[Resenha] O Pintassilgo - Donna Tartt | Minha Vida Literária
21

nov
2014

[Resenha] O Pintassilgo – Donna Tartt

O Pintassilgo
Título: O Pintassilgo
Autor: Donna Tartt
Editora: Companhia das Letras
Número de Páginas:  728
Ano de Publicação: 2014
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Theo Decker, um nova-iorquino de treze anos, sobrevive milagrosamente a um acidente que mata sua mãe. Abandonado pelo pai, Theo é levado pela família de um amigo rico. Desnorteado em seu novo e estranho apartamento na Park Avenue, perseguido por colegas de escola com quem não consegue se comunicar e, acima de tudo, atormentado pela ausência da mãe, Theo se apega a uma importante lembrança dela – uma pequena, misteriosa e cativante pintura que acabará por arrastá-lo ao submundo da arte. Já adulto, Theo circula com desenvoltura entre os salões nobres e o empoeirado labirinto da loja de antiguidades onde trabalha. Apaixonado e em transe, ele será lançado ao centro de uma perigosa conspiração. ‘O pintassilgo’ é uma hipnotizante história de perda, obsessão e sobrevivência, um triunfo da prosa contemporânea que explora com rara sensibilidade as cruéis maquinações do destino.

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O Pintassilgo, ganhador do prêmio Pulitzer de literatura, é o terceiro e bem sucedido romance de Donna Tartt, eleita em 2014 pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo – o que já nos dá uma ideia do que esperar dos seus escritos. Todos os seus livros foram publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

 

“É loucura, dissera, mas eu seria muito feliz se pudesse ficar sentada olhando a mesma meia dúzia de pinturas o resto da vida. Não consigo imaginar uma forma melhor de enlouquecer”.

página 23

 

É encantador e ao mesmo tempo imprevisível quando nos deparamos com um livro tão completo e bem escrito: encantador, pois a cada novo capítulo somos levados pela trama a ponto de fundirmos nossos pensamentos com o do narrador; imprevisível, pois somos guiados por caminhos surpreendentes que nos desafiam e surpreendem durante a leitura.

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O romance conta a história de Theo Decker e nos leva desde o momento de sua vida em que, aos 13 anos, perde sua mãe num atentado ao museu da sua cidade, até os dias atuais de sua vida permeada por tentativas de se reconstruir e encontrar um rumo a seguir. A questão é que, nesse mesmo atentado que tirou a vida da sua mãe, Theo escapou e levou consigo um quadro de grande valor que tem a imagem de um pintassilgo, mas que carrega também valiosos significados. A história tem muitas reviravoltas e o foco está justamente nas etapas de vida do Theo e em todos os desafios que ele enfrenta em sua vida adulta, mas definitivamente essa não é só mais uma história sobre uma pessoa tentando reconstruir sua vida, sem dúvidas trás ao leitor uma série de sensações e emoções facilmente percebidas a cada diálogo e etapa desenvolvida no enredo.

 

“As pessoas morrem, claro, minha mãe estava dizendo. Mas é deprimente como perdemos coisas sem necessidade. Por puro descuido. Incêndios, guerras.”

página 31

 

A narrativa em primeira pessoa é magnificamente narrada por Theo Decker ao longo de boa parte da sua vida. Já adianto que a narrativa é fluida e envolvente, levando em consideração o carisma do nosso narrador, no entanto, há um ar de melancolia e profundidade em várias reflexões ao longo da trama que nos revela uma alma atormentada e em busca de respostas.

Devo admitir que minhas impressões de leitura em relação à primeira parte do livro foram arrebatadoras, uma mistura de emoções que ficaram um bom tempo na minha memória e que, volta e meia, reacendiam minha vontade de dar continuidade à leitura até conseguir finalizá-la. Entretanto, na segunda parte do livro, por me envolver muito com o narrador, passei a ter sentimentos diferentes em relação à condução dos seus atos. Mesmo assim, a escrita da autora nos possibilita uma entrega por completo. É simples, ágil e dinâmica ao mesmo tempo em que é emocionante, profunda e envolvente, o que para mim são características essenciais para que um livro me agrade, e esse cumpriu facilmente o seu papel.

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Recomendo muito a leitura para quem quer mergulhar em algo novo, contemporâneo e que nos traz um sentido maior por trás de todo o conteúdo explicito. O trabalho descritivo que a autora nos transfere, o conteúdo da trama, as referências ao mundo das artes e a escritores, a profundidade dos personagens e a caracterização de cada um deles é um prato cheio para o tipo de leitor inquieto, curioso e que busca uma leitura que foge ao lugar comum, mas que fala de amor, amizade, família, dúvidas e reflete a busca pelo encontro com nós mesmos ao longo da vida.





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14 Respostas para "[Resenha] O Pintassilgo – Donna Tartt"

Fernanda Bizerra - 21, novembro 2014 às (08:25)

Oi, Clivia.

Já tinha visto falar deste livro, mas a sua é a primeira resenha que leio. E já começar lendo algo tão positivo a respeito da obra me fez ter curiosidade em ler, coisa que antes da sua resenha acredito que não existia.

