Delírios Sobre A Violência Contra A Mulher | Minha Vida Literária
04

nov
2015

Delírios Sobre A Violência Contra A Mulher

Após a leitura de Delírio, de Lauren Oliver, fiz um post com minhas reflexões e o chamei de Delírios Após “Delírio”. Tive uma boa resposta dos leitores e, alguns, me pediram para “delirar” mais vezes.

 

Recentemente, li No Escuro, um thriller psicológico perturbador que trata, dentre outros assuntos, da violência contra a mulher e de relacionamentos abusivos. Coincidentemente, presenciei uma conversa entre duas mulheres no trem enquanto realizava a leitura da obra, o que despertou em mim diversas reflexões ligadas aos diferentes tipos de violência que acometem as mulheres.

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Próximas de mim, duas amigas – mulheres na faixa de seus 40 anos – conversavam e, em determinado momento, passaram a falar sobre empregos e as dificuldades econômicas enfrentadas pela população brasileira. Falaram, então, sobre uma amiga empresária, dona de uma loja, e sua atual decisão: a de parar de contratar mulheres. Segundo elas, os motivos para isso seriam: homens não fazem “corpo mole” no trabalho e, se necessário, fazem o trabalho pesado, como o de carregar caixas, além de “não ficarem fazendo fofoca e intriguinhas”; não faltam por “qualquer besteira” (palavras delas), e o exemplo de um motivo de falta dado por elas foi o cuidado aos filhos; e, por último, não é necessário pagar licença maternidade aos homens. Sendo assim, elas concordaram com a sábia decisão de que essa, além de eficiente, é também bastante econômica, e que infelizmente é preciso tomar medidas assim atualmente. “É assim que tem que ser.”

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Fonte: Literamaníaca

Foi impossível não me sentir revoltada. Já seria infinitamente triste ouvir isso da boca de um homem sobre a decisão de outro homem, mas envolver mulheres tornou tudo ainda pior, e mais urgente, para mim, a necessidade da criação de mais debates e de reflexões sobre nossa sociedade culturalmente machista e a importância do feminismo. Assim, decidi fazer esse post, compartilhando com vocês as reflexões despertadas por essa conversa que ouvi.

Em primeiro lugar, associar “fofoca” e “corpo mole” ao comportamento feminino, além de sexista, é completamente errôneo. Ser fofoqueiro ou preguiçoso não é uma questão de gênero, e sim características individuais que podem ou não pertencer a qualquer pessoa, sem que seja possível fazer uma generalização como essa. Só para ilustrar, darei um exemplo pessoal. Depois de me formar em Nutrição, trabalhei por um ano e meio na parte administrativa de uma escola, na unidade de Educação Infantil. A equipe era predominantemente formada por mulheres, sendo apenas dois funcionários homens. Quando comecei a namorar, levei um tempo para contar para minhas colegas que eu estava saindo com alguém. Porém, quando resolvi compartilhar com elas, elas já sabiam. Sabiam, inclusive, detalhes como meu namorado abrir a porta do carro pra mim, beijar minha mão, e coisas do tipo, porque a “rádio patrulha” do colégio, ou seja, os dois homens, já haviam visto e compartilhado com as demais funcionárias. E essa foi apenas uma das situações de fofocas, não veiculadas por mulher alguma. Vale dizer, também, que perdi as contas das vezes em que houve reclamações justamente sobre esses dois homens não estarem fazendo o trabalho direito, sobre estarem, precisamente, “fazendo corpo mole”, enquanto a maioria das mulheres daquela unidade trabalhava com afinco.

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Preocupante, também, é problematizar a questão da força física. Por questões físicas e biológicas, homens – na maioria dos casos – são mais fortes do que as mulheres. Esse é um fato, não um problema, e ainda assim existem exceções.

A segunda questão – a das faltas, principalmente se ligadas aos filhos – é uma das mais relevantes. Novamente, associar que um número maior de faltas “por qualquer besteira” acontece com as mulheres é absurdo, aleatório e completamente vago. Porém, se falarmos que mulheres faltam mais no serviço por conta de seus filhos, serei tristemente obrigada a concordar – tristemente não por dar razão à dona da loja, mas pelas questões envolvidas nesse fato.

