[Resenha] Em Busca de Abrigo - Jojo Moyes | Minha Vida Literária
07

jul
2015

[Resenha] Em Busca de Abrigo – Jojo Moyes

Em Busca de Abrigo

Título: Em Busca de Abrigo
Autor: Jojo Moyes
Editora: Bertrand Brasil
Número de Páginas: 436
Ano de Publicação: 2015
Skoob: Adicione
Orelha de Livro: Adicione
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A nova edição do romance de estreia da autora vencedora do prêmio RNA com A casa das marés. Na noite da Coroação da Rainha Elizabeth II, em 1953, a comunidade de expatriados de Hong Kong se reúne para celebrar o evento com uma festa. Enquanto os convidados tentam ouvir a cerimônia em um rádio antigo, Joy, uma jovem de 21 anos, se apaixona. Menos de vinte e quatro horas depois da festa, ela já está prometida em noivado ao rapaz, mas só tornará a se encontrar com o noivo um ano depois. Em 1980, um ato de rebeldia faz Kate, aos 18 anos, fugir do Condado de Wexford, na Irlanda, com sua filha ilegítima. Quinze anos mais tarde, Sabine deixa Hackney, o elegante bairro onde mora, em Londres, para visitar os avós que jamais conheceu e descobre que Wexford parece ter parado no tempo. Quando Sabine, sua mãe e sua avó voltam a se encontrar, um segredo de família cuidadosamente guardado é descoberto, bem como algumas verdades importantíssimas: o conflito entre o amor e o dever, as escolhas que as mulheres são obrigadas a fazer e o relacionamento entre mães e filhas.

A renomada Jojo Moyes é famosa em diversos países por seus romances. Em Busca de Abrigo é seu livro de estreia e já havia sido publicado no Brasil pela editora Bertrand Brasil em 2004. Agora, não apenas foi relançado com uma nova e atrativa capa, como dois outros romances da autora publicados pela editora também o serão – A Casa das Marés e Baía da Esperança.

Em Busca de Abrigo 1

Em Em Busca de Abrigo, três diferentes gerações da família Ballantyne nos são apresentadas. Em terceira pessoa, ora acompanhamos a trama pelos olhos de Joy, a matriarca da família, ora pelos de sua filha, Kate, e ora pelos de sua neta, Sabine. No prólogo do livro, temos a noite em 1953 na qual Joy conhece o marido e os primeiros desenrolares desse encontro em sua vida. No primeiro capítulo, logo a seguir, somos transportados a 1997 com Sabine viajando para a casa da avó, férias um tanto quanto indesejadas por ela. Assim, a ótica da narrativa vai se alternando entre essas mulheres, ao mesmo tempo em que, em alguns capítulos, também retornamos aos anos 50, conhecendo mais do início da vida de casada de Joy.

O mais interessante da obra, a meu ver, foi a forma de como Jojo Moyes não apenas contou sua história como também foi capaz de causar diversas emoções, muitas vezes contrárias entre si, ao alternar os pontos de vista da trama. Enquanto acompanhava a visão de Sabine, me compadecia da adolescente e sentia sua revolta pela mãe e pelos rígidos modos de vida de Joy, além de sua indiferença. Porém, quando passava a enxergar as situações como Joy ou Kate, me solidarizava com elas e, até mesmo, me sentia zangada pelas injustiças de Sabine e por sua visão tão severa, e um tanto quanto machista, sobre a mãe. Tudo isso foi possível porque as três personagens não apenas são complexas como também têm complicados relacionamentos umas com as outras, fazendo com que, além de não se conhecerem, de fato, tenham extrema dificuldade em compreenderem umas as outras.

 

“Estava sendo difícil associar qualquer coisa naquele quarto com as lembranças da infância e adolescência: era como se a casa tivesse envelhecido mais rápido do que as pessoas, e o tempo tivesse apagado todos os símbolos ou marcas familiares enquanto passava e, agora, tudo ali parecia, sinceramente, não ter nada a ver com ela.”

página 246

 

O livro, entretanto, não se prende apenas às questões dos relacionamentos entre as três mulheres, sendo possível, também, encontrar histórias interessantes entre os personagens que rodeiam a propriedade dos Ballantyne, como a família de Annie, filha da governanta de Joy, e Thom, responsável pelos cavalos e celeiros da propriedade. Essas histórias paralelas tanto contribuem com a trama, tornando-a mais rica, como também se entrelaçam com o enredo principal, tendo notáveis influências nele.

