junho 2014 às (17:55)

Depois de três horas pra entender a sinopse e perceber que, na capa esta escrito ‘meninos’ e não ‘meninas’, eu finalmente consegui entender. Achei o titulo um grande spoiler, e a capa é muito fofa, essa autora vai conquistarar as adolescentes como eu. Agora so lendo para dizer.

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Fernanda Costa - 02, junho 2014 às (20:40)

Meu Deus! Fiquei chocada com o primeiro parágrafo deste post. “Quando alguém que você ama morre, as pessoas perguntam como você está, mas não querem saber de verdade. Elas buscam a afirmação de que você está bem, de que você aprecia a preocupação delas, de que a vida continua. Em segredo, elas se perguntam quando a obrigação de perguntar terminará.” Realmente é uma verdade brutal, que mesmo quando o assunto não é tão grave quanto a perda de alguém, percebemos que muita gente tem uma falsa preocupação quando passamos por algum problema, dor ou tristeza. Confesso que quando vi a capa e o título desse livro não me interessei por ele, mas lendo sua resenha me despertou uma curiosidade enorme, pois gosto bastante de livros que trazem uma certa melancolia pois os mesmo nos fazem pensar na vida, também gosto bastante de narrativa em primeira pessoa acho que deixa a leitura mais fluida de certa forma. Colocarei Vinte Garotos No Verão em minha lista de leituras. Adorei!

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Emilene - 02, junho 2014 às (23:35)

Acompanho o blog faz um tempinho, mas essa é a primeira vez que comento, então vamos lá, rs.
Já tinha visto esse livro, mas nunca tinha parado nem pra ler a sinopse. Li sua resenha agora e me parece ser um livro muito bom, apesar de um pouco triste. Fiquei interessada e pretendo ler o quanto antes.
Beijos.

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Manu Hitz - 03, junho 2014 às (10:05)

Variando o livro de denso a melancólico, o fato é que ambos os adjetivos são mais que suficientes para me convidar à leitura… gosto disso!
Os temas são interessantes, apesar de já bem explorados na literatura. Mas há sempre um novo olhar, um algo mais que ainda não foi dito – ou é dito de forma diferente, especial.
Gostei demais, na lista já!
Beijo!
Ler para divertir

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Neny - 03, junho 2014 às (19:39)

Eu ja li este livro e simplismente amei.
Achei o livro muito bem escrito e trata os assuntos abordados de uma forma simples e aceitavel no contexto.
Achei que o final podia ter sido um pouquinho diferente, mas achei num todo muito bom, fora que a capa é muito linda,
beijos.

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Camila Planzo - 04, junho 2014 às (12:38)

Nossa ainda não sei se tenho coragem de ler esse livro,apesar das resenhas positivas, parece ser bem angustiante. Acho que vou deixar essa leitura pra outro momento rs

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Rafaela Brixner - 07, junho 2014 às (20:36)

Oi Mi!
Tenho muita curiosidade para ler esse livro, já vi várias pessoas elogiando-o. Esse tema de morte é algo realmente sensível e saber narrá-lo com leveza e humor deve tornar a obra incrível. Sem contar a capa que é maravilhosa.
Beijos.

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Lise - 11, junho 2014 às (10:40)

Outro livro sobre perdas? Acho que não é o meu momento, embora em meio minha tristeza precisei desesperadamente reler ACEDE.
Sobre o livro que parece ser bom, e na medida, tenho a dizer que suas palavras foram lindíssimas ao falar do verão.

liliescreve.blogspot.com

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ELIZABETH MACHADO SALLES - 23, junho 2014 às (17:18)

Até que fiquei curiosa a respeito da história, mas ainda não tenho certeza se vou ler ou não. Pois estes tipos de young adult já foi pra mim. Vou pensar a respeito e vou considerar seus comentários sobre o livro e quem sabe ainda o leia. Beijos.

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Crislane Barbosa - 24, junho 2014 às (16:27)

Oi!
Achei esse livro fofo, mas não gostei tanto.
Em alguns momentos me sentia confusa com os pais da Frankie.
Eu esperava que no final a família ficaria mais unida, que haveria um conflito em que os pais perceberiam que tinha deixado ela de lado.
Mas é uma história válida. A morte de um ente querido é complicada. E na hora de enfrentar o luto os sentimentos se misturam. Os amigos acabam sofrendo junto com a gente.

Beijão!

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Rena Késsia - 27, junho 2014 às (20:14)

Olá, Aione!
Acho que essa é a única resenha positiva que leio a respeito deste livro. Muitos já disseram que ficaram decepcionados com a autora, e que esperavam muito mais. Para mim, a sinopse e capa do livro estão ótimas, têm tudo para ser uma boa história. E ao ler a sua resenha positiva, realmente acho que este livro aborda de tudo um pouco.

Beijos

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