Ainda é dado à mulher o papel de cuidar de seus filhos, quando essa deveria ser uma tarefa igualmente divida entre pais e mães. É responsabilidade da mãe cuidar da criança quando ela adoece. É responsabilidade da mãe frequentar uma reunião de “PAIS e mestres”. É responsabilidade da mãe qualquer coisa ligada ao filho. Se um pai assume essas tarefas, ele “ajuda” a mãe. Não deve ser assim. Qualquer tarefa doméstica ou relacionada à criação dos filhos feita por um pai não pode e não deve ser vista como “ajuda”, porque são de responsabilidade dele tanto quanto são da mulher. Isso falando em divisão de tarefas. Se por um acaso um casal concordar, por exemplo, em que a mulher não trabalhe fora para assumir essas tarefas, tudo bem, desde que seja uma escolha e uma preferência da mulher, não porque só caiba a ela fazer isso. Um homem pode, igualmente, ser aquele que ficará em casa, enquanto a mulher é quem sai para trabalhar.

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Fonte: Blog da Marcha Mundial das Mulheres

Mas, até agora, falei apenas dos casos em que há um pai cuidando da criança ao lado da mãe. Uma situação extremamente comum é que a mulher seja mãe solteira, e aí só caberá a ela cuidar de seu filho. Entre o filho e faltar no trabalho, adivinha qual será a escolha dela? Aqui, entramos em mais uma questão. Quando uma mulher engravida no Brasil, mesmo que contra sua vontade, a decisão de ser mãe já foi tomada por ela, visto que o aborto não é legalizado. Um homem, por sua vez, pode escolher ser pai, porque nada o impede de abandonar a mulher que ele engravidou, podendo facilmente não assumir seu próprio filho.

Sempre fui contra o aborto e continuo acreditando que eu jamais seria capaz de abortar. Para mim, há vida desde a concepção, e eu não conseguiria viver tranquilamente com minha consciência sabendo que cometi um aborto. Porém, digo isso porque, por mais difícil que fosse lidar com uma gravidez indesejada, tenho absoluta certeza de que eu teria o apoio emocional e financeiro da minha família e do meu namorado. Quem sou eu para ser contra o aborto no caso de pessoas que vivem realidades completamente opostas à minha? Quem sou eu para ser contra algo simplesmente por uma crença pessoal? Se o aborto for legalizado e eu for contra, basta que eu não o faça, não cabe a mim julgar ou decidir por qualquer outra pessoa que não eu mesma. Também, se sou a favor da vida, não posso me esquecer da vida pré-existente à concebida: a da própria mulher em questão, já que muitas não sobrevivem à forma de como o aborto se dá no Brasil.

Ainda, legalizar o aborto não é o mesmo que incentivá-lo, mas sim dar bases para que ele seja corretamente realizado, com o apoio necessário às mulheres que por ele optarem e/ou que dele precisarem, inclusive com acompanhamento psicológico antes e após o procedimento – ingenuidade (para não dizer “idiotice”) acreditar que ele não traz nenhum tipo de impacto psicológico/emocional na mulher. A legalização do aborto é uma questão de saúde pública, acima de tudo, e há diversos estudos apontando para todas as melhorias observadas em vários países que o legalizaram, inclusive na diminuição da criminalidade anos após tal aprovação e no próprio índice de abortos realizados nesses países. A partir do momento em que ele é legalizado, torna-se possível discuti-li mais abertamente, bem como discutir outras opções que não o incluem, possibilitando às mulheres pensarem com mais clareza e segurança sobre a questão.

