[Resenha] Aprendendo a Seduzir - Patricia Cabot | Minha Vida Literária
16

mar
2016

[Resenha] Aprendendo a Seduzir – Patricia Cabot

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Título: Aprendendo a Seduzir
Autor: Patricia Cabot
Editora: Essência
Número de Páginas: 368
Data de Publicação: 2016
Skoob: Adicione
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Durante um baile, Lady Caroline Linford abre a porta de um dos cômodos e flagra seu noivo, o marquês de Winchilsea, nos braços de outra mulher.

Para a sociedade vitoriana do século XIX, tais escapulidas masculinas eram normais, e cancelar o casamento seria impensável. O jeito, decide a jovem, é aprender a ser, ao mesmo tempo, a esposa e a amante, para que o marquês nunca mais tenha de procurar outra mulher fora do lar. Por isso, resolve tomar lições – teóricas, claro – sobre a arte do amor com o melhor dos professores: Braden Granville, o mais notório libertino de Londres.

Logo nas primeiras aulas começam a voar faíscas e as barreiras entre professor e aluna caem.

Escrito por Meg Cabot, sob seu pseudônimo, esse romance vai mostrar que o amor escolhe seus próprios caminhos, sempre imprevisíveis.

Aprendendo a Seduzir é umas das oito obras publicadas por Meg Cabot assinadas por Patricia Cabot, tendo sido o penúltimo romance de época por ela escrito. Seus sete romances foram trazidos ao Brasil, permanecendo inédito apenas o conto The Christmas Captive, que faz parte da antologia A Season In The Highlands. Primeiramente publicado em 2010 pela editora Planeta, Aprendendo a Seduzir ganhou agora uma nova edição e uma nova capa, ainda que tenha sido mantido no mesmo selo de publicação, o Essência.

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Conhecemos aqui a história de Caroline, jovem tímida que às vésperas de seu casamento flagra seu noivo a traindo. Ao invés de assumir ter presenciado a infame cena, Caroline prefere manter segredo, já que cancelar o compromisso traria a ela uma má reputação, e tomar aulas com Braden Granville, o maior libertino de Londres, a fim de aprender as artes da sedução e, assim, manter o interesse do seu noivo aceso de forma que ele nunca precise recorrer a outras mulheres futuramente.

Um dos pontos que mais me agrada em romances de época é o de encarar o contexto social retratado, ainda que de maneira romantizada, por ele ser tão distante do nosso e, ao mesmo tempo, similar em alguns aspectos. Aqui, a importância da sociedade britânica machista e patriarcal do século XIX é de extremo peso na história, visto que influenciam diretamente nas escolhas da protagonista, e ao mesmo tempo em que eu me divertia com as situações consequentes da quebra do decoro da época e com os costumes de um modo geral, também ficava aflita com muitas das injustiças, principalmente por elas infelizmente ainda refletirem em nosso século atual. Também, adorei que Patricia Cabot tenha inserido na trama uma feminista ativista – Emily, melhor amiga de Caroline -, que tanto contribuiu para o elemento cômico da narrativa (já que é divertidíssimo acompanhar as situações nas quais ela se envolve) quanto também a tornou interessante, justamente pela autora ter optado em trazer esse componente para o livro.

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A narrativa se dá em terceira pessoa, abordando principalmente a ótica de Caroline sobre os fatos. Contudo, temos acesso também à visão de Braden Granville, além de algumas personagens secundárias, mesmo que em breves momentos. Dessa maneira, é possível ter um olhar mais geral sobre os fatos e, ao mesmo tempo, compreender individualmente os anseios de cada um dos protagonistas, inclusive nos momentos em que eles próprios se tornam incapazes de compreenderem o outro. Além disso, suas personalidades foram bastante cativantes para mim, e gostei da maneira de como o romance foi desenvolvido, mesclando momentos de intensidade e divertimento, e trabalhando as cenas eróticas com mais romance do que lascívia.

De modo geral, Aprendendo a Seduzir segue o esquema das histórias assinadas por Patricia Cabot: além do romance, da sensualidade e do humor, há algum tipo de mistério sendo desenvolvido nas entrelinhas e que acaba por ser revelado ao final, trazendo alguns momentos de ação e tornando a obra, assim, mais rica, já que não apenas a história de amor é focada no enredo. Embora não tenha se tornado meu favorito da autora, o livro me proporcionou uma gostosa leitura e um bom envolvimento, sendo um título que indico aos fãs de romances do gênero.

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14 Respostas para "[Resenha] Aprendendo a Seduzir – Patricia Cabot"

rayane colomes - 16, março 2016 às (10:09)

li o livro e adorei! mto fofinho. caroline é uma mulher forte e seu envolvimento é mto bacana!

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Thais Moreira - 16, março 2016 às (11:32)

Muito lindo o livro, nossa, me cativou o modo com a autora nos faz pensar sobre as tais atitudes dos personagens nesse romance de época, e a forma como ele é bem trabalhado e como se pode observar como a história vai desenrolando-se e talvez tenha algum tipo de reviravolta… Novamente venho dar minhas felicitações ao blog e que mais uma vez esse livro entra para minha lista de futuras leituras. Obrigado e tenham todas um maravilhoso dia.

