[Resenha] Outro Dia – David Levithan | Minha Vida Literária
15

abr
2016

[Resenha] Outro Dia – David Levithan

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Título: Outro Dia
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Número de Páginas: 322
Data de Publicação: 2016
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Um dos mais inovadores autores de livros jovem adulto e o primeiro a emplacar uma trama gay na lista do New York Times, David Levithan retoma a sua mais emblemática trama em “Outro Dia”. Aqui, a já celebrada — com várias resenhas elogiosas — história de “Todo Dia” é mostrada sob o ponto de vista de Rhiannon. A jovem, presa em um relacionamento abusivo, conhece A, por quem se apaixona. Só que A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Mas embarcar nessa paixão também traz desafios para Rhiannon. Todos eles mostrados aqui.

Todo Dia é um dos meus livros favoritos da vida, e não simplesmente dentre os de David Levithan. Foi uma daquelas obras tão incríveis e tão capazes de mexer comigo que faltam palavras para expressar meu apreço por ela. Assim, eu claramente surtei quando soube que Outro Dia seria lançado, já que teria uma nova chance de retornar a essa história maravilhosa, agora pelo ponto de vista de Rhiannon. Mas, ao mesmo tempo em que mantive toda essa expectativa e curiosidade, também fiquei ligeiramente receosa: e se eu não gostasse tanto quanto o primeiro, considerando-se que parte da minha admiração por ele foram justamente as tantas vivências e reflexões de A, não apresentadas agora nesse volume?

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Rhiannon é uma garota triste, presa em um relacionamento tóxico: seus sentimentos sinceros por Justin, seu namorado, e sua expectativa de ajudá-lo a mantêm dependente dele, vivendo das migalhas oferecidas, sem que ela consiga perceber sua real situação. Até que um dia, Justin lhe proporciona um dia perfeito e todos os sentimentos e atenção que ela merece. Isso porque não foi Justin quem ofereceu isso a ela, mas sim A, alguém que muda de corpos todos os dias e, por não ter o seu próprio, não tem gênero ou etnia definidos, bem como família, amigos e uma vida comum. Por se apaixonar pela garota, A decide retornar a ela todos os dias, através dos corpos habitados, em uma tentativa de se relacionarem. E Rhiannon, também apaixonada, resolve dar uma chance a essa oportunidade, iniciando uma série de transformações e questionamentos em sua vida e encontrando os mais diversos obstáculos nessa nova jornada.

Não sei por que resolvi duvidar da capacidade de Levithan de me conquistar. A cada nova obra sua por mim lida, reforço meu apreço pelo autor, por suas ideias e, principalmente, por sua habilidade com a escrita, tão intensa e envolvente. Embora Outro Dia não tenha me causado o mesmo impacto que Todo Dia, ainda assim me vi completamente imersa no enredo e na vida de Rhiannon. Foi impossível não compreendê-la completamente, sentir e entender todas as suas limitações, tanto no que diz respeito ao seu relacionamento com Justin quanto com A. Quando era A quem nos narrava a história, era mais fácil concordar com seu ponto de vista e frustrações às resistências de Rhiannon, e agora houve uma inversão de papéis. Assim como ela, enxerguei toda a verdade nas palavras de A sobre sua condição e maneira de enxergar a vida e as pessoas, de um modo geral; contudo, ao me colocar no lugar dela, senti que encontraria as mesmas dificuldades por também estar presa às mesmas imposições culturais e sociológicas. Todo Dia e Outro Dia, com maestria, demonstram o quanto cada história tem dois diferentes lados, e o quanto eles não se excluem: ambos comportam suas verdades e, ao seu modo, se complementam.

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Além de ter me identificado ao extremo com a perspectiva de Rhiannon e de ter sentido total empatia por sua triste e complicada situação, novamente me encantei com seu relacionamento com A e, principalmente, pelas tantas reflexões com que A nos presenteia. Me emocionei novamente com sua visão de vida, proporcionada por sua condição, e a cada página do livro confirmei o quanto acho essa história incrível, maravilhosa e arrebatadora. É claro: há aqui, como já mencionado, um menor impacto da narrativa e do enredo considerando-se que a de A é mais forte, nesse sentido, justamente por ser A quem vive a situação atípica e tão rica em termos de experiências; ainda assim, revisitar essa trama, por uma nova perspectiva, foi como receber um presente, uma nova chance de me encantar com algo que tanto me conquistou no passado.