Vale ressaltar, também, que abortos acontecem independentemente de serem ou não legalizados e, enquanto mulheres de maior aquisição financeira são capazes de realizá-los com segurança simplesmente por poderem pagar por eles, a maior parte das mulheres que abortam é pobre e precisa se submeter a clínicas clandestinas e a métodos arriscados, que colocam em risco sua própria vida. Seria fácil dizer “simples, então não abortem”, mas isso seria o mesmo que ignorar os motivos que levam uma mulher a desejar o aborto. Debater sobre gênero é também levar em conta a questão das classes no Brasil, e fechar os olhos para todos esses fatos seria, no mínimo, estupidez da minha parte, além de uma ignorância injustificada: as informações sobre o assunto estão todas aí, basta apenas lê-las.

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Por fim, e tão problemática quanto a questão anterior, é a licença maternidade como motivo para uma não contratação de mulheres. Esse é um retrocesso gigantesco, uma ofensa completa aos direitos femininos tão arduamente conquistados. É um conceito tão absurdo quanto a defesa da ideia de que é justo que homens tenham salários maiores do que as mulheres já que não recebem licença maternidade. Aliás, só para lembrar, as mulheres, exercendo os mesmos cargos e cumprindo as mesmas funções, recebem menos do que os homens, um fato estatisticamente comprovado, simplesmente por serem mulheres. Dessa maneira, o fato de ter sido proferido por mulheres sobre a decisão de uma terceira mulher torna ainda mais gritante toda a problemática: as três mulheres em questão são tão vítimas da sociedade, infelizmente, machista, opressora e patriarcal na qual vivemos que não são capazes de compreenderem que também sofrem com o sistema operante. É por isso que as discussões de gênero são fundamentais desde a formação das crianças, desde pequenas, e deve ser incentivado nas escolas e fora delas. E não, isso não é uma espécie de doutrinação.

Só para resumir: vamos imaginar uma mulher que não tome anticoncepcional, ou porque optou por não tomá-lo, tendo em vista seus muitos malefícios, cada vez mais amplamente divulgados, ou por qualquer outro motivo possível. Vamos imaginar uma situação de sexo casual e consensual (porque falar de estupro seria outro assunto), no qual ou o preservativo utilizado pelo homem estourou, ou o homem não quis utilizá-lo (muitos alegam desconforto ou simplesmente não gostam de usá-lo. Cada vez mais, desde o surgimento da pílula, tem sido imposto à mulher o uso do contraceptivo, ainda que tomar anticoncepcional não previna a contração de qualquer DST), e a mulher, desconfortável em contrariá-lo (o que é bem comum), acaba aceitando que ele não utilize. Ou, simplesmente, não havia um preservativo. Por qualquer motivo, ela não toma a pílula do dia seguinte (outro potencial malefício à saúde feminina, quando indevidamente ingerido). Ela acaba engravidando. Ele não quer assumir a criança e desaparece. Ela tem que lidar com uma gravidez indesejada, uma potencial rejeição da família (dependendo de suas condições) e julgamentos do tipo “Como VOCÊ não se cuidou?” (porque, nessa hora, a culpa é dela) ou “Que vadia”, por ter feito sexo casual. Se ela já vive dificuldades financeiras e está desempregada, grávida é que ela dificilmente encontrará emprego; que empregador contratará alguém que terá que sair de licença maternidade? Se ela já trabalha, pode vir a encontrar dificuldades em seu serviço, já que sua gravidez pode ser vista como um empecilho ao empregador naquele momento. Depois da criança ter nascido (e pulando uma série de outros problemas que podem existir) e ter completado quatro meses, essa mãe retorna ao seu trabalho, já tendo, possivelmente, se preocupado em ter que resolver problemas como quem poderia cuidar da criança (Avós? Outros parentes? Alguma creche?). A partir daí, qualquer assunto envolvendo seu filho afetará diretamente sua vida, inclusive seu trabalho. Se seu filho acaba tendo problemas de saúde, sendo necessário que ela falte repetidas vezes no trabalho, segundo à visão da dona da loja, é melhor despedi-la, aumentando ainda mais a carga de problemas dessa mulher, que agora, além de tudo, não terá como prover seu próprio sustento e o de seu filho. Essa mulher, tão responsável quanto seu parceiro durante a concepção (ou ainda menos responsável do que ele), não teve opção sobre sua gravidez (diferentemente do parceiro), foi culpabilizada por ter engravido, precisou arcar com todos os problemas sozinha, teve sua vida por completo modificada e, no que diz respeito aos seus direitos trabalhistas, ainda é vista como “empecilho” ou “gasto financeiro” para a empresa.

