[Resenha] Sete Dias Em River Falls - Alexis Aubenque | Minha Vida Literária
09

jul
2014

[Resenha] Sete Dias Em River Falls – Alexis Aubenque

Título: Sete Dias Em River Falls
Autor: Alexis Aubenque
Editora: Vestígio (ex-Editora Vertigo)
Número de Páginas:  352
Ano de Publicação: 2013
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Leia o primeiro capítulo: Editora Vestígio

Sarah Kent é uma estudante brilhante e leva uma vida tranquila em meio à elite da universidade de River Falls, uma cidadezinha perto das Rochosas, no estado norte-americano de Washington. Mas tudo muda numa manhã de primavera: Amy Paich e Lucy Barton, as duas melhores amigas de Sarah em sua cidade natal, são encontradas no fundo de um lago, terrivelmente mutiladas. As duas não falavam mais com Sarah, mas tinham mandado um estranho convite para a amiga dois dias antes dessa tragédia. A vida de Sarah se transforma num pesadelo. Seria ela a próxima vítima do assassino? A garota parece esconder um terrível segredo, como se um laço misterioso ainda a ligasse a Amy e Lucy… Mistérios que o xerife Mike Logan tentará resolver, com a ajuda de Jessica Hurley, sua ex-namorada e famosa profiler do FBI. Eles pensam estar na pista certa, mas seu adversário é perverso e os manipula com facilidade…

O assassinato brutal de duas jovens na pacata cidade de River Falls desperta o medo nos cidadãos pela suspeita de existir um possível Serial Killer nos arredores. Com essa premissa, inicia-se a história de Sete Dias Em River Falls, um thriller policial que promete envolver o leitor, mas que, infelizmente, não conseguiu atingir minhas expectativas.
A narrativa da história se dá em terceira pessoa sob a ótica de diversos personagens. Logo no início, temos a cena de um “acidente” pela visão das vítimas, os irmãos Sheppard, que, conectado a morte das jovens Lucy e Amy, origina a suspeita da presença de um Seria Killer na cidade. Depois, temos a visão do xerife Logan, que conta, durante a investigação, com a ajuda da ex-namorada e profiler do FBI, Jessica Hurley, sendo que ela também tem momentos narrados por sua visão. Além disso, ainda acompanhamos trechos da história pela ótica da ambiciosa jornalista Leslie Callwin, bem como de Sarah Kent, a jovem ex-amiga das garotas assassinadas e que teme ser associada, de alguma maneira, aos assassinatos por ter recebido um estranho bilhete de Amy e Lucy no final de semana em que foram mortas. Há também trechos narrados pela visão do próprio assassino, embora apenas no final fique claro o que o motivou a cometer os crimes, além de alguns outros personagens, como um jovem dado como suspeito em determinado instante da trama.
Apesar do primeiro capítulo ter conseguido me impactar e ter chamado a minha atenção, fui perdendo a admiração aos poucos, conforme fui avançando na leitura. Para não ser injusta, afirmo que as cenas foram bem construídas e bem detalhadas, sem que se tornassem cansativas, ao mesmo tempo em que as cenas descritivas – tanto dos cenários quanto dos pensamentos das personagens – me agradaram. Meu problema se encontrou em alguns detalhes do enredo, bem como na maioria dos diálogos.
As falas das personagens me pareceram demasiadamente artificiais principalmente por conta do vocabulário utilizado, não sei se pelo autor no original ou se pelo tradutor ao passá-las para o português. Não raramente há a presença de termos muito formais, ainda mais se levarmos em conta os falados pelos jovens da história. Assim, essas cenas não conseguiam me envolver e nem pareciam naturais no transcorrer da leitura.
Sobre as personagens, detalhes sobre suas personalidades não me permitiram me afeiçoar a elas, sobretudo à Sarah. A garota me pareceu muito mais um esteriótipo jovem adulto ao invés de ter uma personalidade consistente. Em dados momentos, apresentava atitudes agressivas; em outros, extremamente passivas ou fúteis. Assim, não consegui enxergá-la como um todo.
Também sobre as personagens – mais especificamente sobre os relacionamentos entre elas -, praticamente não há uma relação que não esteja, de algum modo, envolvida em alguma traição. Os personagens ou estão traindo alguém ou são a pessoa com quem alguém é traído, o que me fez pensar se, no universo do autor, não existem relacionamentos nos quais as pessoas sejam fiéis. Ainda que esse detalhe não tenha nada a ver com a história em si ou com seu desenvolvimento, não pude deixar de me incomodar pelos relacionamentos serem praticamente todos tratados dessa maneira, algo que foge às minhas crenças.
Por fim, detalhes no desenrolar de alguns fatos também me incomodaram. Em determinado momento, há a acusação de um inocente – o que não configura como um spoiler, uma vez que, por termos a visão da personagem, sabemos que ela não é a culpada. O personagem passa a ser suspeito devido a uma denúncia de um vizinho, mas em momento algum é dito ao leitor o motivo para que ele se tornasse um suspeito. Simplesmente a partir dessa denúncia, e depois com a constatação de que o personagem é dono do mesmo carro que causou o acidente aos irmãos Sheppard na primeira cena, o personagem é dado como culpado e uma verdadeira caça é feita a ele, sem que houvesse o benefício da dúvida, exceto por Jessica Hurley, ou uma investigação mais apurada para encontrar provas definitivas a fim de acusá-lo. Depois, quando uma verdadeira conexão com o assassino surge através de um palpite de Hurley, o xerife simplesmente descarta a ideia, como se ela fosse completamente improvável, ao invés de investigá-la mais a fundo.
Minha impressão foi de que o autor tentou convencer o leitor sobre as escolhas das personagens simplesmente pela convicção delas próprias, esquecendo de enriquecer o enredo com detalhes que seriam importantes para criar uma trama mais verossímil e envolvente. Além do leitor saber quem é culpado ou inocente por ter o privilégio de acompanhar a ótica desses personagens, ele precisa saber o que levou os responsáveis pela solução do caso a acreditarem, mesmo que erroneamente, quais determinadas pessoas seriam inocentes ou culpadas.
De modo geral, Sete Dias Em River Falls tem uma boa premissa e, inclusive, um bom desenrolar da trama como um todo, mas pecou, em minha opinião, nos detalhes, fazendo com que ela parecesse imatura para mim – talvez por ser o primeiro livro do autor. De qualquer maneira, acho importante ressaltar que outros leitores podem ter uma experiência diferente da minha, principalmente se não forem críticos como acabei sendo. Apesar de tudo, Alexis Aubenque foi talentoso na escrita de suas cenas descritivas, bem como conseguiu criar motivações críveis para o assassino ter cometido os crimes – motivos os quais não consegui adivinhar antes de serem revelados.




