[Resenha] Capitolina, O Poder das Garotas, Vol. 1 - Várias Autoras | Minha Vida Literária
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out
2015

[Resenha] Capitolina, O Poder das Garotas, Vol. 1 – Várias Autoras

Capitolina capaTítulo: Capitolina – O poder das Garotas Vol. 1
Autor: Várias autoras
Editora: Seguinte
Número de Páginas: 191
Ano de Publicação: 2015
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Textos escritos e ilustrados por garotas que buscam representar todas as jovens, inclusive as que não se encaixam nos moldes tradicionais da adolescência A revista on-line Capitolina surgiu em 2014 como uma alternativa à mídia tradicional voltada ao público feminino adolescente. Sua proposta é criar um conteúdo colaborativo, inclusivo e livre de preconceitos, abordando temas como relacionamentos, feminismo, cinema, moda, games, viagens e muito mais. Esta edição reúne os melhores textos publicados em um ano de revista, além de vários artigos inéditos e atividades interativas, para que cada leitora também ajude a construir o livro. As jovens vão encontrar conselhos, dicas, reflexões, muito apoio e, principalmente, a sensação de que não estão sozinhas.


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“Em muitas discussões sobre feminismo, já me disseram: “Que estranho você falando alto desse jeito! Você é sempre tão delicada/ calma/ tranquila. Você não é assim”. Bom, em alguns momentos eu sinto necessidade de me exaltar, peço desculpas se antes não me sentia assim (brincadeira, não peço não), mas isso mudou agora. E não tenho uma personalidade fixa, tem muitos eus dentro de mim, às vezes ao mesmo tempo, às vezes se alternando.”

página 16

 

Capitolina, O Poder das Garotas é o volume um do livro que resultou da revista online Capitolina, uma revista independente para garotas adolescentes, criada por jovens que, de alguma forma, não se sentiam representadas pela mídia. Desse modo, elas se uniram para escrever sobre diversos temas de um modo autêntico, inclusivo e despido de preconceitos. Eu já acompanhava alguns artigos da revista e achava incrível como as meninas sempre conseguiam se apropriar das temáticas propostas de forma direta e representativa da voz feminina. Quando vi que o livro havia sido lançado, não hesitei em fazer a leitura o mais rápido possível. E o que posso dizer inicialmente é: gostaria de ter tido acesso a um conteúdo como esse na minha adolescência e, sem dúvidas, se eu tiver uma filha algum dia, essa será uma leitura obrigatória para ela.
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“Não procure o príncipe encantado dos contos de fadas e comédias românticas que embalaram sua infância e adolescência. Monarquia não está com nada! Almeje pessoas que te façam rir à toa, que te acompanhem nos seus passeios, que partilhem dos seus hobbies, por mais estranhos que sejam. Pessoas que te acompanhem tanto numa noite pela cidade afora, sem rumo, quanto debaixo do edredom fazendo maratonas na Netflix e comendo brigadeiro. Ou então não almeje ninguém! A gente sempre pode ser feliz sozinha. O importante é que você esteja sendo sua própria heroína – com ou sem companhia.”

página 27

 

O livro é composto de diversos artigos, escritos por diferentes autoras e com temáticas distintas, mas que, no entanto, possuem o mesmo objetivo: debater de modo claro, sincero e acessível, o papel da mulher na sociedade, a importância do autoconhecimento e do empoderamento, e dar voz à todas aquelas garotas que, de algum modo, acharam que estavam sozinhas com suas dúvidas e conflitos. Mais do que tudo, o livro traz um conteúdo que mostra a importância de apoiarmos umas as outras enquanto mulheres, e do quanto é importante também nos apropriarmos da nossa história na sociedade para compreendermos a conjuntura na qual estamos inseridas, quebrando, assim, preconceitos e mostrando nossa força para fazermos o que quisermos e sentirmos vontade.

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“Qualquer tipo de discriminação – seja de raça, classe social, orientação sexual ou o que for – é um problema de todos nós. Uma sociedade que segrega e exclui uns e dá preferência a outros é prejudicial a todos, pois prega desigualdade e hierarquias. “

página 57

 

Um dos aspectos mais relevantes dos artigos é que eles tratam de assuntos importantes de serem debatidos, mas de um modo leve, por vezes é como se de fato estivéssemos conversando com uma amiga, nos sentimos representadas e contempladas com as temáticas discutidas. Sobre ser direcionado ao público jovem, destaco ainda mais a importância desse conteúdo ter sido tão bem desenvolvido, podendo agregar leitoras de todas as faixas etárias que em algum momento da vida passaram ou passam por situações parecidas. Para as adolescentes, contudo, diria que é o livro perfeito. Textos sobre sonhos, viagens, corpo, família, moda, artes, cinema, música, são alguns dos temas que o compõem. Há também ilustrações belíssimas e algumas atividades interativas; a cada página que virava, sentia o capricho, a dedicação e a delícia que deve ter sido produzir um material tão rico em informações, entretenimento e conteúdo de qualidade.