Assim, não vamos discutir sobre os papeis atribuídos à mulher na sociedade. Não vamos discutir seus direitos (ou a falta deles). Não vamos discutir todas as dificuldades enfrentadas por mulheres e que não acometem os homens. Não vamos, sequer, nos colocar na posição de alguém que enfrente ainda mais problemas do que nós já enfrentamos por conta de diferenças socioeconômicas. Não. Vamos ignorar tudo isso e vamos inferiorizar a mulher, mesmo sendo mulheres, sem termos noção de que falamos de nós mesmas, e vamos continuar contratando mais homens e pagando salários maiores a eles. É mais fácil, mais econômico e requer muito menos reflexões.

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“Eu sou mais forte do que o medo” || Fonte: Capricho

A violência contra a mulher não é apenas a enfrentada por Catherine, protagonista de No Escuro. A violência contra a mulher se faz no dia a dia, a cada vez que um direito dela é ignorado, subestimado, desrespeitado e violado, porque isso é o mesmo que ignorá-la, subestimá-la, desrespeitá-la e violá-la. Se você ainda acha que o feminismo não é necessário ou que ser feminista é exagerado (sem contar o pejorativo “feminazi” tão frequente por aí), você certamente ainda não entendeu esse gravíssimo problema histórico-cultural enfrentado pelo sexo feminimo. Se você é mulher e pensa assim, o problema é ainda mais alarmante: você nem ao menos está consciente de seus próprios direitos e das agressões que sofre, diariamente, simplesmente por ser mulher.

*Observação: Esse post foi escrito antes da prova do ENEM/2015, que trouxe o “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira” como tema da redação. Achei pertinente, contudo, utilizar parte do tema como título do post, considerando sua relevância em nosso contexto atual.

 





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22 Respostas para "Delírios Sobre A Violência Contra A Mulher"

Bruna Martins - 04, novembro 2015 às (09:18)

Que linda matéria…não poderia deixar de comentar!

Eu acho que um dos principais papeis dos livros e blogs literários é tratar de temas sérios.
Algumas obras trazem isso de maneira real (como o caso de Malala no tema violência doméstica) outros de maneira mais leve (como Cheio de Charme também nesse mesmo assunto), mas qualquer abordagem é válida.

Sou uma feminista de alma e coração. Acredito que a mulher deve ser independente, forte e livre. Não digo que somos melhores que os homens em nada, mas acredito na equiparação entre os gêneros, cada um com suas peculiaridades, mas com os mesmos direitos enquanto pessoas.

Você tocou em temas forte e polêmicos sem medo, como o aborto, por exemplo. E eu não poderia estar mais feliz com isso. Quantas mulheres morrem em clinicas clandestinas em prol de uma fachada machista que acredita que coibir a prática do aborto irá impedir aquelas que realmente desejam realizá-lo. Não é questão de ser “a favor”, mas de encarar a realidade.

Amei, parabéns! Me senti representada enquanto mulher com suas palavras Mi!

Mil beijos

Responder

Aione Simões 04 nov 2015

Oi Bru!
Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado! Achei bastante importante escrever e compartilhar aqui!
Eu preciso muito ler o livro da Malala, ainda não fiz isso (a Clívia leu e resenhou aqui!), mas gostei de Cheio de Charme principalmente por trazer essa temática. Gosto muito, alias, de como a Marian aborda várias questões problemáticas nos livros dela e de forma leve!
E você está coberta de razão! Sempre me posicionei de forma contrária à legalização por ser difícil para mim aceitar o aborto em si. Porém, vim lendo muito sobre o assunto nos últimos tempos e fui compreendendo melhor a questão como algo social. Achei importante, aliás, ressaltar isso, de eu anteriormente ter essa postura, porque sei que é um assunto polêmico e que causa resistência ainda em boa parte das pessoas.
Enfim, fico feliz em ter conseguido atingir meu objetivo com o texto 🙂
Beijos!

