[Resenha] O Bangalô - Sarah Jio | Minha Vida Literária
17

nov
2015

[Resenha] O Bangalô – Sarah Jio

o-bangalo-sarah-jio-minha-vida-literaria

Título: O Bangalô
Autor: Sarah Jio
Editora: Novo Conceito
Número de Páginas: 320
Data de Publicação: 2015
Skoob: Adicione
Orelha de Livro: Adicione
Compare e Compre: AmazonExtra

Verão de 1942. Anne tem tudo o que uma garota de sua idade almeja: família e noivo bem-sucedidos.
No entanto, ela não se sente feliz com o rumo que sua vida está tomando. Recém-formada em enfermagem e vivendo em um mundo devastado pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, Anne, juntamente com sua melhor amiga, decide se alistar para servir seu país como enfermeira em Bora Bora.
Lá ela se depara com outra realidade, uma vida simples e responsabilidades que não estava acostumada. Mas, também, conhece o verdadeiro amor nos braços de Westry, um soldado sensível e carinhoso.
O esconderijo de amor de Anne e Westry é um bangalô abandonado, e eles vivem os melhores momentos de suas vidas… Até testemunharem um assassinato brutal nos arredores do bangalô que mudará o rumo desta história.
A ilha, de alguma forma, transforma a vida das pessoas, e este livro certamente transformará você.

o-bangalo-sarah-jio-minha-vida-literaria3

Desde As Violetas de Março me considero fã assumida de Sarah Jio, ainda que esse tenha sido o primeiro livro que li da autora; me apaixonei tanto por ele que bastou apenas uma leitura para que eu assim me declarasse sobre ela. Neve Na Primavera reforçou minha opinião sobre Jio e sua escrita, mesmo que esse não tenha me arrebatado com a mesma intensidade que o primeiro. Agora, com O Bangalô, estou ainda mais convicta de meu apreço pelas obras da autora.

A história começa com Anne, protagonista, sendo questionada pela neta acerca de seu passado durante a Segunda Guerra Mundial, quando foi enfermeira em Bora Bora. Dessa maneira, mergulhamos em sua narrativa, conhecendo sua vida anterior ao serviço prestado, os motivos de sua escolha e, finalmente, o período de quase um ano em que lá viveu. Somente nos últimos capítulos retornamos ao presente, para, assim, acompanhar o desfecho de mais esse belíssimo enredo.

 

“- É um mundo louco lá fora, Anne. Guerra. Mentiras. Traição. Tristeza. Tudo ao nosso redor. – Ele pegou meu rosto entre as mãos. – Da próxima vez que se preocupar que eu esteja me distanciando, venha aqui. Venha ao bangalô e sentirá o meu amor.

página 146

 

Confesso que, dentre as três obras de Sarah Jio, essa foi a que menos me conquistou. Na realidade, me senti um pouco distante da trama durante a narrativa de Anne, sempre em primeira pessoa, sobre sua vivência na ilha. Por mais romântica que seja a escrita da autora, encontrei certa resistência ao me envolver com todas as emoções por ela descritas: sinto que julguei a atitude das personagens, ao invés de compreendê-las, e tive uma leve sensação de superficialidade em alguns momentos da narrativa, talvez por ela não ter, de todo, me convencido nesses instantes. Ainda, muitos dos grandes mistérios da trama foram, para mim, um tanto quanto previsíveis, já que foram poucos os que não consegui imaginar antes e ter, de fato, me surpreendido com eles.

o-bangalo-sarah-jio-minha-vida-literaria1

Contudo, quando a narrativa retorna aos dias atuais e, assim, temos o impacto dos quase 70 anos transcorridos no enredo – e isso não é um spoiler, visto que o livro já se inicia nesse período -, fui tomada por todas as emoções que, provavelmente, não me assolaram durante a leitura. Senti angústia, tristeza, alegria, emoção, encantamento, enfim, um misto total de sentimentos que só poderiam resultar neles sendo transbordados através de lágrimas.

