[Resenha] Ísis Americana: A Vida e a Arte de Sylvia Plath - Carl Rollyson | Minha Vida Literária
08

abr
2015

[Resenha] Ísis Americana: A Vida e a Arte de Sylvia Plath – Carl Rollyson

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Título: Ísis Americana- A Vida e a Arte de Sylvia Plath
Autor: Carl Rollyson
Editora: Bertrand Brasil
Número de Páginas: 392
Ano de Publicação: 2015
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A vida e a obra de Sylvia Plath assumiram proporções len-dárias. Educada na Smith College, uma faculdade particular de artes para mulheres, a escritora norte-americana manteve um relacionamento conflituoso com a mãe, Aurelia, e, após o casamento com o poeta Ted Hughes, foi absorvida pelo redemoinho da consa-gração literária. Seus poemas foram disputados, rejeitados, aceitos e, por fim, aclamados por leitores de todo o mundo. Aos 30 anos, Sylvia cometeu suicídio enfiando a cabeça num forno enquanto os filhos dormiam no andar de cima, em quartos que ela vedara contra o gás venenoso. Ariel, uma coletânea de poemas escritos numa velocidade avas-saladora durante seus derradeiros meses de vida, tornou-se um clássico moderno. Seu único romance, A redoma de vidro, passou a fazer parte do cânone literário, constando em listas de leituras para estudantes de vários países.Nesta biografia a primeira a utilizar materiais recém-integrados aos arquivos de Ted Hughes na Biblioteca Britânica , Carl Rollyson nos apresenta uma Sylvia Plath poderosa, que abraçou tanto a baixa quanto a alta cultura para se transformar na Marilyn Monroe da literatura contemporânea.

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Sylvia Plath foi uma romancista e poetisa norte-americana, reconhecida principalmente por sua obra poética e também pelo famoso romance semi-autobiográfico A Redoma de Vidro. Uma autora que teve uma vida conturbada e repleta de altos e baixos, Sylvia Plath foi uma personalidade marcante por sua obra e por sua figura peculiar e até hoje divide opiniões entre leitores e pesquisadores.

São muitas as biografias sobre a autora, e o próprio autor desta alerta o leitor nas primeiras páginas para o diferencial da mesma. Ele alega ter escrito esta biografia “em parte porque sentia existirem aspectos de Sylvia Plath que outros biógrafos haviam desprezado ou entendido de forma equivocada” . Aliás, é muito interessante para o leitor ler as notas do autor, uma vez que, antes de adentrar nessa obra, ele faz considerações importantes e que esclarecem sobre a abordagem e centralidade escolhida.

Por ter um grande apreço por biografias que tratam da vida e da obra de grandes mulheres da nossa história e literatura, quando a editora Bertrand Brasil anunciou esse lançamento meu interesse foi imediato. Sabia pouco sobre a autora e minhas informações sobre ela partiam de fontes aleatórias, desse modo, um livro que reúne toda a sua história seria um prato cheio para saciar minha curiosidade. Portanto, comecei a leitura com expectativas altas e muito empolgada para desvendar um pouco de quem foi essa incrível escritora.

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A narrativa do autor é bastante envolvente e acessível. Talvez por ser professor de jornalismo e já ter experiência com a escrita de biografias, ele tenha conseguido unir diversas informações e fatos sem deixar o livro monótono. A obra se divide em oito capítulos, além quatro apêndices muito interessantes e fotografias em preto e branco que dão um charme extra ao livro.

Apesar de todos os pontos positivos e atrativos da obra, acabei sentindo falta de algumas informações. Talvez tenham ficado algumas lacunas para mim justamente por ter sido meu primeiro contato com uma biografia da autora, já que o próprio autor alerta que seu foco será no que outros biógrafos não deram tanta atenção. Desse modo, ele faz uma abordagem sugestivamente mais critica em relação ao seu ponto de vista pessoal sobre a escritora, destacando o que ele acha que faltou ser aprofundado sobre sua vida e apenas pincelando questões já muito debatidas anteriormente.

Mesmo assim, o autor destaca fases muito importantes da vida de Plath, como sua adolescência, fala dos seus primeiros textos, de como era como estudante, escritora, filha, esposa e professora, dando uma atenção maior para seu lado escritora. Trata das especificidades emocionais da autora, fala das suas fases sombrias, e traz relatos desses períodos através de uma vasta correspondência que ela escrevia. A determinação por desenvolver e aprimorar a arte da escrita foi um dos principais desafios dela, porém, não maior que o desafio de vencer a depressão que lhe perseguiu até o trágico fim de sua vida. Uma característica muito rica dessa biografia é o fato de o autor ter dado uma atenção especial às pequenas conquistas de Plath, seja através de passagens que demonstram as mudanças em sua vida quando tinha um poema publicado, ou seja pelo fato de encontrar alguém para amar.

