[Resenha] O Amante Japonês - Isabel Allende | Minha Vida Literária
01

dez
2015

[Resenha] O Amante Japonês – Isabel Allende

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Título: O Amante Japonês
Autor: Isabel Allende
Editora: Bertrand Brasil
Número de Páginas: 294
Data de Publicação: 2015
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Uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos. Em 1939, ano da ocupação da Polônia pelos nazistas, Alma Mendel, de oito anos, é enviada pelos pais para viver em segurança com os tios em São Francisco. Lá, ela conhece Ichimei Fukuda, filho do jardineiro japonês da família. Despercebido por todos ao redor, um caso de amor começa a florescer. Depois do ataque a Pearl Harbor, no entanto, os dois são cruelmente separados. Décadas depois, presentes e cartas misteriosos são descobertos trazendo à tona uma paixão secreta que perdurou por quase setenta anos. Varrendo através do tempo e abrangendo diferentes gerações e continentes, ‘O amante japonês’ explora questões de identidade, abandono, redenção, e o impacto incognoscível do destino em nossas vidas.

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Isabel Allende figurava há um bom tempo na minha lista de autores cujas obras eu pretendia conhecer, e finalmente tive a oportunidade de lê-la agora, com O amante japonês, lançamento da editora Bertrand Brasil.

Desde o início da obra, fica claro ao leitor suas peculiaridades. A narrativa, sempre em terceira pessoa, se altera de acordo com a visão de diversas personagens, ao mesmo tempo em que várias histórias são narradas ao longo da trama, ainda em que haja um foco maior na de Alma, senhora que vive há três anos em uma casa de repouso para idosos, onde Irina, uma jovem enfermeira, a conhece. Quando Irina e Seth, neto de Alma, ficam amigos e deparam-se com misteriosas cartas e presentes enviados à idosa, partem em uma busca sobre seu passado, no qual descobrem uma paixão resistente a quase 70 anos.

 

“Com Ishimei, descobriu as múltiplas sutilezas do amor e do prazer, desde a paixão desenfreada e urgente até os momentos sagrados em que a emoção os dominava e eles permaneciam imóveis, deitados frente a frente na cama, fitando-se longamente, agradecidos por sua sorte, humildes por terem tocado o mais profundo de suas almas, purificados por terem-se desprendido de todo artifício e por jazerem juntos totalmente vulneráveis, em tal êxtase que já não podiam distinguir entre o gozo e a tristeza, entre a exaltação da vida e a tentação doce de morrer ali mesmo, para não se separarem mais.

página 155

 

Como mencionado, são muitas as histórias contadas aqui. Retornamos ao passado diversas vezes, de forma a ser possível conhecer a infância de Alma e seus dois grandes amores, Ishimei e Nathaniel; os horrores da Segunda Guerra Mundial, bem como todo o preconceito racial envolvido na época; as origens e os traumas de Irina; além de toda a trajetória das personagens principais – e algumas secundárias, ainda que atreladas às protagonistas – com o passar dos anos.

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Ao mesmo tempo em que a escrita de Isabel Allende traz consigo momentos de ironia, há também outros em que beira quase uma objetividade ao narrar os acontecimentos, talvez por sua capacidade de recriar tão detalhadamente bem os fatos históricos presentes no livro. Mas, sobretudo, há uma sensibilidade e uma intensidade em sua escrita, que podem parecer paradoxais se aliadas às primeiras características, capazes de conferir à obra uma singularidade e identidade próprias, sobretudo por todas essas qualidades estarem ligadas à própria figura e complexidade de Alma.

“Não reconhecia muitas das pessoas nas fotos, gente sem importância de seu passado, que podia ser eliminada. Nas outras, as que Irina colava nos álbuns, era capaz  de apreciar as etapas da sua vida, o passar dos anos, aniversários, festas, férias, formaturas e casamentos. Tratava-se de momentos felizes; ninguém fotografava as dores.” 

página 182

 

O que Isabel Allende faz, acima de contar uma história, é explorar as contrárias singularidades da psique humana, aprofundando-se nos dilemas, escolhas e obstáculos enfrentados por suas personagens. Independentemente das situações narradas, a autora permite uma compreensão das figuras por ela criadas, tão sujeitas aos mais complexos e intensos sentimentos quanto qualquer um. Em O amante japonês, são trabalhadas questões como a construção de identidade, inseguranças e redenções; acima de tudo, há a persistência e vitória do amor mesmo frente às adversidades impostas diariamente ao exercício de viver.

