[Resenha] A Escolhida - Lois Lowry | Minha Vida Literária
11

dez
2014

[Resenha] A Escolhida – Lois Lowry

A ESCOLHIDA

Título: A Escolhida
Autor: Lois Lowry
Editora: Arqueiro
Número de Páginas:  192
Ano de Publicação: 2014
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Kira, uma órfã de perna torta, vive em um mundo onde os fracos são deixados de lado. A partir do momento da morte de sua mãe, ela teme por seu futuro até que é perdoada pelo Conselho de Guardiões. A razão é que Kira tem um dom: seus dedos possuem a habilidade de bordar de forma extraordinária. Ela supera a habilidade de sua mãe, e lhe cabe a tarefa que nenhum outro membro da comunidade pode fazer. Enquanto seu talento a mantêm viva e traz certos privilégios, ela percebe que está rodeada de misterios e segredos, mas ninguém deve saber sua intenção de descobrir a verdade sobre o mundo.

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Depois de ter devorado e adorado O Doador de Memórias, de Lois Lowry, estava mais do que ávida para sua continuação, A Escolhida, tanto para novamente me encantar com a escrita e as metáforas da autora quanto pelo próprio final do primeiro livro, um tanto quanto aberto e capaz de deixar qualquer leitor louco de curiosidade.

 

“Tremeu levemente de medo. O temor sempre fizera parte da vida das pessoas. Por causa do medo, elas construíam abrigos, buscavam comida e plantavam hortas. Pelo mesmo motivo, armazenavam armas, precavidas. Havia o medo do frio, da doença, da fome, das feras.
E foi o medo que a impulsionou naquele momento, apoiada em seu cajado. Ela lançou um último olhar para o corpo sem vida que um dia abrigara sua mãe e perguntou-se aonde poderia ir.”

página 6

 

No segundo volume da série O Doador, temos um novo ambiente e personagens diferentes do primeiro livro. Sendo assim, continuarei curiosa sobre a história de Jonas, visto que, até onde entendi, apenas no quarto e último livro teremos um fechamento dos universos criados pela autora, interligando os enredos dos três primeiros livros.

Dessa vez, acompanhamos a história de Kira, uma garota nascida com uma deficiência na perna e com habilidades incomuns para bordar. Após perder a mãe, acaba sendo designada para a tarefa de reconstruir uma túnica na qual é contada a história do mundo em que vivem.

O interessante desse universo é ser regido por uma espécie de Lei de Darwin: nele, apenas os mais fortes sobrevivem. Contudo, a seleção ocorrida está longe de ser natural. Sendo assim, o fato de Kira ter sobrevivido ao nascer, por proteção de sua mãe, culminou em um crescimento repleto de desprezo vindo de sua comunidade, que a julga inútil, e que apenas piora quando a garota se torna orfã. Outra característica desse mundo se encontra nos nomes dos habitantes: ao nascer, os nomes das crianças são compostos por apenas uma sílaba e, conforme o passar dos anos, novas sílabas vão sendo acrescentadas.

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Da mesma maneira que em O Doador de Memórias, não temos explicações sobre o universo futurista em questão ou uma apresentação direta de como ele se constitui. Conforme a história é desenvolvida, tais características são apresentadas indiretamente e o leitor vai se situando aos poucos sobre esse novo cenário. Também, novamente temos personagens que desconhecem as verdades de sua própria comunidade e que acreditam existir apenas o ambiente onde vivem. Sendo assim, mais uma vez é compreensível a “falta” de informações dadas ao leitor; é impossível que saibamos aquilo que as próprias personagens desconhecem.

Contudo, diferentemente de meu primeiro contato, A Escolhida acabou me proporcionando uma leitura superficial, sem grandes envolvimentos com a personagem e a trama como um todo. Acima de tudo, senti falta do maravilhamento causado por O Doador de Memórias, sobretudo pelas tantas metáforas que o primeiro propiciou. Talvez, como não consegui me aprofundar na leitura, posso ter perdido tais analogias. Ainda assim, achei essa trama e a escrita da autora mais rasas do que no primeiro, mesmo que a leitura seja novamente fácil, rápida e fluida.