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Aciclea Vieira - 04, novembro 2015 às (11:56)

Aione,com certeza delire mais vezes.É muito importante refletirmos sobre a mulher e a violência que supostamente pode -se chegar a ela.Existe sim muitas discriminações exatamente como essa empresária ,que rotulou todas as mulheres como corpo mole,fofoqueira,cuidadora de filho,sem contar no pagamento licença maternidade.Pensei,que empresaria é essa esqueceu-se que é mulher ,,pois na minha opinião ela diminuiu-se juntamente com suas ideias pré concebidas.Concordo que existam pessoas de ambos os sexos que possuam essa característica.Amei saber da sua experiência na época em que trabalhou em uma escola na parte administrativa e presenciou fatos realmente que reforçam que essa teoria e visão sexista é totalmente errônea.Os direitos tem que ser divididos entre o casal em comum acordo.Concordo que aborto é o mesmo que matar,essa é minha opinião também.Infelizmente a violência a mulher é feita no dia a dia.Concordo com o feminismo no sentido de defender os direitos da mulher.Mil beijinhos!!!!

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Mari - 04, novembro 2015 às (12:57)

Maravilhoso o texto. Gostei especialmente das suas razões de, apesar de ter uma crença contrária ao aborto, ainda assim apoiar a sua legalização por entender que essa é uma escolha pessoal, o que é a mais pura verdade. Não podemos julgar as pessoas que vivem uma realidade diferente da nossa, nem tentar forçar nossas crenças em todos.
E sim, é triste quando uma mulher acaba aceitando os argumentos de uma sociedade machista, mas a maneira de acabar com isso é ir explicando, aos poucos as pessoas vão entendendo.
Beijos
Mari
http://pequenosretalhos.wordpress.com

Responder

Aione Simões 04 nov 2015

Oi Mari!
Confesso que mudei meu pensamento sobre o aborto muito recentemente, após muitas e muitas leituras e reflexões sobre o assunto. Como você falou, temos que ir aos poucos, explicando de pouco em pouco, de forma a possibilitar uma maior compreensão entre todos!
Beijos!

Responder

Leticia Golz - 04, novembro 2015 às (14:07)

Nossa, Aione! Eu também não me conformaria ouvido isso de outra mulher, o que já seria inaceitável ouvir de um homem. Cansei de ouvir coisas parecidas também e é impressionante como as próprias mulheres tem pensamentos machistas. Concordo com as coisas que disse, e aconteceu algo bem parecido comigo, e olha que coisa: foi também em uma escola que trabalhei no setor administrativo. Coincidência ou não, tinha apenas um homem de funcionário e ele era um tanto “fofoqueiro” também, assim como algumas mulheres. Portanto, concordo que alguns “adjetivos” que dão para as mulheres, é de fato algo individual de cada pessoa, independente do sexo. O aborto é outra questão bem polêmica, e é bem fácil julgar quando nossa situação é outra, como você citou. Mas eu ainda sou uma pessoa que está “em cima do muro” para a questão da legalização, pelo menos enquanto o Brasil for um país tão precário quando o assunto é saúde. Não acredito que nosso país tem condições de oferecer a segurança necessária para quem quiser realizar o aborto. Mas, claro, espero que um dia a saúde melhore, mas infelizmente hoje não é assim.
Menina, você escreve bem demais!! Adorei a postagem, vou até compartilhar!! Me senti representada sua linda!! <3

Responder

Aione Simões 04 nov 2015

Oi Lê!
Sim, foi bastante difícil ouvir isso, e principalmente por demonstrar o quanto até nisso as mulheres acabam sofrendo com essa cultura, a ponto que muitas não conseguem enxergar todos esses problemas.
Mudei muito recentemente meu posicionamento sobre o aborto e entendo seu ponto de vista, de fato é uma preocupação. Porém, acredito que o Brasil daria conta sim, ao menos minimamente. A situação como se dá já é tão absurdamente precária e preocupante que qualquer assistência mínima, ainda que não ideal, já melhoraria o nosso quadro atual. São mudanças que precisam acontecer, ainda que aos poucos.
Muito obrigada mesmo por suas palavras! <3
Beijos!

