[Resenha] Persépolis - Marjane Satrapi | Minha Vida Literária
28

ago
2015

[Resenha] Persépolis – Marjane Satrapi

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Título: Persépolis
Autor: Marjane Satrapi
Editora: Quadrinhos na Cia
Número de Páginas: 352
Ano de Publicação: 2007
Skoob: Adicione
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Marjane Satrapi tinha apenas dez anos quando se viu obri-gada a usar o véu islâmico, numa sala de aula só de meninas. Nascida numa família mo-derna e politizada, em 1979 ela assistiu ao início da revolução que lançou o Irã nas trevas do regime xiita – apenas mais um capítulo nos muitos séculos de opressão do povo persa.
Vinte e cinco anos depois, com os olhos da menina que foi e a consciência política à flor da pele da adulta em que se transformou, Marjane emocionou leitores de todo o mundo com essa autobiografia em quadrinhos, que só na França vendeu mais de 400 mil exem-plares. Em Persépolis, o pop encontra o épico, o oriente toca o ocidente, o humor se infiltra no drama – e o Irã parece muito mais próximo do que poderíamos suspeitar.


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Persépolis é uma HQ autobiográfica que discorre sobre a vida de uma garota iraniana e todos os percalços em meio a um ambiente opressor e formado por ideologias conservadoras. Desse modo, temos um belo relato de vida permeado por um contexto histórico riquíssimo e repleto de reflexões.

Através de uma narrativa em primeira pessoa fluida e com toques bem humorados e criativos, adentramos no mundo de Marjane. Desde os 10 anos de idade, ela compartilha conosco o modo de vida, os costumes e a rotina das meninas da sua idade nas escolas iranianas e no cotidiano do lugar. Para tal, ela discorre, por exemplo, sobre o fato dos véus terem se tornado obrigatório nas escolas e como ela e as outras meninas reagiram a essa imposição.

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Por ter uma família bastante politizada e bem instruída, desde pequena ela teve acesso a informações coerentes e criticas e, principalmente, a muitos livros, o que permitiu a ela crescer com um senso de justiça bem apurado e a desenvolver uma consciência de classe bem delimitada e importante para sua formação intelectual.

A relação de Marjane com sua família é um dos aspectos mais interessantes do livro, pois, além da preocupação que há uns com os outros em decorrência das repressões que ocorrem no país, temos também diálogos muito interessantes entre eles, seja sobre política, religião ou sobre algumas situações difíceis pelas quais passaram no decorrer da trama. É bastante interessante acompanhar a união dessa família.

Na medida em que Marjane vai crescendo, os problemas sociais do seu país também vão, a ponto dela precisar ir embora dele. Com isso, novos conflitos são inseridos na história a partir dos relacionamentos que ela vai desenvolvendo ao decorrer do tempo. Além das decepções com as pessoas ao seu redor e as desilusões amorosas, há o fato de ela ser estrangeira e ter que enfrentar inúmeras dificuldades para sobreviver fora do seu país e se adaptar, além de questões mais gerais que integram uma série de temas instigantes e repletos de conteúdo.

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Assim, acompanhamos três fases da vida de Marjane: infância, adolescência e vida adulta, as três permeadas de acontecimentos marcantes, fatos históricos relevantes e tratados de maneira clara, além de discussões importantíssimas retratadas de modo leve e direto.

A opressão e discriminação direcionadas as mulheres no Irã é um dos aspectos centrais descritos na história, e nossa personagem central protagoniza cenas revolucionárias e corajosas por busca de igualdade. De menina à mulher, passando por diferentes fases de vida, ela enfrenta muitos obstáculos e também muitas indagações em busca da construção da sua identidade. Entre erros e acertos, ela compartilha conosco o seu universo e toda a carga emocional que ele possui.

Sem dúvidas é uma leitura riquíssima e muito instrutiva, que tanto nos leva a conhecer de modo leve, e por vezes bem humorado, as dificuldades existentes no oriente, quanto, em outros momentos, nos emociona, sobretudo por relatar fatos tão opostos a nossa realidade.

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As ilustrações são em preto e branco, o traço é simples, bonito e envolvente, bem como a narrativa da autora que é dinâmica, bem escrita e de fácil compreensão. É uma leitura muito acessível a todos os tipos de leitores e que traz uma gama de debates importantes para a sociedade. Vale muito à pena conferir. Para quem se interessar há uma adaptação cinematográfica que também é excelente, no entanto, os quadrinhos trazem muito mais detalhes. É sempre uma boa pedida ler primeiro a obra e posteriormente assistir à sua adaptação, principalmente quando uma tem muito que acrescentar à outra.

Foi uma leitura excepcional e repleta de elementos atrativos, uma verdadeira aula de história com direito a conhecimento de causa e a uma visão realista e critica da realidade.





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13 Respostas para "[Resenha] Persépolis – Marjane Satrapi"

Aciclea Vieira - 28, agosto 2015 às (12:45)

Clívia,quero muito ler Persépolis,primeiro por ser uma HQ autobiográfica segundo porque vai trazer um pouco da história do Irã, através da vida da Marjane desde seus dez anos de idade ,a união que existe em sua família e todo conhecimento politico ,a discriminação a mulher,ou seja uma obra maravilhosa e rica em informações,já assisti a obra cinematográfica.Beijos!!!!