 

“- Essa guerra – continuei chorando – mudou tudo, todos nós.
– É verdade – concordou papai solenemente, estacionando o carro na garagem de sempre. Tudo era o mesmo, claro, exatamente como era quando eu fui embora. Mas não; eu sabia disso. E eu nunca poderia voltar a ser do jeito que fora antes.” 

página 229

 

Foi só quando me emocionei dessa maneira que consegui refletir melhor tanto sobre as personagens e sua atitudes, quanto meus próprios sentimentos frente a elas: na realidade, talvez meu distanciamento com a leitura tenha sido resultado de uma confusão enorme que senti sobre cada personagem, sobre cada desenrolar. Discordei de muitos acontecimentos, senti uma imensa revolta com eles – inclusive sobre decisões da própria protagonista. Entretanto, ao final, entendi que Sarah Jio conseguiu captar muito bem situações extremamente reais, visto que não é incomum que nos encontremos em situações que nos tirem de nossa zona de conforto, que nos façam agir de forma que até nós mesmos deixemos de nos reconhecer. Em O Bangalô, temos a busca pela felicidade, a dificuldade na tomada de decisões capazes de afetarem vidas inteiras, as mudanças pelas quais todos nós estamos sujeitos no decorrer de nossas existências. E todos esses ingredientes estão mergulhados em uma história de amor extremamente romântica, intensa e tão agridoce quanto histórias assim costumam ser.

Em linhas gerais, odiei O Bangalô na mesma intensidade em que o amei, e finalizei a leitura sem saber, ao certo, como me sentir sobre ela. O que sei, com certeza, é que ela mexeu comigo em diversos aspectos, e tanto suas cenas em meio a um cenário paradisíaco, tão bem visualizado por mim através das descrições de Sarah Jio, quanto os próprios horrores narrados e os fortes sentimentos, primeiramente apenas descritos; depois, despertados ao virar de cada uma das páginas, ficarão gravados em minha mente – e não se apagarão de lá com tanta facilidade.

o-bangalo-sarah-jio-minha-vida-literaria2





Deixe o seu comentário

18 Respostas para "[Resenha] O Bangalô – Sarah Jio"

Vanessa Meiser - 17, novembro 2015 às (18:11)

Nossa, que saudade de passar aqui no seu blog…

Eu li as primeiras páginas deste livro naquele encarte que a Editora enviou aos parceiros e gostei muito, fiquei com gosto de quero mais… Anotei mentalmente os pontos que você citou mas, como é a minha primeira experiência com a escrita da autora, não posso avaliar muito os livros dela. Irei lê-lo assim que chegar aqui.

Um beijo, Vanessa Meiser – Retrô Books
http://balaiodelivros.blogspot.com.br/

Responder

Aciclea Vieira - 17, novembro 2015 às (19:53)

Aione,quero muito ler esse livro pois sua premissa me chamou muita atenção.Além do Romance ,contexto de Segunda Guerra.Pena que você achou a narrativa superficial no início,mas achei muito emocionante ter te levado as lágrimas no final,amei saber que foi uma relação de amor e ódio com a obra e que ela não se apagará com facilidade de suas lembranças.Beijos!!!

Responder

rayane colomes - 17, novembro 2015 às (21:45)

aina nao tive a oportunidade de conecer a autora porem pretendo começar por neve na primavera..achei bem legal este tipo de leitura que tem a decada de 1930 como enfoque e cenario.. porem confesso que fiquei esperando um pouquinho mais de bangalo e pela sua resenha creio que nao vou me interessar nao

Responder

Diane Ramos - 18, novembro 2015 às (16:52)

Oi …
Tenho muita vontade de ler algo dessa autora !
Só que vou começar por “Violetas de março” por ser o mais aclamado da autora rsrs
Beijos

Responder

Priscila Gonçalves - 19, novembro 2015 às (14:40)

Eu amo os livros da autora, e estou muito ansiosa para ler O Bangalô, e de acordo com o que li em sua resenha, tenho certeza que não irei me decepcionar.

Responder

Maria Alves - 20, novembro 2015 às (15:28)

Ainda não li nenhum livro da autora, mas depois dessa resenha fiquei com vontade de ler o Bangalô um livro que te fez chorar, que amou e ao mesmo tempo odiou, despertou meu interesse rs. E tem muito mais cheio de sentimentos e emoções. É uma pena que grande parte dos mistérios foram desvendados antes, adoro tentar desvendá-los e quanto mais tempo levo mais devoro o livro.

Responder

Sara - 20, novembro 2015 às (22:20)

Nunca li nada da autora e quando vejo livros do estilo me desanimo D: não fazem o meu estilo MESMO. Mas que bom que você gostou e que foi emocionante pra vc <3

Responder

rudynalva - 22, novembro 2015 às (01:13)

Aione!
Sou fã da autora também, já li os dois livros anteriores e gostaria de ler esse.
Gosto do artifício de passado e presente e gosta ainda mais quando ela intercala passado e presente, fico tão envolvida que não percebo que ela passa de um a outro.
“Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.”(Millôr Fernandes)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

Responder

Jéssica Fernanda - 28, novembro 2015 às (18:34)

Meu top 10 de favoritos deve ter uns 6 livros que tratam de guerra, perseguição ou nazismo, simplesmente amo esse tipo de narrativa, porém ao mesmo tempo, não gosto de história contada, quando intercalam entre passado e presente, isso acontece nesta obra Aione?