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O que pude concluir dessa obra é que, mais uma vez, a história se repete no que se refere às dificuldades que uma mulher tem de se fazer reconhecer na sociedade através da sua escrita, sendo essas ainda maiores para Plath por ter tido sérios problemas de ordem emocional – o que só confirma a pressão psicológica de uma autora que teve seus poemas criticados e rejeitados durante muito tempo -, além de uma vida conjugal que a levou para o fundo do poço. Mergulhar em sua história de vida foi uma experiência interessante, fascinante e um pouco melancólica, já que é difícil se desprender dos momentos mais intensos da obra que são aqueles em que descobrimos que os temas morte, tristeza e solidão foram recorrentes na vida dessa mulher, que aos 30 anos cometeu suicídio, deixando uma série de interrogações e especulações que fazem parte até os dias atuais do seu legado e da vida de quem se debruça sobre tal.





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11 Respostas para "[Resenha] Ísis Americana: A Vida e a Arte de Sylvia Plath – Carl Rollyson"

Bruna Soares - 08, abril 2015 às (13:13)

Oi, dessa vez a resenha não é sobre um livro que me interesse. Não gosto de biografias, não tenho curiosidade de saber mais sobre a vida da autora até porque nunca tive vontade de ler suas obras, então se eu falasse que estou louca para ler estaria mentindo. Mas fico feliz que tenha sido uma leitura interessante para você!
Beijos

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Rudynalva - 09, abril 2015 às (00:47)

Clivia!
Embora goste muito de poesias, não li nenhum poema dela, porém já escutei falar sobre seus belos textos.
Gosto de biografias, embora prefira as que façam uma abordagem total sobre a vida do biografado, porque como falou, o livro parece que ficou faltando algo…
Achei a cor da capa linda!
“Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” (Clarice Lispector)
Cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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Cristiane Oliveira - 10, abril 2015 às (12:25)

Oi Clivia. Eu gosto bastante de ler biografias, mas esta sinceramente não me deixou interessada. Acredito pelo fato de não conhecer nada da obra da escritora.
Abraços.

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Rosana - 12, abril 2015 às (14:29)

Gosto de biografias, ainda não tinha lido nada a respeito dessa. Não li nenhum livro da Silvia Plath, mas já ouvi bastante a respeito, por enquanto como não li nenhum livro da autora, não tenho muito interesse nesse. Pode ser que isso mude.

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Diane Ramos - 12, abril 2015 às (19:16)

Gostei bastante da sua resenha 🙂
Infelizmente nunca li nada de Sylvia Plath , apesar de desejar muito ler “A redoma de vidro” .

http://coisasdediane.blogspot.com.br/

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Leticia - 12, abril 2015 às (22:38)

Oi Clivia…
Eu até gosto de Biografias, mas depende muito.
Este parece ser mais um livro interessantíssimo.
Gostaria muito de ler.

livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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Maria Alves - 13, abril 2015 às (17:25)

Parece ser uma biografia bem interessante, devido a todos esses problemas que a autora passou e a doença da depressão. Não li nenhuma de suas obras. Mas acho que leria a biografia sem problemas. Pena ter se suicidado e morrer tão nova.

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Danielle Thamires - 18, abril 2015 às (16:21)

Esse livro não me chamou a tenção justamente por se tratar de uma biografia; tenho que admitir que, depois da escola, não me aventurei mais nesse tipo de livro…É bom saber, que pra você foi uma leitura interessante e , que vcs do blog, resenham vários gêneros literários, assim agradam variados leitores.

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Rebecca Martins - 22, abril 2015 às (16:10)

Oi Clivia,
Já não quero nem saber mais! Já me apaixonei por esta capa, por este livro! Preciso urgente! Não tinha nenhum livro da Bertrand, mas, fiquei bem curiosa agora.
Beijos

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Reniére Pimentel - 29, abril 2015 às (18:34)

Oi Clívia! Eu não costumo me interessar por biografias, quando o faço, é sempre por alguma personalidade que muito me agrada. Confesso conhecer algumas obras da autora, mas jamais conheci a história de vida dela. Que triste!
São histórias como esta que me levam a pensar se toda essa carga que a autora teve em sua vida foi crucial para a grandiosidade de suas obras. Me pergunto se a autora teria sido tão brilhante se não fosse pelas coisas pelas quais ela infelizmente teve de passar. Isso sem contar o fato de haver inúmeras dificuldades de ser reconhecida em uma sociedade predominantemente machista. Sua resenha só me leva a crer que Plath entrou para a lista de mulheres que fizeram história e que, certamente, merecem respeito e apreço e que sem dúvida irá inspirar e influenciar milhares de outras artistas das gerações seguintes.
Beijos!

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Paac Rodrigues - 30, abril 2015 às (14:59)

a única biografia que li foi do Johnny depp, achei muito bom saber da vida de um artista que gosto, achei q capa desse livro linda e sua resenha me deixou mais encantada ainda, mas não sei se seria algo que iria ler.

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