Os últimos capítulos conseguiram prender totalmente minha atenção. Embora a maior parte dos acontecimentos e revelações já fossem esperadas por mim, ainda assim fiquei presa à trama e às suas resoluções, conseguindo captar nuances até então despercebidas por mim. Lois Lowry deixou claro como mais essa sociedade distópica em muitos aspectos se assemelha a características de nossa própria, principalmente no que diz respeito à busca desenfreada pelo poder e pelo domínio. Também, a autora deixou uma tênue linha capaz de interligar esse livro ao primeiro e dando uma pequena noção de como serão conectados aos próximos volumes.

 

“- Como poderia mudar? É como as coisas são. Os pequenos aprendem desde cedo a agarrar as coisas e empurrar os outros. É a única maneira que as pessoas têm de conseguirem o que querem.”

páginas 177 e 178

 

Ainda que o livro como um todo tenha ficado aquém das expectativas deixadas pelo primeiro volume, novamente finalizei a leitura ansiosa pelos próximos volumes. É inegável a capacidade de Lois Lowry de criar universos diferentes tão únicos e, ao mesmo tempo, baseados em uma mesma triste realidade, como uma boa distopia deve ser.

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8 Respostas para "[Resenha] A Escolhida – Lois Lowry"

Edilza - 11, dezembro 2014 às (09:49)

Uma pena que A Escolhida não foi tão bom quanto O Doador de Memórias, mas se a autora continua com sua ótima escrita e nos deixando ansiosos pela continuação, com certeza vou ler.
Excelente resenha! Bjs, Mi <3

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Juliana Frygoudakis - 11, dezembro 2014 às (10:55)

Não sabia que esse livro era continuação de O Doador de Memórias!
Bom saber que tenho que lê-lo antes então! E que pena que o livro não foi tão bom quanto 🙁
Estou muito curiosa para ler essa série e entender esse universo diferente em que ela se passa !
Beijos

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Paula de Franco - 11, dezembro 2014 às (20:31)

Olá,

Eu não li o livro e nem assisti ao filme, foi um tema que não me chamou muito a atenção. Mesmo depois de algumas resenhas não me animei. Quem sabe mais pra frente. Que bom que apesar de ter sido uma leitura mais superficial tu esteja animada para o próximo.

Beijos.

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Oliveira - 11, dezembro 2014 às (20:59)

Não sabia ser parte de O Doador de Memórias, para mim era uma outra série. Bem, estou pretendendo ler, mas vou acompanhar por resenhas já que agora sei que se trata de uma série de quatro livros.

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Helena Cristina Cintra Eher - 12, dezembro 2014 às (12:38)

As distopias sempre me chamam a atenção… Gosto das facetas que esses universos nos trazem e das possibilidades que eles englobam… Segundos livros às vezes trazem uma “queda” quanto ao primeiro… mas geralmente os próximos volumes voltam a melhorar. Bjos

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Vanessa Meiser - 12, dezembro 2014 às (20:55)

Ai gente, não sei o que acontece comigo, não consigo gostar de distopias, tanto que nem li O Doador de Memórias, quem sabe depois de ver o filme eu não me anime né…. Sabe, acho que é fato de serem mesmo temas bem tristes, talvez seja por isto.

Beijo, Vanessa .

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Amanda Couto - 18, dezembro 2014 às (20:55)

Ainda não li O Doador de Memórias, e nem assisti ao filme, então não conheço a escrita da autora e não sei o que esperar. Espero gostar pois são livros bem fininhos, e de um gênero que gosto, apesar de estar com a expectativa com os livros que causam muito borburinho nos leitores bem baixa, para não ter a decepção que tive com The Fault In Our Stars e If I Stay.
Bijos, Amanda.

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camila rosa - 30, dezembro 2014 às (17:02)

Eu amei a capa desse livro, muito linda, também gostei da premissa dele, parece ser ótima, essa é a primeira resenha que vejo dele, espero que ele funcione mais comigo.
Beijos *-*

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