Em linhas gerais, O amante japonês foi uma leitura que fiz com calma, absorvendo cada passagem e os pesos advindos delas. Isabel Allende me proporcionou momentos de reflexão, leveza e, até mesmo, indignação e revolta, mas diminuídos pela admiração por seu talento e pela intensa emoção, possível, apenas, quando nos deparamos com a representação do mais belo e sincero amor.

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17 Respostas para "[Resenha] O Amante Japonês – Isabel Allende"

Louren Courthiney - 02, dezembro 2015 às (16:02)

Hello Aione! I enjoyed your review of this book! It seems to be very interesting, from what I saw. I hope you have understood what I wrote, because I don’t speak in Portuguese, but I translated the blog so I can understand your review!
Kisses!!

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Maria Alves - 02, dezembro 2015 às (20:32)

Parece ser uma historia de amor muito fofa, nossa quase setenta anos é muiiiiiiiito tempo rs. Mas o verdadeiro amor persiste. Os temas abordados são bem interessantes a guerra, o preconceito, deve nos levar a refletir, ainda mais que esses assuntos existem até hoje. Gostei do livro e pretendo ler.

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Juliana Mattos - 02, dezembro 2015 às (21:07)

Não gosto de pessoas na capa, mas essa, preciso confessar, ficou linda! Nunca tinha ouvido falar do livro antes, logo eu que gosto tanto de uma boa história de amor, atrelada a Segunda Guerra Mundial então… Já quero! ;*

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rayane colomes - 03, dezembro 2015 às (09:55)

gostei das tramas e historias em si.. porem nao me agrada isto de ter mtas historias e varias versoes espalhadas pelo livro… a capa é linda. e parece ser um livro apaixonante.. porem nao faz mto meu estilo..nem me agrada mto..porem a historia parece ser mto emocionante. tanto de alma quanto de seu neto..

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Larissa Oliveira - 03, dezembro 2015 às (14:05)

Olá, Aione! Que linda resenha! Gosto muito de livros ambientados na Segunda Guerra Mundial, e esse, de fato, parece ser muito bonito. Percebe-se que a autora soube conduzir muito bem a trama, acrescentado histórias paralelas àquela vivida pela protagonista, soube explorar o lado mais profundo dos personagens, levando o leitor a conhecer melhor os conflitos vividos por eles. Fiquei bastante interessada.

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rudynalva - 04, dezembro 2015 às (14:05)

Aione!
Já li outros livros da autora e fiquei totalmente conquistada pela forma como ela desenvolve um ponto de vista maduro, embora com ironias até cabíveis.
Esse livro em especial me parece trazer questionamentos pessoas e engrandecimento, gostaria de apreciar a leitura.
“Temos o destino que merecemos. O nosso destino está de acordo com os nossos méritos.” (Albert Einstein)
cheirinhos
Rudy
http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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Rhoana Lersch - 04, dezembro 2015 às (15:10)

Não conhecia essa autora, a história parece ser bem envolvente e muito bem embasada em relação ao contexto histórico, espero que fale bastante do nazismo pois amo livros que conseguem mesclar um romance com questões históricas tão importantes. Ótima resenha!

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Suzzy Chiu - 07, dezembro 2015 às (15:58)

Nome diferente desse titulo O Amante Japonês, nao conhecia e ao ler a sinopse fiquei ate curiosa.
Não tenho costume de ler os livros com o pano de fundo sendo a Segunda Guerra Mundial, mas esse amor que durou tantas decadas é de se surpreender.
A escrita da Isabel Allende me deixou intrigada a conhecer e saber quais os caminhos tomados pelos protagonistas.
Gostei do livro e fico feliz que tenha conhecido aqui no blog.
Beijos

♥ Blog Livros e Sushi ♥
https://livrosesushi.wordpress.com/

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Luisa Fernandes - 07, dezembro 2015 às (17:32)

Confesso que tive um grande preconceito com essa capa, não gostei de cara e logo não quis o livro, mas resolvi ler a sinopse.
Acabou que a sinopse também não me interessou e apesar da resenha ainda não consegui despertar o interesse.