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Larissa Pinheiro - 04, novembro 2015 às (15:07)

Olá, Aione!
Meu Deus, que DELÍCIA ver um texto desse em um blog que admiro tanto e que sempre procuro acompanhar. Você acaba de aumentar mais ainda minha admiração por você. É indiscutivelmente emocionante e animador ver um texto de alguém que você admira levantando questões e problemas que você mesma questiona e ainda por cima concordando com os mesmos pensamentos que você possui a respeito. Me senti representada como mulher feminista em seu post e não tenho outro sentimento para descrever o que ele me causou: ALEGRIA!
Parabéns, continue expondo suas reflexões assim, você contribui para que mais mulheres possam abrir seus olhos para esse problema gritante que é a desigualdade de gênero.

Beijos, flor!
http://atetucapitu.blogspot.com.br/

Responder

Aione Simões 04 nov 2015

❤❤❤❤❤❤

Responder

Diane Ramos - 04, novembro 2015 às (15:46)

Oi …
Amei o post !
Achei muito bacana a sua iniciativa de divulgar o tema visto que seu blog é muito conhecido.
Acho que o aborto deveria ser legalizado principalmente por essas clinicas clandestinas que diversas vezes vemos nos jornais , onde muitas vezes a mulher vem á falecer devido asos procedimentos .
Sobre o machismo , acho que só o tempo é capaz de acabar com ele … Infelizmente 🙁

Beijos e parabéns pela matéria .

Responder

Sara - 04, novembro 2015 às (16:55)

Acho mais é que esse assunto seja abordado persistentemente! O povo fica lá nas redes sociais reclamando que as mulheres só falam em feminismo atualmente… Mal sabem eles o quão mente fechada estão sendo… Fiz a prova do ENEM e creio que minha redação tenha sido boa. Falando sério, meus olhos brilharam quando eu vi o tema da redação. O pessoal ficou reclamando que não tinha como ser de esquerda, que era doutrinação… NADA A VER. ISSO É QUESTÃO DE DIREITOS HUMANOS DA MULHER! Não é feminismo nem nada disso. Na questão mais feminista que você tratou no artigo, realmente concordo. Os homens são mais fortes/resistentes fisicamente que as mulheres, e isso é fato. Mas o que a feminista quer, não é ser melhor que o homem, tem até outro “nome” que dão para mulheres que querem realmente impor que são melhores que os homens. A feminista quer a IGUALDADE, quer ganhar o mesmo salário pela mesma função. Mas acho que esse “surto” de feminismo em 2015 nas redes sociais foi muito bom para nós mulheres. Porque além de englobar a questão da igualdade, também demonstrou como nós sofremos abusos de todos os tipos e que o nosso corpo só pertence à nós e nós devemos escolher o que fazemos com ele (a roupa que vestimos, se abortamos um um filho não, etc). Abriu-se um grande debate e acho que vai ficar uma grande marca! E que nunca deixemos de lutar pelos nossos direitos! que são direitos humanos! Ahh,muito boa a referência da Malala! Vi um vídeo no filme dela em que ela dizia ao entrevistador que as mulheres eram melhores que os homens, agora estou ansiosa para ver a justificativa no filme! <3 AMEI ESSE POST DE CORAÇÃO.

Responder

Aione Simões 04 nov 2015

Oi Sara!
Exato, buscamos igualdade, e mesmo o fato de homens serem, normalmente, fisicamente mais fortes não os torna melhores. As diferenÇas biológicas entre os sexos existe, mas são apenas diferenÇas 🙂
Fico feliz que tenha gostado! <3
Beijos!