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Leticia Golz - 16, março 2016 às (15:47)

Oi, Aione
Sempre fico pensando nisso quando leio romances de época: o fato do machismo interferir tanto nas escolhas das personagens. Não tenho dúvidas que muitas mulheres foram muito infelizes em seus casamentos naquela época. Infelizmente hoje, muitas coisas continuam as mesmas.
Terminei de ler Pode beijar a noiva recentemente, e pelo jeito a autora gosta de colocar um pouco de mistério em seus romances, como têm nesse também.
Amei sua resenha e ainda pretendo ler o livro. 🙂

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Daiele - 17, março 2016 às (06:04)

Oii

Ual, que capa divina!! eu ja tinha visto esse livro antes, mas nao com essa capa, ficou um espetaculo! Nunca li nada da Meg, por incrivel que pareça, haha. Mas adorei a sinopse desse livro..

beijoos

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Maria fernanda pinheiro - 17, março 2016 às (08:28)

Amo os livros da autora, só não li esse, espero que seja igual os outros dela: apaixonantes

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suzana cariri - 17, março 2016 às (11:48)

Oi!
Quero muito ler esse livro, gosto muito dos romances de época e achei bem interessante como a autora retrata os costumes e a sociedade da época, gostei também da historia e fiquei curiosa sobre esse acordo e sobre a Emily pois adorei temos uma feminista ainda mais naquela sociedade e se tiver oportunidade quero muito ler !!

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Maria Alves - 17, março 2016 às (13:29)

Me interessei pelo livro deve ser muito divertida essas aulas de sedução com o professor, que inusitado alguém querer aprender essas técnicas, para o marido só se interessar por ela, achei bem criativa a personagem, também numa época em que os homens predominavam e as mulheres eram as coitadas, é bom alguém com personalidade como a Caroline.

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Jéssica Fernanda - 17, março 2016 às (14:45)

Tem coisa mais cliché em romance de época? Não. Mas adoro livros assim, essas mocinhas que vão atras de uma “aula” de sedução e caem apaixonadas pelo professor são as melhores rss

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Carla Jeanine F da Silva - 17, março 2016 às (17:04)

Oi Aione!!!
Sou suspeita pra falar, primeiro por ser muito fã de romances de época, segundo por ser super fã de Meg, ainda mais com o pseudônimo de Patricia, onde ela escreve o que eu mais gosto. Eu ainda não li esse, e fiquei muito feliz com o relançamento, a capa ficou maravilhosa! Infelizmente temo dizer que não só apenas em seus livros de época, mas também nos seus romances juvenis, eu sempre notei uma pegada machista nos livros da Meg. Nos romances de época é essencial, por retratar uma sociedade extremamente convencional do séculos passados, mas em outros romances já percebi essas pontadas, não quero insinuar que a autora tenha esse comportamento, mas acredito que seja mais uma vez reflexo da criação e sociedade desde a época que ela começou a escrever. Ótima resenha como sempre, curti muito, e quero muiiiito ler esse aqui. Beijos

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Aione Simões 17 mar 2016

Oi Carla!
Super entendo você! Inclusive li o primeiro de “A mediadora” logo após ter terminado o “Aprendendo a Seduzir” e notei essa mesma pegada machista que você mencionou – algo que eu ainda não havia percebido nos livros dela principalmente porque, quando os li, não estava atenta a esse machismo já naturalizado e que é ainda mais difícil de ser percebido (e combatido).
Eu notei a mesma coisa em vários outros livros depois, principalmente os que foram escritos há vários anos, e penso da mesma forma que você: isso serve de exemplo para demonstrar, novamente, o impacto da criação e sociedade refletidas nas obras.
Obrigada pelo seu comentário 🙂
Beijão!

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Lara Cardoso - 17, março 2016 às (19:27)

Nunca li nada da Meg, acho que está na hora de de conhecer o trabalho dela.
Amei demais tua resenha, não ficou contando o que acontece tin tin por tin tin *odeio que faz resenhas assim* e gostei da forma que tu escreveu tua opinião.

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Helen Dutra - 18, março 2016 às (01:28)

Oi Aione!
Gostei demais da resenha. Já me considero uma fã de romances de época e esse livro acaba de entrar para a minha lista. Sempre vejo você falando da Meg em seus vídeos e descobri outro dia que tenho um livro dela, o Lições de Princesa, que nem lembro o ano que li. Vou tentar ler alguns livros dela, tanto escritos como Meg, quanto como Patrícia.

Bjos
http://helendutra.com/

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Micheli Pegoraro - 20, março 2016 às (13:51)

Olá Aione,
Acredita que ainda não li nada da Meg Cabot? Mas desse ano não passa! Estou em dúvida em qual livro ler, mas com certeza será um dos romances de época assinado por Patricia Cabot, e a escolha está pesando para A Rosa do Inverno. Sou fã de romance de época, adoro o contexto social retratado, e pelo que percebi a autora gosta de abordar em seus livros uma sociedade bem machista, que sem dúvida, é um tema que sempre está presente nas histórias de livros desse gênero, e infelizmente, por ainda refletirem em muitas ações atualmente.
Beijos

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Ana I. J. Mercury - 30, março 2016 às (21:27)

Gosto muito de romances de época e os da Cabot ainda não li nenhum, mas amei as capas, e as resenhas são maravilhosas.
Achei que esse livro tem um jeito bem engraçado e diferente, ainda mais tendo uma personagem feminista. Deve ser superengraçado!
Vou adiantar a leitura aqui! rs
bjos

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