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Lara Cardoso - 07, dezembro 2015 às (18:42)

Oi, tudo bem?
Não conhecia “Um amante japonês” e confesso que o livro não me cativou muito. Apesar de já ter lido alguns livros que entraram na temática da 2ª Guerra Mundial, não curto muito este tipo de narrativa.

Abraço!

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Fernanda Martins - 08, dezembro 2015 às (19:45)

Oi Aione, eu li a sinopse e a resenha o livro parece ser bem interessante já esta na minha lista de desejados e a capa do livro é linda bjs.

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Lindsay Leão - 10, dezembro 2015 às (17:35)

Conheci esse livro por causa de uma colega de trabalho que é absolutamente fã de Isabel Allende.
Quando vi que você o havia resenhado, claro, não poderia deixar de ler. Ah, achei a capa
desse livro linda, não sei se esta de acordo com a história, mas gostei muitíssimo da escolha da editora.
Como ainda não li nada da autora, mas tenho várias amigas apaixonadas por suas obras, resolvi ler sua resenha, pois você escreve com um posicionamento crítico que gosto bastante, então, só a partir daí irei tirar as minhas próprias conclusões.
Depois de concluir a leitura, fiquei muito feliz com o que li e agora entendo porque tanta gente é fã de seus livros; gostei muito de saber como foi narrada essa história, a passagem de tempo, a juventude de Irina, suas dores e amores…achei muitíssimo interessante e claro, será mais um dos inúmeros livros maravilhosos que você nos apresenta aqui que entrará para a minha listinha de futuras leituras.
Beijos

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Patricia Moreira - 28, dezembro 2015 às (00:47)

Sou louca pra ler algo da Isabel Allende e tenho aqui em casa A Casa dos Espíritos. Fiquei bastante interessada nesse livro tanto por causa da curiosidade do porque talvez eles não tenham ficado juntos e mesmo assim o amor perdurar por mais de 70 anos, quanto pela questão histórica mesmo.

Beijos

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suzana cariri - 28, dezembro 2015 às (14:28)

Oi!
Ainda não conheço a escrita da Isabel Allende mas sua resenha me conquistou, adorei os sentimentos que o livro consegue desperta ao leitor e fiquei curiosa sobre como a autora explora essa visão de diversas personagens no livro e gostei que tenhamos fatos históricos no livro !!

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Liliane Furtado - 30, dezembro 2015 às (14:52)

Eu amo quando o livro vai além de tudo. Quando nos mostra um significado a mais, nos faz refletir.
Estou curiosa em relação a esse livro,espero gostar. Bjs
Amei a resenha como sempre.rsrsrsr

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Patrini Viero - 31, dezembro 2015 às (15:50)

Isabel Allende é uma autora com a qual tive meu primeiro contato ainda no ensino médio, e que lembro até hoje, pois a história me marcou bastante. Gosto da forma como a autora escreve e coloca os sentimentos de seus personagens no papel, envolvendo e emocionando o leitor. Esse livro em particular me parece ter um enredo bastante intrigante, cheio de emoção e encantamento, que vamos descobrindo aos poucos, bem como os segredos guardados pela protagonista. O plano de fundo histórico também me interessa muito e é responsável por carregar uma boa parte de carga emocional.

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leila gregorio - 23, maio 2016 às (14:42)

Acho Isabel Allende excelente contadora de histórias, então me surpreendi negativamente neste livro.
Não que ele não seja agradável de ler, sempre é. Mas a história se perde em alguns momentos, quando ela descasca as personagens com reviravoltas mirabolantes.
Ela tem coisas muito melhores, mas ainda vale a leitura.

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