[Resenha] O Rouxinol - Kristin Hannah | Minha Vida Literária
15

dez
2015

[Resenha] O Rouxinol – Kristin Hannah

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Título: O Rouxinol
Autor: Kristin Hannah
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 432
Data de Publicação: 2015
Skoob: Adicione
Orelha de Livro: Adicione
Compare e Compre: AmazonFnacSaraivaTravessa

No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva. Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.

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Ao iniciar a leitura de algum livro de Kristin Hannah, é bom estar preparado para intensas emoções: suas obras são carregadas de sentimentos, conflitos, tragédias, redenções e, sobretudo, amor. E com O Rouxinol não foi diferente – mais um de seus trabalhos a me levar às lágrimas e a figurar em minha lista de favoritos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, conhecemos, na França, a vida de Vianne e Isabelle Rossignol, duas irmãs bastante diferentes uma da outra e marcadas por seus próprios traumas, enfrentando, cada uma a seu modo, as dificuldades surgidas durante o conflito. Enquanto Vianne, cautelosa, vê-se obrigada a hospedar um soldado nazista em sua casa após a partida do marido para o combate, Isabelle, impetuosa, passa a fazer parte de um grupo revolucionário que trabalha às escondidas, auxiliando de qualquer forma necessária os mais necessitados e perseguidos pelo governo de Hitler.

 

“Se há uma coisa que aprendi nesta minha longa vida foi o seguinte: no amor, nós descobrimos quem desejamos ser; na guerra, descobrimos quem somos.

página 7

 

Os capítulos, em sua quase totalidade, são narrados em terceira pessoa, com pontos de vista que se alternam entre as irmãs. Alguns poucos capítulos são narrados em primeira pessoa no tempo presente da trama (o ano de 1995), por uma personagem identificada apenas ao final da obra. Dessa maneira, não apenas os próprios fatos do enredo cativam o leitor e o instigam a querer saber como a história terminará, quanto a própria narrativa presente intensifica essa curiosidade e traz consigo, também, uma nova carga de emoção, visto que narrativas em primeira pessoa costumam ter essa característica justamente por revelarem diretamente os sentimentos e pensamentos do narrador-personagem.

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Embora predomine a narrativa em terceira pessoa e, portanto, haja certo distanciamento entre as emoções das personagens e o leitor, a escrita de Kristin Hannah não se faz menos intensa e nem a obra se torna menos comovente. Pelo contrário, O Rouxinol é um dos livros mais angustiantes da autora, principalmente pelo período que o contextualiza. Hannah foi extremamente detalhista sobre os horrores da guerra, tanto no que diz respeito aos fatos históricos – alguns mesclados à ficção e ao romance por ela criados – quanto às mudanças enfrentadas pelas personagens. Aqui, a história abrange desde os primeiros meses do conflito até o seu final, e é possível, assim, acompanhar cada dificuldade, cada obstáculo, exacerbado conforme o avançar da guerra. Foi extremamente aflitivo ler sobre os sofrimentos de um dos períodos mais trágicos da nossa história, principalmente por saber a realidade por trás deles, e impossível não me perguntar como o ser humano é capaz de ser tão cruel, como sequer podem continuar existindo conflitos semelhantes, ainda que em menor escala, e como as pessoas podem se tornar tão cegas frente a algumas crenças, capazes de eliminar o mínimo de compaixão para com o outro.

 

“Não sei mais qual é a coisa certa a fazer. Quero proteger e manter Sophie segura, mas de que adianta a segurança para crescer em um mundo onde as pessoas desaparecem sem deixar vestígios por rezarem a um Deus diferente?

página 253

 

E mais do que sobre os detalhes da guerra e informações históricas sobre esse período, adorei a forma de como Kristin Hannah trabalhou suas personagens. Ainda que ambas ajam de maneiras praticamente opostas, não há como julgar uma em detrimento da outra porque as atitudes das duas são completamente compreensíveis, considerando-se as extremas dificuldades a que foram submetidas. De certa forma, me senti mais próxima de Vianne justamente por ter sido mais capaz de me imaginar em sua situação, mais semelhantes a uma realidade que consigo supor, já que Isabelle passa por condições que sequer consigo me imaginar vivendo. Ainda, a autora deu voz a duas heroínas da guerra que representam as milhares de mulheres que sobreviveram ao período e resistiram, a suas maneiras, aos horrores a elas impostos, e que nem sempre são devidamente lembradas, suprimidas pelos heróis condecorados que lutaram as batalhas – e merecem todo o reconhecimento por isso, vale dizer.

O Rouxinol, assim, se faz uma obra sensível e complexa por assim serem seus personagens, e extremamente emocionante por todos os acontecimentos nela retratados. Foi impossível não me sensibilizar com a leitura, não sentir um aperto no peito e um nó na garganta nos momentos mais trágicos, ao mesmo tempo em que também foi impossível não me encantar pela beleza de cada luta e pela predominância do amor em suas mais diversas formas. Recomendo a todos, sem dúvida alguma!