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Indico fortemente a leitura para todas e todos e, se quiserem uma opção de presente para adolescentes, também indico demais. Sem dúvidas ele poderá ser o melhor amigo de uma garota em diversos momentos, e será uma leitura a ser retomada, debatida e relembrada. Quem tiver curiosidade em relação à escrita das autoras que compõem o livro, pode conferir também a revista online. Se gostarem, não deixem de ler o livro; se passarem por ele numa livraria, o folheiem e sintam o capricho e o nível dos debates selecionados. Vale muito à pena!

 

“A falta ou má representatividade das mulheres na mídia é problemática porque nossas identidades são construídas a partir das imagens e possibilidades que o mundo nos apresenta. O que vemos em filmes, livros, revistas e programas de televisão exerce uma grande influência sobre nós. O que nós acreditamos ser bonito, correto ou agradável é, em geral, construído a partir dos valores que a mídia nos passa – valores machistas, racistas e heteronormativos. Por isso é importante exigirmos mais representatividade, além de procurarmos ver/ouvir/ler os grupos que são historicamente excluídos e silenciados.”

página 135

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7 Respostas para "[Resenha] Capitolina, O Poder das Garotas, Vol. 1 – Várias Autoras"

Aciclea Vieira - 16, outubro 2015 às (10:21)

Clivia,Capitolina parece ser uma coletânea do universo feminino para o público adolescente encontrarem diversos aspectos do seu interesse.O legal é que encontramos diversos temas sem preconceito e de forma autêntica.Pena que também não tive na adolescência de ter uma revista assim ,com esse tipo de conteúdo.Amei a passagem da página 27.O legal é que são várias autoras Quebrar preconceitos e não nos sentirmos mais sozinhos é maravilhoso.Que bom que os textos possuem leveza e são bem interessantes os temas debatidos.Mil beijinhos!!!

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Leticia Golz - 16, outubro 2015 às (10:54)

Oi, Clivia
Sabe que nunca tinha parado para ver do que o livro se tratava. Gostei muito dessa criação, e leria o livro sim. Deve ser bem interesse, principalmente para nós mulheres, ver o debate de outras mulheres. Acho que todas nos identificamos um pouco. Gostei dos temas que compõe também, além das ilustrações. Apesar de eu não estar vivendo alguns conflitos adolescentes, eu adorei a dica.

livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

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Mari - 16, outubro 2015 às (18:56)

Quando vi que as meninas do Capitolina tinham lançado um livro, corri atrás de um para mim. Acho super importante me informar cada vez mais sobre o feminismo, empoderamento e todos os assuntos relacionados à posição da mulher na sociedade hoje. Achei o livro muito bem caprichado, entre ilustrações e artigos escolhidos a dedo. Elas estão de parabéns!

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Deborah Holerbach Alexandrias - 16, outubro 2015 às (19:21)

Oi Clivia! Eu já sabia da existência da revista online antes e já acompanhava seu site. E foi por ela e outras razões que eu virei feminista. E foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido!
Sou uma pessoa muito mente aberta e achei ótima a iniciativa da revista em abordar não só temas sociais mas como o que se passa dentro de uma mente adolescente, seus conflitos e desejos, e como elas reagem ao julgamento da sociedade. E a revista ensina isso, a como passar por esses conflitos, a como se amar mais e amar e respeitar ao próximo como ele é. A ter opiniões próprias e saber respeitar a dos outros. É uma busca frenética sobre o descobrir a si mesmo e do que somos capazes.
Com certeza irei procurar o livro para comprar!
Beijos!

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Diane Ramos - 16, outubro 2015 às (20:28)

Oi …
Adorei sua resenha !
O livro parece ser bem bacana , principalmente por esse lado feminino 🙂
Já anotei nos desejados …
Beijos

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Maria Alves - 24, outubro 2015 às (17:58)

Esse livro parece ser uma graça, concordo ideal para dar de presente. Adorei as ilustrações. O tema é muito importante, onde retrata o papel da mulher na sociedade, o preconceito e muito mais. Deve ter muitas dicas boa nesse livro.

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Karla - 21, dezembro 2015 às (22:45)

Maravilhosa essa dica. Como eu queria meu deus que as garotas da periferia,do campo, sem condições financeiras pudesse ter acesso a um livro desse.Se esses políticos corruptos distribuissem nas escolas… Eu não tive na minha adolescência e de fato sinto um impacto.
Obrigada por te-lo divulgado em seu blog.

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