Responder

Luis Carlos - 04, novembro 2015 às (17:01)

Que post maravilhoso! Realmente, é muito triste ouvir isso de uma própria mulher. Ao invés de lutar pela igualdade, ela acaba concordado com o machismo que a sociedade prega. Uma vez, voltando para casa, eu estava num ônibus quando um motorista que estava á frente dirigia devagar, e uma mulher do meu lado disse “Isso porque é um homem, imagina se não fosse”. Isso já é triste vindo da boca de um homem, vindo da boca de uma mulher, então, nem se fala! Eu, assim como você, sou contra o abordo mas em casos de estupro, por exemplo, eu até que apoio. Falando sobre o salário do homem ser maior do que o da mulher, eu acabei me lembrando sobre o recente texto que a Jennifer Lawrence (Rainha <3) publicou recentemente. No texto, a Jenn citou sobre o preconceito que existe em Hollywood, do ator ganhar mais do que a atriz, sendo que eles exercem o mesmo trabalho. Um exemplo disso foi Joy, filme que ela gravou, e que ainda irá estrear. Além disso, após e-mails vazados da Sony, foi descoberto que no filme Trapaça, a Jennifer ganhou menos que os outros atores que ela estava trabalhando! Infelizmente, isso acontece em todos os ramos. Espero que o mundo evolua, para que um dia a igualdade exista! Amei o seu post *-*

Responder

Aione Simões 04 nov 2015

Oi Luís! Triste mesmo, mas elas não podem ser condenadas por nós, afinal também são um reflexo dessa cultura e sociedade!
E só pra esclarecer, falei que sempre me posicionei contra o aborto, mas, hoje em dia, sou a favor da legalizaÇão em qualquer circunstância, especialmente em casos de estupro!
Essa situaÇão até mesmo em Hollywood é triste demais =/
Beijos

Responder

rudynalva - 04, novembro 2015 às (20:42)

Aione!
O tema tem mesmo que ser discutido mais abertamente e disseminado.
Tremendo absurdo acho ainda em pleno século XXI se falar nesse tal divisão de atividades por sexo, aliás, em tudo.
Hoje a mudança tem sido lenta, mas tem acontecido.
Vejo muitos homens em casa, tomando conta dos filhos e da casa, porque a mulher ganha mais e consequentemente, foi mais capaz em conseguir um emprego melhor.
Aqui em casa somos ambos aposentados, mas como tenho problemas de mobilidade e a doença é degenerativa e piora a cada dia, Manoel me ajuda em tudo: faz comida, lava prato e ainda toma conta de mim…É questão de vontade e relacionamento mesmo.
Agora, quando a própria mulher é machista, o negócio fica ainda pior…Nossos direitos foram conquistados a duras penas e agora querem ‘burlar’ e colocar os homens em um patamar maior do que a mulher em termos trabalhistas, fico totalmente revoltada…
Se fosse falar tudo que penso, escreveria um texto maior que o seu, que por sinal ficou fabuloso, quero apenas deixar registrada minha indignação por essas e outras atitudes que vejo na sociedade em relação a submissão e rebaixamento da mulher.
Nós é que dominamos o mundo, somos o pescoço que comanda a cabeça…kkkk
Parabéns pelos questionamentos explícitos.
cheirinhos
Rudy

Responder

Jéssica Fernanda - 04, novembro 2015 às (22:28)

Hey Aione, realmente é muito triste ver mulheres pregando o machismo por aí, sou formada em Administração e posso agradecer por ter tido orientações na faculdade que apontavam para os benefícios de ter uma mulher no quadro de colaboradores. Sempre fui a favor do aborto, e minha frase sempre foi uma que vocÊ também utilizou no seu texto: “não cabe a mim julgar ou decidir por qualquer outra pessoa que não eu mesma”. A violência ocorre todos os dias e não está somente no estupro e na agressão fisica, ela é muito mais que isso. Não li esse livro (No escuro) ainda, mas tenho muita vontade de lê-lo.

Responder

Priscila Gonçalves - 04, novembro 2015 às (22:51)

Olá Aione, eu amei a matéria, concordo com você, e ainda acho que poderia acrescentar outras coisas, pois uma coisa que percebo é que atualmente, as mães criam suas filhas para serem totalmente independentes dos companheiros, mas quando tem filhos, criam seus filhos totalmente dependentes das companheiras, e infelizmente, o ciclo do machismo nunca termina. Eu, como mãe farei completamente diferente, assim espero, quero que meu filho cresça sabendo que fazer as coisas dentro de casa, não é ajuda, é obrigação, quando tiver um filho, não estará ajudando quando trocar uma fralda, estará fazendo a parte dele.

