[Resenha] Cartas de Amor Aos Mortos - Ava Dellaira | Minha Vida Literária
27

ago
2014

[Resenha] Cartas de Amor Aos Mortos – Ava Dellaira

Título: Cartas de Amor Aos Mortos
Autor: Ava Dellaira
Editora: Seguinte
Número de Páginas:  344
Ano de Publicação: 2014
Skoob: Adicione
Orelha de Livro: Adicione
Compare e Compre: Buscapé

“Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.”

Um projeto de escola se transforma em uma auto-terapia e nas forças de Laurel, a garota que perdeu a irmã, Mia, e que vive um processo de auto-descoberta. Baseado nessa premissa, Cartas De Amor Aos Mortos se desenvolve, demonstrando a força das palavras e impactando o leitor com sua narrativa poética e reflexiva.
Laurel é extremamente introspectiva e guarda dentro de si tudo o que vive. Dificilmente se abre com alguém, principalmente sobre a morte da irmã, e seus sentimentos, tão intensos, são responsáveis por fazê-la viver em seu mundo interior. Quando começa a escrever a celebridades já falecidas, pela primeira vez passa a externizar e compartilhar com alguém seu universo particular. Nas cartas, revela seus anseios, suas reflexões, seus sentimentos e pensamentos mais íntimos. Através da escrita, Laurel dá o primeiro passo para começar a dividir com alguém tudo que a habita, além de criar a confiança que precisa para fazer novos amigos e se adaptar a uma vida até então desconhecida para ela. Quanto mais Laurel escreve, mesmo que ela não receba respostas escritas, mais sente que há uma correspondência, mais sente que tais celebridades a ajudam, e mais próxima Laurel se sente delas.
Ava Dellaira colocou todas as emoções de Laurel em sua escrita e por isso é fácil compartilhar delas durante a leitura. Por diversas vezes, senti a tristeza de Laurel, ao mesmo passo em que me emocionei com seus momentos de alegria. Suas incertezas e medos são palpáveis, e não foi difícil me envolver com a personagem.
A habilidade da autora aliada à intensidade de sua escrita resultaram em uma narrativa sensível e poética, extremamente condizente à protagonista. Laurel gosta muito de poesias e em diversos momentos nos apresenta alguma estudada em suas aulas, bem como toda a interpretação feita delas.
Um fator interessante da obra foi a escolha das celebridades com quem Laurel se corresponde. Todas, sem exceção, tiveram uma difícil história de vida e a protagonista conta cada uma delas ao leitor. Dessa maneira, tanto somos informados sobre suas biografias como temos a humanização de cada uma. Aos poucos, vamos deixando de encará-las como artistas e passamos a vê-las como as pessoas que eram, e passamos a entender a arte de cada uma como um reflexo de suas personalidades e vicências, não apenas como resultado de seus talentos. Também, quanto mais Laurel vai se sentindo próxima de seus destinatários, mais ela se abre, e essa intimidade se demonstra na forma em que Laurel as chama. Kurt Cobain, por exemplo, passa a ser Kurt, simplesmente.
De modo geral, foi uma leitura que me conquistou por demonstrar a importância e a intensidade das palavras. Viajar pelo íntimo de Laurel foi, como boas leituras instrospectivas costumam ser, uma experiência de auto-viagem e de compreensão do próximo. Foi impossível não me sentir tocada pela escrita de Ava, ou melhor dizendo, de Laurel, e certamente as reflexões feitas a partir dessa leitura não serão perdidas. Ficarão marcadas em mim, deixando as marcas que somente as palavras são capazes de produzir.




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15 Respostas para "[Resenha] Cartas de Amor Aos Mortos – Ava Dellaira"

Bruna Costabeber - 27, agosto 2014 às (09:58)

Oi Aione, tudo bem?
A sua resenha está repleta de sentimentos e pude entender o que se passava em seu coração ao ler esse livro, parabéns.
Ler sua resenha e essa explosão de sentimentos só me fez sentir ainda ais vontade de ler. Adorei.
Beijos!

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Edilza - 27, agosto 2014 às (12:48)

Oi, Mi!
Achei bem interessante a história desse livro, tratando de luto, de superação, essas coisas. É muito bom quando conseguimos sentir tudo o que o personagem está sentindo. Que bacana mostrar a vida dessas celebridades com quem Lauren se “corresponde” e ver o seu lado mais normal, mais humano.
Amei a resenha! Bjs <3333

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Aline Praça - 27, agosto 2014 às (12:58)

Oi Aione,
Comprei este livro na bienal, to doida p começar a ler, parece ser bem poético e adorei sua resenha caregada de emoção, parece que o livro é desse jeitinho q vc contou =)
Bjos!

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Gisele Aguiar - 27, agosto 2014 às (18:20)

que livro hein Mi? só na sua resenha já me identifiquei muito com Laurel, no jeito de não conseguir compartilhar o que sente… Melhor ainda é o a escritora mostrar o lado humano das pessoas famosas até porque elas não são de ferro, são humanas também, e é bom ter alguém que nos lembre disso!
Adorei a resenha… Quando passar minha “ressaca” de drama (se é que isto existe) com certeza vou lê-lo!

Beijão!

PS: Você já leu “A Doçura da Cuva”? Conta a história de uma mulher rica, privilegiada, que em um dia descobre que foi adotada. Com essa descoberta ela sai em busca de seus pais biológicos. Nessa viagem ela chega ao rancho onde os trabalhadores são pessoas “especiais”… É lindo livro! Se você não leu,recomendo que leia!