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12 Respostas para "[Resenha] Sete Dias Em River Falls – Alexis Aubenque"

Duda Menezes - 09, julho 2014 às (09:09)

Enquanto a sinopse tem tudo para me agradar em um thriller, todos esses detalhes que você chamou a atenção têm tudo para fazer exatamente o oposto. Tenho raiva quando uma investigação não é conduzida da forma certa, é o que mais pode me irritar num thriller. Vou deixar esse passar. Que bom que li sua resenha. É o tipo de livro que eu poderia comprar, caso não soubesse.
Beijo, Mi!

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Mariana FS - 09, julho 2014 às (10:36)

Oi MI!
Pela sinopse o livro tinha tudo para ser ótimo. É mesmo uma pena quando o autor força as escolhas dos personagens e não deixa que flua naturalmente. Acho que, como leitores, podemos até não simpatizar com determinado personagem ou não concordar com suas atitudes, mas é fundamental que elas sejam compreensíveis sob o ponto de vista do personagem.
Também me pergunto, muitas vezes, se esses diálogos mecânicos são problemas do autor ou do tradutor. O problema é que quando isso acontece nos “descolamos” completamente da história, né?
Beijos
alemdacontracapa.blogspot.com

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Edilza - 09, julho 2014 às (10:51)

Gosto muito de policiais, mas esses detalhes que ficaram ruins não me agradou.
Achei interessante o assassino ter sua voz no livro, nunca vi isso, bem diferente.
Mas jovens falando linguagem formal? Quê que é isso?!
Boa resenha! Abraço.

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tagila gomes - 10, julho 2014 às (10:09)

que sinopse maravilhosa mas pena que é só isso .. confesso que as vezes perco o animo em livro assim com premissas muito boa mas que não são bem trabalhadas .. expostas no meu caso estou lendo os tres que tambem segue esse estilo e por ter um comentário do stephen king parecia otimo mas não agradou tanto espero que melhore logo …..

otima resenha …

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Diane Ramos - 10, julho 2014 às (17:09)

Parece ser um livro bom . Esse ano li o meu primeiro romance policial , eu sempre me recusava á ler esse tipo de leitura , mas quando eu finalmente li eu gostei bastante .
Quem sabe , esse livro não entra para minha meta de leitura?

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Neny - 10, julho 2014 às (17:52)

Uma pena o livro não ter agradado, acho isso muito chato quando acontece ja que tem tanto livro esperando por ser lido e acabamos de certa forma ‘perdendo tempo’ com um não curtido.
As vezes é o tradutor que escolheu palavras mais formais e acabou deixando o livro sem graça e passando menos emoção. Uma pena quando não respeitam um ritimo…uma palavra muda muita coisa.
Acredito que não vou ler e olha que gosto de livos assim, mas esse eu passo,
beijos.

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Adriana Correa - 11, julho 2014 às (22:37)

Estava super ansiosa para fazer a leitura desse livro, mas dei uma desanimada depois da resenha. Realmente gosto de livros que me envolvem do começo ao fim. E, pelo visto, ele não cumpre tanto esse papel.

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Fernanda - 13, julho 2014 às (11:06)

Confesso que adoro livros de suspense e tal, me empolguei muito com a sinopse do livro mas sua resenha me fez desanimar um pouco, já não estará no topo da minha lista de preferidos… rs

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Letícia Souza - 19, julho 2014 às (19:56)

Oiiee
Eu estava super empolgada para ler esse livro agora vou pensar bem se vale a pena.
E acho que esses detetives devem ser todos demitidos,haha trabalham muito mal.
Também me incomodei com esse lance de todo mundo trair todo mundo,fatos assim conseguem deixar a leitura menos admirável.Mas vou dar uma chance ao livro!
beijos

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FABRINE - 21, julho 2014 às (14:11)

Eu me interessei demais para sinopse, fiquei bem curiosa e com vontade de ler.
Mas conforme fui lendo a sua resenha, suas opiniões negativas perdi toda a vontade rsrs
Bjs

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Michele Lopez - 25, julho 2014 às (19:38)

Ainda não li nenhum livro parecido e estou feliz por conhecer este livro. Me parece ser uma leitura envolvente e cheia de surpresas. Fiquei muito curiosa para saber o que aconteceu com as amigas de Sarah e espero ter a oportunidade de ler em breve este livro.

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Karolyne Kazakeviche - 31, julho 2014 às (19:57)

AMOOOOOOOOOOOOO livros do gênero e este realmente me interessou.
Apesar de todos estes pontos negativos, sinto muito raiva quando uma investigação não é desenvolvida de maneira certa u.u Mas de qualquer forma, eu me interessei.

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