Em Busca de Abrigo 3

Embora tanto a história quanto a construção das personagens tenha me agradado, seria mentira dizer que minha leitura foi frenética, dotada de um ritmo enérgico motivado pelo meu envolvimento com o livro. Na realidade, demorei bastante para concluir a leitura porque encontrei certa dificuldade nela, que se deu de forma lenta e, em alguns momentos, bastante monótona. Contudo, as últimas 100 páginas ganharam um novo ritmo aos meus olhos tanto pelos acontecimentos em si quanto pela exacerbação das emoções das personagens, de forma que me senti mais envolvida pela história.

 

“Será que ele era assim tão atraente? Ou será que os vendavais da vida e as ondas de dor e sofrimento haviam lançado novas linhas em seu semblante?”

página 293

 

Ao final, ao mesmo tempo em que me emocionei com algumas conclusões e aprovei o modo de como se deram, também tive uma certa sensação de algo ter ficado incompleto. Acredito que, a meu ver, alguns conflitos foram resolvidos sem que houvesse uma conversa suficiente para isso, ou até mesmo que outros permaneceram em aberto. De qualquer maneira, compreendo também que o final seja característico do próprio estilo de relacionamento entre as protagonistas, um tanto quanto fechadas umas com as outras. Nesse caso, fatores externos a elas acabaram por ter uma influência bastante forte e compreensível nelas.

Em linhas gerais, embora Em Busca de Abrigo não tenha sido uma leitura completamente envolvente, foi bastante agradável, tranquila e rica em toda sua construção. Há uma bela história sendo contada e com uma positiva mensagem sobre as dificuldades encontradas nos relacionamentos familiares.

Em Busca de Abrigo 2





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18 Respostas para "[Resenha] Em Busca de Abrigo – Jojo Moyes"

Any - 07, julho 2015 às (09:51)

Oi, Aione!
Nunca li nenhum livro da Jojo, mas vi bastantes comentários favoráveis a respeito de seus livros, principalmente em relação a Como eu era antes de você, é mais provável que eu leia esse em vez de Em busca de abrigo, pois não me interessei pela sinopse desse livro, e ele não despertou minha curiosidade nem depois de ter lido sua resenha, se depender de mim, fujo de leituras monótonas… Mas achei interessante três gerações apresentadas e interligadas na mesma história, três pontos de vista de três mulheres que pertence a gerações diferentes, suas dificuldades em se relacionarem umas com as outras… Talvez eu pegue esse livro pra ler um dia, quem sabe…
Bjos!

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Mariele Antonello - 07, julho 2015 às (12:35)

Eu queria ler este livro mais pela capa mesmo, não tinha lido nenhuma resenha ainda, mas depois de ler esta, me interessei mais ainda pelo livro a história parece ser ótima, e fiquei ansiosa para ler.

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Larissa Oliveira - 07, julho 2015 às (14:03)

Oi, Aione! Ainda não li nada da autora, mas tenho muita vontade, além de ser apaixonada pelas capas de seus livros. Apesar de você ter citado que a leitura, em certo momento, ficou mais arrastada e tal, algo que me incomoda um pouco, eu ainda pretendo conhecer essa história. Gostei do modo como a autora optou por narrar a trama, intercalando entre as personagens. Quero ler em breve.

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Franciele Ribeiro - 07, julho 2015 às (20:22)

Nunca li nada dela, acho que não me chamou atenção os livros dela. Ainda que são livros que meche com o emocional, mais acho que farei uma exceção com esse livro gostei da resenha. Gostei dessa mistura de tempo, contando historias em períodos tempo diferentes.

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Edilza - 07, julho 2015 às (20:38)

Achei bem interessante o livro trazer tantas histórias entrelaçadas e tratar do relacionamento familiar entre uma neta, mãe e a avó. Só fiquei um pouco desanimada pela história às vezes ficar monótona, mas mesmo assim quero ler.
Muito boa a resenha! Abraço, Mi!!

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Leticia - 07, julho 2015 às (21:23)

Oi Aione…
Ainda não tive oportunidade de ler nada da Jojo, porém não ma falta vontade.
Provavelmente esse não seria o primeiro livro que leria da autora e começaria com outro. Que pena saber que a leitura se tornou um pouco arrastada em certa altura, mas acho que mesmo assim daria uma chance.

livrosvamosdevoralos.bogspot.com.br

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emanoelle souza - 08, julho 2015 às (14:51)

não li nenhum livro da autora ainda mas fiquei bem curiosa pra ler esse livro, adorei a resenha e espero gostar.