Responder

Aione Simões 30 nov 2015

Oi Jéssica!
Não exatamente. A história começa no presente, retorna ao passado e só quase ao final volta para o presente. Então há essa mudança de tempo, mas não intercalada entre os capítulos!
Beijos!

Responder

Isabella Paiva - 30, novembro 2015 às (14:43)

Oi Aione 🙂 Eu não conhecia a autora, mas o livro sim, pois ele é um lançamento. É a primeira vez que leio algo sobre o livro e gostei bastante! Estava meio perdida em relação a história e a resenha me ajudou bastante a entender mais!

Responder

Lindsay Leão - 10, dezembro 2015 às (20:38)

Nossa, a última linha da sinopse me deixou verdadeiramente interessada nesse livro, “o bangalô” parece ser bem interessante, pelo menos é o que a sinopse fez parecer.
Entendo que você não tenha gostado tanto assim desse livro e gostado mais dos outros dois da autora. Mas, eu que nunca li Sarah Jio fiquei bastante curiosa com esse enredo.
Beijos

Responder

Dani - 07, janeiro 2016 às (09:53)

Sua resenha é perfeita! Foi exatamente assim que me senti após 3 dias lendo O Bangalô.
Revolta e lágrimas no final…
Continuo pensando nele e digerindo a situação!
😘

Responder

Thayna - 28, janeiro 2016 às (05:33)

Ola..Acabei de ler o livro,agora as 6 e pouco da manha rs..Fiquei com olhos vermelhos d chorar,nossa..O livro do começo ja me cativou..Chorei com a possibilidade do Westry morrer em combate,sofri na despedida,fiquei tensa em pensar q a Kitty podia estar traindo a melhor amiga..E claro rs,odiei a vadia da Kitty,ela mudou o rumo das vidas d todos..Odiei a Mary tmb,por ter se matado sem entregar o bilhete..Odiei a Anne tmb,poxa se fosse eu entraria com td na enfermaria em cima das tamancas,disposta a esbofetear a Kitty e olhar nos olhos do meu amado e ouvir dele q ele nao me queria..Revolts total..Deu muita dó dele,ele foi o mais injustiçado..O final é belo,mas triste..Quanto tempo eles perderam,um amando o outro e distantes..

Responder

Cleide Silva - 11, fevereiro 2016 às (23:31)

Comprei o livro ontem e já concluí hj…comi as páginas. É uma grande história. Agora vou ler outros livros da autora. Amei sua resenha.

Responder

kelen - 19, outubro 2016 às (10:01)

Esse livro é simplesmente incrivel, sensacional, maravilhoso. Me envolvi, me emocionei, chorei e ri juto com Anne. Super indico.

Responder

Kathleen Heshyleen - 22, março 2017 às (22:51)

Gostaria muito, muito mesmo de uma informação importante. Quando acabei de ler o livro fiquei muito envolvida com a história, tão envolvida que parecia tão…tão real, e quem sou pra está falando disso né, apenas com 16 anos de idade, se torna engraçado.
Mas, eu literalmente amei o livro ” o bangalô ” vou ler ele sempre que sentir saudades dessa história tão perfeita. Apesar, de que será difícil de sentir saudades de uma história magnífica. Mas isso, no entanto, não vem ao caso, só queria mesmo esclarecer que eu amei ele muito mesmo. E queria saber se é uma história baseada em fatos reais, pois li os agradecimentos, desde o primeiro parágrafo até o último ponto dos agradecimentos, e fiquei com dúvida imensa. De que, se era real, poderia me tirar essa dúvida ? Ficaria muito grata.

Responder

Aione Simões 23 mar 2017

@Kathleen Heshyleen, olá! Pelo que ela diz nos agradecimentos, ela teve inspirações reais para a história (como ter passado férias em um bangalô ou ter lido diários da guerra do tio dela), mas também fala sobre ideias criativas que recebeu. Então, ao que tudo indica, é apenas uma obra de ficção mesmo!
Beijos!

Responder

Últimas Resenhas

Minha Vida Literária • todos os direitos reservados © 2017 • powered by WordPress • Desenvolvido por Responsivo por