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15 Respostas para "[Resenha] O Rouxinol – Kristin Hannah"

Lindsay Leão - 15, dezembro 2015 às (20:58)

Oi Mi,

Assim que vi o lançamento desse livro já adicionei aos meus desejados do skoob. Você me apresentou as leituras da autora por causa de suas resenhas lindas e desde então, sou viciada nela; viciei até minha cunhada de tanto que gostei e agora somos duas loucas por Kristin Hannah na família! Sua resenha é belíssima, e só me fez querer ainda mais esse livro.Conhecendo a escrita tocante da autora já irei providenciar os lencinhos para as lágrimas que certamente serão inevitáveis.
Beijos

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Juliana Mattos - 16, dezembro 2015 às (00:03)

Logo que a Arqueiro lançou esse livro fiquei animadíssima para ler! Adoro livros que se passam nessa época, a premissa me chamou logo atenção, e lendo agora tua resenha só aumentou minha vontade de comprá-lo logo! “O Rouxinol é um dos livros mais angustiantes da autora”, pode parecer loucura minha, mas livros angustiantes são os que ficam mais tempo aqui: <3 hahaha, lerei com certeza ;*

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Maria Alves - 16, dezembro 2015 às (12:05)

Ainda não li nenhum livro da autora, mas parecem ser ótimos. Esse deve ter uma carga emocional muito grande, por se tratar do período da guerra, onde houve muito sofrimento. E da para viver o conflito que deve ser entre as irmãs, que estão em lados diferentes.

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Larissa Oliveira - 17, dezembro 2015 às (13:13)

Olá, Aione! Poderia ficar o dia todo lendo o seu relato sobre o livro que não me cansaria rs. Que resenha linda e que vontade gigante de começar essa leitura agorinha kk. Eu gosto demais de livros que abordam esse período da Segunda Guerra e, sério, estou fascinada com essa história depois da sua resenha. Não li nada da autora ainda e, diante de tantos elogios às suas obras, certamente não ficarei apenas na leitura de O Rouxinol.

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Lara Cardoso - 17, dezembro 2015 às (14:52)

Ola 🙂

Quando vi esse livro nos lançamentos do skoob, não esperava por uma drama tão forte assim, livro encantador, e com essa resenha adorável, o livro ficou mais encantado.

Parabéns ao blog.

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Fernanda Martins - 17, dezembro 2015 às (18:34)

Oi Aione, lendo a sinopse e a resenha o livro não me chamou a atenção, não é o tipo de gênero literário que eu costumo ler mas obrigada pela dica bjs.

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rayane colomes - 18, dezembro 2015 às (10:13)

esse livro aparentemente é mto bom mto bom mesmo. mas infelizmente com tantos na minha estante vou deixar para depois. porque nao gosto mto deste tema de livros e tenho a impressao de se tratar de um livro triste… principalmente sobre a guerra e tudo mais. enfim, nao vou ler mas gostei da dica.

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Jessica Lisboa - 21, dezembro 2015 às (19:53)

Já estou me vendo lendo esse livro com um lenço na mão, adoro esse tipo de historia, sempre são emocionantes e lhe fazem refletir de como naquela época foi difícil a Alemanha Nazista.

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Rhoana Lersch - 23, dezembro 2015 às (19:58)

Oi Aione!!
Amei a capa desse livro, mas nunca tinha ouvido falar dessa autora, depois de ler os comentários e a resenha me empolguei, justamente pela época em que ele se encontra e também pelo questão das duas irmãs, pretendo ler!

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SUZZY CHIU - 27, dezembro 2015 às (23:04)

Não dava nada pelo livro O Rouxinol da Kristin Hannah, mas aí vi que ganhou em uma categoria no Goodreads e fiquei curiosa para conhecer.
Até hoje não li nada que envolvesse a Segunda Guerra Mundial e saber da forma que a autora tratou o assunto me deixou interessada.
Adorei saber que suas obras são cheias de emoções, pelo jeito a escrita dela toca a gente.
A capa está linda, a Arqueiro sempre é a melhor.
Beijos.

♥ Blog Livros e Sushi ♥
https://livrosesushi.wordpress.com/

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suzana cariri - 28, dezembro 2015 às (15:42)

Oi!
Ainda não li nada da Kristin Hannah mas gostei do seu livro, achei bem legal o contexto historia em que os personagens estão inseridos e como a autora mostra do começo ao fim e como isso afeta a vida dos personagens também gostei como ela coloca personagens que são o extremo oposto pois podemos olhar por dois pontos de vista diferentes !!

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Liliane Furtado - 30, dezembro 2015 às (14:32)

A Hannah sempre arrasa com livros super sensíveis e que marcam e passam algo a mais para seus leitores.
Amei a resenha e com certeza quero ler em breve O Rouxinol.
bjs

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Patrini Viero - 31, dezembro 2015 às (13:44)

Livros sobre esse período histórico em específico sempre acabam mexendo profundamente comigo, principalmente por misturar a realidade aos fatos de ficção pela autora criados. Eu achei a capa desse livro extremamente bonita, e fiquei muito empolgada com a história, particularmente com as vidas tão diferentes de duas pessoas tão próximas como são as irmãs protagonistas. A carga emocional do livro parece ser enorme, e de alguma forma eu me sinto atraída por tipos de enredos assim, sou muito apegada a esse gênero literário, por isso com certeza será uma leitura que eu farei.

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Irani - 03, junho 2016 às (18:53)

Já estava louca pra ler esse livro, depois de ler sua resenha então…
Já li “Jardim de Inverno”, dessa autora e claro, amei!!! Ela é incrível!
Encomendei ” O Rouxinol ” e estou ansiosa…
Adoro histórias que mesclam realidade e ficção, obrigada pela dica!

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Aione Simões - 03, junho 2016 às (21:57)

@Irani, a Kristin Hannah é mesmo maravilhosa, e uma das minhas autoras favoritas!
Você não vai se decepcionar 🙂
Obrigada pelo comentário e boa leitura pra você!
Beijos

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