Gosto de livro assim que nos faz pensar sobre tudo e ainda que nos arrebata completamente. E também como a escritora esta entre as mais influentes do mundo a gente tem por obrigação de ler sua obra, pois para ter tal homenagem deve ser muito bom no que faz.
Ao ler sua resenha não percebi fatos que desagradaram na leitura a não ser alguns atos do personagem, mas eles estão ai é para nos deixar de cabelos em pé mesmo.

Espero ter o livro em mãos e descobrir todo esse encanto dele.

Beijos
http://www.amorliterario.com

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thayna ta - 21, novembro 2014 às (09:45)

Nunca ouvi falar sobre o livro, mas Theo me pareceu melancólico demais, mas de fato perder alguém importante pode trazer isso, me parece uma leitura que nos tira um pouco da zona de conforto pelas ações dele, entendi o que a história quer passar..
Não posso ler agora, estou com leituras ao máximo de atrasadas..mas algum dia volto a procurar para ler.

Beijos Clivia, ThaynáQ.

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Thiago Martins - 21, novembro 2014 às (11:05)

Estou com o livro aqui para ler e pretendo começar em breve. A Donna Tart está causando um burburinho na cena literária americana, vários críticos a amam e outros a detestam rsrs
Dei uma lida rápida em alguns trechos e é incrível a forma como ela mistura várias cenas em sequência sem que fique cansativo, definitivamente é uma bela obra. Em breve sairá o filme, então quero ler bem antes disso acontecer.

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Edilza - 21, novembro 2014 às (12:06)

Só pelo fato da autora nos fazer entregar-nos por causa de sua escrita já me deixou muito interessada. E também achei muito bacana o livro fazer referências ao mundo da arte e dos escritores. Com certeza vou ler!
Amei a resenha! Bjs, Clivia <3

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Aline Rodrigues - 22, novembro 2014 às (13:46)

Nossa não conhecia o livro, não sei se estou no momento certo para fazer a leitura, estou evitando livros intensos, estou em uma fase muito chick lit da minha vida… mais não vou deixar de anotar a dica para o momento certo.

Bjos

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Oliveira - 23, novembro 2014 às (15:30)

Deve ser lindo e emocionante o livro. Mas, creio que no momento não seria uma leitura muito boa para mim por ser reflexivo. Futuramente devo procurar por ele para lê-lo, mas não no momento.

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samara - 23, novembro 2014 às (22:11)

oi clivia
eu achei o nome um pouco estranho e a capa um pouco feia eu achei que a historia do livro fosse um pouuco chata mas depois que li a resenha o livro superou minhas expectativas gostei muito.

beijo!!!!!!!!!!!!

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DeebAmorim - 24, novembro 2014 às (11:23)

Nem consigo imaginar como esse livro deve ser profundo e cheio de reflexões! A história pode até não ser muito atraente, mas tenho certeza que, como você disse, a cada página o leitor vai sendo conquistado. Curiosa pra ler!

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Lise - 24, novembro 2014 às (14:11)

Para mim é novidade, e fiquei sem saber o que iria achar. Em geral gosto de livros que me desnorteiem assim e provavelmente vou tentar. Anotei já.

Também sou fã de leituras ágeis, mas envolventes.

Beijos,
liliescreve.blogspot.com

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Cristiane Oliveira - 25, novembro 2014 às (14:31)

Oi Clivia. Acho interessante como alguns livros nos tiram do lugar comum e nos surpreendem.Este livro parece trazer muitas reflexões, este tipo de leitura sempre é ótimo. Mas eu não me interessei, sei lá, não sou ligada nesta coisa de arte e pinturas, o livro pode até surpreender, mas não seria o tipo que eu procuraria para ler.
Beijos

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Desbravadores de Livros - 27, novembro 2014 às (07:08)

Clivia, confesso que fiquei encantada pela história e desde antes já quis lê-lo muito. Ainda não tive a oportunidade, mas já pude perceber o quanto a obra é emocionante. Apenas pela resenha já deu para sentir e notar isso.

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Lindsay Leão - 27, novembro 2014 às (22:08)

Oi Clívia,

Estou sem palavras para descrever o que achei da sua resenha.
Esse livro parece ser muito bom mesmo, já tinha ouvido falar mas não fazia ideia do que se tratava. Fiquei feliz em saber que a leitura flui bem, pois esse livro é enorme com incríveis 792 páginas, se fosse um livro chato não leria jamais.

Parabéns mesmo pela resenha, esta brilhante!
Beijos

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Milena Soares - 28, novembro 2014 às (21:07)

Já estava bastante interessada em ler esse livro só pela capa, título e sinopse, depois de ver essa resenha fiquei ainda mais ansiosa pra conferi isso tudo.

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Rudynalva - 30, novembro 2014 às (00:37)

Clivia!
Tenho lido boas resenhas desse livro e confesso que muito me agrada uma leitura em que podemos refletir sobre a vida, sobre temas como amor, família, e um encontro com nossa própria vida.
cheirinhos
Rudy

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