Responder

Daiele - 05, novembro 2015 às (17:33)

Olá!
Nossa, terminei esse texto suspirando. Como pode, em pleno século XXI ainda existir machismo praticado por mulheres? Mulheres que durante tempos lutaram e continuam lutando (porque essa luta por igualdade vai muito longe) por maiores direitos à sociedade?! É triste e desencorajador saber que mulheres aceitem essa diferença tão naturalmente, parece que nao vale de nada tudo o que conquistamos até hoje. Será que essas benditas não enxergam o rebaixamento que se colocam perante a sociedade?! Aí depois, veem dizer que não aceitam machismo, mal sabem elas que elas mesmas o comentem.
Acho que defender as mulheres, “falando mal” dos homens também não é certo. Mas é preciso dar exemplos de que, como vc disse, é questão de carater e não de gênero, fazer corpo mole.Onde eu trabalho, sou obrigada a levantar peso de 20 ou 25 kg todos os dias chegando a um peso final de 1000kg as vezes, e mesmo reclamando, claro, pelas dores que isso me causa, não deixo de fazer, e nem peço ajuda. Já outros que trabalham no mesmo local, ditos como homens, fogem o quanto podem de suas obrigações…
Existem pontos em seu desabafo que nao concordo com vc, mas acho que nao vem ao registra-los aqui.
Bom, vou encerrar por aqui, senao vou acabar falando o mesmo tanto ou mais do que vc, pq se existe ym assunto que me indigna é esse!

beijos

Responder

Viviana Atayde - 07, novembro 2015 às (08:43)

Quando pensamos em machismo logo vem na nossa cabeça estupro, violência doméstica, restrição econômica, submissão. Mas também existem alguns comportamentos machistas que sequer nos damos conta no nosso cotidiano como gestos que parecem inofensivos, mas na verdade roubam nossa força e nosso espaço e limitam as possibilidades das mulheres. Aquelas piadas sem graça que chega pelo WhatsApp é um ótimo exemplo. Como quando colocamos uma ideia, muitas vezes não somos ouvidas, quando nos impomos somos vistas como masculinizadas, além das desvantagens no mercado
Parabéns pelo tema abordado, devemos insistir sempre nesse assunto.

Responder

Luisa Fernandes - 07, novembro 2015 às (10:56)

Amei o texto! Um assunto tão falado no momento e ainda assim existem pessoas que não sabem diferenciar certas coisas e entender outras. Gostei muito mesmo do texto, foi o primeiro que vi em um blog literário e foi tratado de forma séria e correta. Parabéns!

Responder

Mayara R. da Cruz - 12, novembro 2015 às (15:03)

Oi aione, tudo bem?

Eu amei o seu texto e devo confessar que além de concordar com cad apedacinho dele no que refere-se ao feminismo e a busca que não devemos parar pela busca da igualdade entre gêneros também fiquei curios para conhecer o livro que despertou este texto tão profundo e do coração.

Com certeza darei uma oportunidade para a leitura assim que tiver o livro em mãos.

E continue escrevendo mais nesta coluna, achei a ideia incrível e adorarei ler mais de seus ‘delírios’.

Super beijo,
Mayara R. da Cruz
http://mayeosvicios.blogspot.com.br/

Responder

Isabella Paiva - 12, novembro 2015 às (18:10)

Oi Aione 🙂 Estou de boca aberta com esse post 😮 Você, realmente, quis dizer toda a sua opinião sobre o assunto! Em todo o seu relato, me identifiquei e concordei com você em várias partes, mas como opiniões são diferentes, e eu prezo muito o respeito sobre isso, também discordei de algumas coisas que você disse. Contudo, achei super importante e digno seu post, afinal o tema do post foi até proposta de redação do ENEM. Achei muito bom, demais! Beijos!

Responder

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