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Leticia - 28, agosto 2015 às (12:58)

OI Clivia…
Eu sempre gostei muito de livros que fazem críticas construtivas em relação ao oriente. Acompanhar uma personagem nesse universo. Não conhecia o livro, mas me interessei muito. Nunca li esse tema com quadrinhos, mas adorei a diagramação. Dica anotada.

livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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DEISE FERNANDA - 28, agosto 2015 às (21:31)

Muito interessante essa obra, sobretudo por tratar de assuntos importantes que, como você mesmo disse estão distantes de nossa realidade, no entanto sem carregar no teor dramático que envolve tais questões. Nunca li nenhum livro com quadrinhos e esse nos apresenta temas tão profundos e complexos mas com a sutileza adequada para abranger diferentes leitores ou até mesmo faixas etárias.

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Taísa - 29, agosto 2015 às (08:51)

Eu nunca li um HQ, nunca me interessei na verdade, mas estou gostando da ideia de ler um. Esse parece ter uma história muito boa e que acima de tudo nos enriquece com fatos reais.

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Maria Alves - 29, agosto 2015 às (16:12)

É muito interessante saber como é o modo de vida das mulheres em outros países e tem livros que nos mostram isso, muitas vezes nos surpreendemos como elas são tratadas. Mas em quadrinhos é a primeira vez que vejo com um tema muito importante na sociedade e que as vezes até desconhecemos.

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Cristiane Oliveira - 29, agosto 2015 às (22:54)

Oi Clivia. Amei a resenha deste livro. Me fez realmente desejar ler esta história. Eu gosto de relatos assim de sociedades tão diferentes da nossa, sempre fico curiosa com histórias assim. Ainda mais contada em forma de quadrinhos, que conta tudo de forma mais leve.
Beijos

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Mariele Antonello - 30, agosto 2015 às (15:55)

Achei a diagramação do livro linda demais, sua resenha está muito boa.
A história parece ser bem interessante, mas no momento não pretendo ler.

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rudynalva - 30, agosto 2015 às (23:23)

Ei Clívia!
Que maravilha de livro para desvendarmos os segredos do oriente.
Não sabia que era em HQ esse livro e fiquei encantada com a história e as ilustração.
“A dúvida é o principio da sabedoria.”(Aristóteles)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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Ana I. J. Mercury - 30, agosto 2015 às (23:29)

Que legal!! Amei! Nunca tinha lido nada sobre essa HQ, mas curti muito saber que conta uma história tão forte! Gosto muito de livros sobre guerras, política, preconceito e novas culturas, etc., e acho que esse deve ser ótimo e bem envolvente!
Já está adicionado à minha big wishlist, rs
bjoos
Ana
elvisgatao.blogspot.com

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Suzzy Chiu - 31, agosto 2015 às (00:10)

Nossa, que livro mais interessante!!
Eu adorei cada coisa que vc apresentou e a arte do livro está uma perfeição só!!
Acho que por ser mulher, eu sinto mais na pelo o que é relatado no livro e como a protagonista deve ter enfrentado cada situação politica que modificava a sua vida.
A ideia de ilustrar acho que deixa um pouco mais leve, mas a mensagem é mto clara.
Ainda bem q a familia dela é bem esclarecida e sempre deu acesso a informação.
Gostei demais da dica do livro!!

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Bruna Costabeber - 31, agosto 2015 às (09:37)

Olá Clivia,
Eu amo livros que se passam no oriente. Acho a cultura de lá riquíssima e gosto de ler sobre o tema.
Esse livro me pareceu muito interessante. Pelo que entendi, a autora aborda os temas de forma leve e acredito que a personagem deva crescer muito ao longo da história.
Gostaria de adquirir o hábito de ler mais quadrinhos, pois acho que fica ainda mais gostosa a leitura.
Adorei sua resenha e vou anotar a dica.
Beijos

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Márcia Araújo da Costa - 08, fevereiro 2016 às (15:25)

Marjane teve esclarecimentos políticos muito cedo pelo fato de pertencer a uma família de intelectuais e não aceitava o que as professoras ensinavam na escola, era questionadora e apontava todas as contradições do novo regime político que assumira o poder em seu país. Por causa de seu comportamento, os pais de Marjane temeram pela vida da filha e a mandaram para Viena sem qualquer estrutura, lá ela sofreu com a falta de um lugar para morar (chegou a morar na rua), com a xenofobia, e por não conseguir se identificar com a cultura européia. E tudo isso por ser politizada. Não seria Marjane vítima da intelectualidade de seus pais? Penso que sim, os pais dela eram politizados e não há nenhum mal nisso, mas quando o país passou a ter um regime mais repressor da liberdades civis, Marjane era apenas uma criança, eles já eram adultos e sabiam lidar com a situação, o mais prudente seria tê-la deixado com o mesmo pensamento de suas coleguinhas de turma no Irã e só dar-lhe os devidos esclarecimentos perto da idade adulta. Mas, felizmente, Marjane encontrou o seu lugar no mundo, ainda na adolescência voltou para o Irã, casou mas não conseguiu se adaptar à nova vida, formou-se em Belas Artes e hoje ela vive em Paris, onde trabalha como ilustradora e autora de livros infantis.

Persépolis é um fime fantástico, mostra-nos um Irã além das mulheres de véu e homens gritanto ou se batendo como fanáticos religiosos.

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Brenda Moraes - 17, maio 2016 às (10:31)

Quem gostou do livro, vai gostar também do filme. Está com “persépolis” e tem disponibilizado no youtube, retratar igual no livro. É muito bom.

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