Por termos, aqui, a mesma história sendo narrada, porém pelo outro ponto de vista, já esperamos desde o início que o livro termine onde o anterior foi finalizado, com a expectativa, apenas, de um pequeno acréscimo, que não seria possível em Todo Dia justamente por ser A quem narra a trama. E o autor nos dá esse adendo, o qual, devo dizer, me deixou em extrema angústia. Com apenas uma frase, Levithan foi capaz de abrir uma imensa porta, repleta de possibilidades, fazendo com que o fim não seja, exatamente, um fim. Não digo aqui que há uma sequência para a história, apenas que terminamos Outro Dia sem saber, de fato, o que acontecerá. E por mais angustiante que isso tenha sido, acredito, também, que foi a melhor escolha que o autor poderia ter tomado: não seria verossímil se fosse diferente, se ele nos desse um fim que dissesse “fim”. E com quantas situações não nos deparamos em nossa vida sem sabermos o que ainda poderá acontecer? Quantas das nossas histórias não têm, como conclusão, um final completamente aberto, a ponto de não conseguirmos chamá-lo de “final”?

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Não importa quantas vezes eu retorne a essa história, não importa por qual ponto de vista. Tenho certeza de que ela sempre será capaz de me tocar e me afetar como poucas, porque poucas trazem a força que essa me traz. Costumo dizer que as melhores histórias são aquelas que trazem algo para cada um de nós, que falam diretamente com nossos corações. E essa me traz muito, me fala muito, me faz sentir muito. É por isso que continuarei, sempre, a recomendá-la – agora as duas perspectivas -, na esperança de que ela também leve muito a cada um que a ela se abrir.





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6 Respostas para "[Resenha] Outro Dia – David Levithan"

Lelii Martins - 15, Abril 2016 às (15:46)

Que vergonha! Eu não sabia que havia um novo livro que complementasse “Todo Dia”. To chocada! haha
Adorei saber desse novo livro e principalmente da sua resenha, Todo Dia também me tocou profundamente e vou adorar conhecer um pouco melhor o lado da Rhiannon.

Beijos.

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Raissa Novaes - 16, Abril 2016 às (21:11)

Olá Aione,

Estou lendo muitas resenhas sobre esses livros do David Levithan e estão muito recomendados. Já coloquei na minha meta de leitura. Já tive um primeiro contato com o autor no livro Will & Will em parceria com o John Green e gostei bastante.

Parabéns pela resenha! =)

http://www.booksimpressions.com.br/

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Rayane colomes - 16, Abril 2016 às (22:49)

Hahah este tipo de livro nao me atrai atencao mas eh diferen te de coisas neste tipo. Achei a ideia bacana

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Lara Cardoso - 17, Abril 2016 às (15:36)

Oi! Eu li Todo dia e aquele final sem final não me agradou, e fiquei surpreso, porque não imaginava que já tinha sido lançado a continuação! Quero ainda mais porque agora deve ter um final decente, né? Já está na minha wishlist. Ótima resenha, parabéns. 😀

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rayane colomes - 20, Abril 2016 às (09:05)

nao conhecia o autor e nem seus livros. mas parece ser um tema bem real. de pessoas em relacionamentos abusivos… achei legal a ideia de um casal gay. o livro nao me prendeu mto a atençao. ultimamente estou lendo apenas trillers policiais..

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Micheli Pegoraro - 23, Abril 2016 às (11:39)

Aione, estou doida pra ler Todo Dia, cada vez que vejo um comentário seu a respeito do livro eu fico ainda mais empolgada em ler. Ainda não li nenhum livro do autor, estou com muitas expectativas, pois todo mundo fala tão bem de sua escrita, com histórias intensas e envolventes, eu adoro isso! Fiquei feliz em saber que Outro Dia é tão bom e maravilhoso quanto o primeiro, e mesmo sem ter lido, gostei desse “não final”, é raro os autores acertarem quando resolvem fazer isso, mesmo sendo angustiante, pelo que vi, David Levithan acertou em cheio, cabe ao leitor usar a imaginação para saber o que poderá de fato acontecer. Quer muito ler os dois livros, vou colocar ambos na lista de desejados e comprar assim que for possível.
Beijos

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