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RUDYNALVA - 27, agosto 2014 às (23:44)

Aione!
Tenho muito interesse em ler Cartas de amor aos mortos por vários motivos.
Primeiro porque faço correspondência desde a adolescência, depois porque meu irmão mais velho faleceu no início do ano e agora sou a irmã mais velha e minha irmã mais nova cobra minha ausência e sinto que fiquei devendo algo à ela sabe? Como é 8 anos mais nova, fui como uma mãe e acabei me afastando um tempo… agora que retornei, gostaria muito de ser um exemplo melhor para ela. E acredito que a leitura desse livro poderia me ajudar um pouco clareando as ideias…
cheirinhos
Rudy

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Manu Hitz - 28, agosto 2014 às (12:27)

Aione, querida, acho que vou amar este livro! É docemente melancólico, cheio de poesia e palavras carregadas de significado.Esses ingredientes são mais do que suficientes para me encantar!
Acho que Laurel vai drenando toda sua dor através das cartas, depurando as fases do luto. A ausência tem tanta força que, se não tivermos algum tipo de ajuda – imagino – podemos enveredar pelos caminhos sombrios da depressão, do desespero… Escrever é terapêutico e pode mesmo ser libertador.
Depois desse seu olhar sensível sobre a leitura, desejo o livro ainda mais.
Beijooo!

Se quiser conferir minhas últimas resenhas, ficarei muito feliz:
Ler para Divertir
As Meninas que Leem Livros

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Nathalia Simião - 28, agosto 2014 às (17:16)

Oi Aione, tudo bom?
Faz tempo que eu estou querendo esse livro, acho a premissa dele extremamente interessante e inteligente. Sinto que é um livro com o qual eu me emocionaria e gostaria muito de ler. A capa também é simplesmente linda.

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Bruna Carvalho - 28, agosto 2014 às (18:49)

APAIXONADA POR ESTE LIVRO ! Adorei a resenha. E todas as pessoas citadas sou fanática até agora, seria interessante ler uma mini biografia sobre eles, e por incrível que pareça senti uma certa identificação com à Laurel haha. Bateu uma vontade imensa de ler, ainda terei ele na minha coleção. Obrigada por despertar isso ! Beijões <3

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Juu-Chan ;3 - 29, agosto 2014 às (12:01)

OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOI, ALANAAAAAAAAA ♥ Boa tarde, hahahaha! Cooomo você está? *-* Espero que bem, hahahahaha! :3 Aaaaaaaaaaaaah, eu estou doooooooooida e looooooooouca por esse livrooooooo <3 Tipo, doida mesmo! Ele me lembra bastante a história do livro Em Busca de Zoe, da Alyson! Já leu? Suuuuuper recomendado, hahahahah! Narrativa poética e reflexiva? Aaaah, que bom, eu gosto de ler um livro e depois pensar na vida, sabe? Hahahaha! =3 Achei esse livro autêntico em vários aspectos e um deles são essas cartas destinadas a celebridades mortas… O outro aspecto é dela viver em um mundo "particular", como você mesma disse, hahaha! É sempre assim, a pessoa é sozinha e imagina um mundo somente dela, até que encontra algo ou alguém que a ajuda sair dessa bolha, haha! Aaaaah, adoooooro livros em que fazem com que sintamos as mesmas sensações que os personagens! É algo extremamente mágico, não é? Hahaha ♥ Ooh, eu também amooo poesia, haha! com certeza irei simpatizar muito com a Lau! <3 Cara, eu era apaixonada por esse livro e agora, com esta sua resenha diva e positiva, fiquei ainda maaaais apaixonada! *-*

BEIJOS INFINITOOOOOOOOOS ♥

Juu-Chan || Nescau com Nutella

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Oliveira - 29, agosto 2014 às (20:04)

Parece um livro muito introspectivo, mas acredito que essa “viagem” de Laurel expressa pelo livro em sua alma interior deva ser algo diferente, algo que intriga pelo menos, um livro para mim diferente, apesar de ser um tema comum, mas uma ideia na qual creio que poucos pensaram, se pensaram.

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Michele Lopez - 30, agosto 2014 às (09:54)

Oie…
Ainda não li o livro, mas estou louca para ler! Sua resenha aumentou ainda mais essa vontade!!
Ela conseguiu nos mostrar os principais aspectos do livro de uma tal maneira que fiquei encantada!!
Parece ser uma leitura adorável e cheia de sentimentos, ainda mais por se tratar de celebridades com vidas complicadas!!

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Aline Ramos Costa - 31, agosto 2014 às (23:10)

Gotei bastante dessa ideia da autora criar o livro enfocando em cartas (algo que está sumindo em nossa sociedade)..super autêntico e único. Pelo que pude ver em sua resenha, o livro buscou mostrar que esses artitas tambem tinham problemas e eram pessoas como nós, sujeitos a falhas e ao mesmo tempo resgatou um meio de comunicação onde estávamos acostumados a “deitar nossa alama” e contar nosos anseios,

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Ingrid - 01, setembro 2014 às (18:10)

Já está na minha lista de desejados, inicialmente não foi um livro que eu gostaria de ler, mas a sua resenha me convenceu a dar uma lida e tirar conclusões..

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Fe Fernanda - 29, janeiro 2016 às (14:28)

Chorei no final, é legal e envolvente

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Kamila Souza - 17, fevereiro 2016 às (09:50)

Livro lindo, me emocionei muito com a história.

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