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Erica Leme - 08, julho 2015 às (21:33)

Essa autora está fazendo um sucesso por aqui, né? Eu li mês passado Como eu era antes de você, que foi escrito por ela tbm, e achei bacana, o começo lento mas no final me cativou mais. Acho que esse livro deve ser assim também, de acordo com sua resenha.
Não sei bem se quero ler os outros livros da Jojo, mas acho válido dar uma chance. E essa capa é tão linda que vale a pena ter na estante heheh (:

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rudynalva - 11, julho 2015 às (00:30)

Aione!
Sempre me interesso por enredos que falam de conflitos familiares, e aqui, já me identifiquei de cara, porque na adolescência até o início da minha fase adulta, batia muito de rente com minha mãe…tínhamos pensamentos e comportamentos totalmente diversos em tudo, menos na cozinha…kkkk
Talvez por isso, tenha me emocionado ao ler sua resenha e gostaria de ler mais esse livro da Jojo.
“Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor.”(William Shakespeare)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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Thays Suenaga - 12, julho 2015 às (08:42)

Jojo Moyes nunca decepciona!

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Mariana Póvoa Cavalcante - 16, julho 2015 às (19:14)

Nem preciso dizer que sou apaixonada pela Jojo Moyes néh?! Divinaaaaa. A cada livro que eu leio dela me apaixono mais e não foi diferente com esse. Super recomendoooooo! ♥

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Patrini Viero - 16, julho 2015 às (23:32)

Apesar da premissa não ser extremamente original, eu tenho muita curiosidade de ler algo dda Jojo, porque já ouvi elogios imensos à obra da autora e à sua escrita. Achei um pouco confuso a questão do tempo dentro da narrativa, acho que ia precisar me acostumar aos flashbacks que pelo visto acompanham a trama. Gostei do fato de a histórias perpassar três gerações de uma mesma família, acho que isso seria interessante, principalmente para que o leitor consiga se identificar com uma dessas protagonistas a ponto de querer continuar no livro.

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Gabriela Malavolta - 25, julho 2015 às (19:15)

Oi, Mi!
Embora eu já tenha dois livros da autora, ainda não li nenhum livro dela. Jojo sempre recebe grandes elogios e logo me interessei pelos seus livros. Em Busca de Um Abrigo não me despertou um grande interesse como outros, mas acho que a leitura seria válida. Moro com a minha mãe e minha vó, então acho que vou me identificar muito com as personagens. Por mais que a temática não tenha me despertado grande curiosidade, acho que seria válido acompanhar a trajetória das mulheres das três gerações e quem sabe enxergar um pouquinho de mim ou da minha mãe ou da minha vó nas personagens. Beijão! Gabi 🙂

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Tamara Costa - 26, julho 2015 às (03:26)

Estou muito interessada em conhecer a escrita dessas autora mas eu acho que começarei por “a garota que você deixou pra trás”. A capa desse é linda de toda forma, uma pena que a leitura não tenha sido tão envolvente.

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Cristiane Oliveira - 30, julho 2015 às (12:36)

Oi Aione. Fiquei bem curiosa com o lançamento deste livro. Eu geralmente gosto de histórias que são contadas assim em várias épocas diferentes. Entendo que o livro tenha tido algumas passagens mais monótonas, mas pela resenha em geral, percebi que foi uma leitura bem emocionante. Fiquei ainda mais curiosa! rsrs
Beijos

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Liih Ferreira - 30, julho 2015 às (19:56)

Sinceramente esse livro me parece ser bem chatinho. Daqueles em que você passa horas em uma mesma página de tão parado, sério. Pode ser que esteja errada, mas foi o que achei. E cara tenho paciência pra isso não. E por isso mesmo tendo amado COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ vou passar esse aí.

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Fernanda Mendonça - 30, julho 2015 às (21:05)

Oi!!!
Eu ando ouvindo falar bastante desse livro recentemente, mas ele não me chama atenção..Não é o tipo de leitura que me prende a menos que seja muito boa e envolvente e, como não parece ser exatamente o caso, eu prefiro não gastar meu dinheiro com isso hehehe

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cleidy ribeiro - 24, fevereiro 2016 às (01:08)

concordo planamente sobre o livro ter deixado incompleto ,apesar de ter gostado de de dois dos seus livros .Acho que deixar incompleto é uma características da autora .Li como era antes de você,me apaixonei ,me inconformei , e me emocionei .Não aguentei e comprei o livro de sequencia ,Depois de você.,e quando acho que ela finalmente vai dar um final feliz a LOU ,ela separa ela do sam . Também gostei muito apesar de ter deixado algumas brechas .Com certeza não comprarei mas nenhum livro dela .É muito cansativo ,frustrante ,e as vezes confusos ,

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