[Resenha] Silêncio - Richelle Mead | Minha Vida Literária
05

jul
2016

[Resenha] Silêncio – Richelle Mead

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Título: Silêncio
Autor: Richelle Mead
Editora: Galera Record
Número de Páginas: 280
Ano de Publicação: 2016
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Pelo que Fei se lembra, nunca houve um ruído em seu vilarejo todos são surdos. Na montanha, ou se trabalha nas minas ou na escola, e as castas devem ser respeitadas. Quando algumas pessoas começam também a perder a visão, inclusive a irmã de Fei, ela se vê obrigada a agir e a desrespeitar algumas leis.
O que ninguém sabe é que, de repente, ela ganha um aliado: o som, e ele se torna sua principal arma. Ao seu lado, segue também um belo e revolucionário minerador, um amigo de infância há muito afastado em função do sistema de castas.
Os dois embarcam em uma jornada grandiosa, deixando a montanha para chegar ao vale de Beiguo, onde uma surpreendente verdade mudará
suas vidas para sempre. Fei não demora a entender quem é o verdadeiro inimigo, e descobre que não se pode controlar o coração.

Richelle Mead é famosa principalmente por sua série de sucesso Academia de Vampiros. Silêncio, volume único, é um de seus lançamentos mais recentes, e o primeiro título da autora a ser publicado pela Galera Record.

Fei é habitante de um povoado que vive isolado no alto de uma montanha, no qual todos, há várias gerações, são surdos. Lá, há uma forte hierarquia social, sendo os artesãos e aprendizes os mais respeitados. Subitamente, alguns habitantes começam a ficar cegos, e Fei se preocupa com a irmã, que pode vir a perder o posto de aprendiz caso descubram que sua visão também foi afetada. Ainda, os mineradores, responsáveis pela extração dos materiais trocados pelos mantimentos existentes no povoado, passaram a ser menos produtivos desde que os problemas de visão começaram, de forma a, consequentemente, ter sido reduzida a quantidade de alimentos disponível. Quando Li Wei, minerador e paixão de infância de Fei, decide que descerá a encosta da montanha para tentar encontrar uma maneira de garantir mais suprimentos ao povoado, Fei decide que irá acompanhá-lo, já que poderá ajudá-lo durante a descida: misteriosamente, ela passou a escutar.

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Além da premissa em si de Silêncio ser interessante, a escrita de Richelle Mead permite uma leitura rapidamente envolvente e fluida através da narrativa em primeira pessoa pela perspectiva de Fei. Foi interessante conhecer seu povoado, bem como compreender sua própria história de vida, uma vez que a personagem é proveniente de uma família de classe social inferior e ascendeu ao posto de aprendiz devido aos seus talentos como artista. Dessa maneira, temos aqui tanto um traço de sua personalidade como a origem do conflito romântico da trama: Fei aceitou tal oportunidade para oferecer uma melhor qualidade de vida a sua irmã, considerando-se que elas são órfãs. Por outro lado, ao fazer essa escolha, deixou para trás a possibilidade de um futuro com Li Wei, já que a nova diferença social impede qualquer relacionamento entre eles, principalmente o amoroso.

“Quando ouço Li Wi gritar, constato que Feng Jie tinha razão. É a voz do coração dele que está ali. Uma maneira de expressar seu sentimento pela perda do pai, que é, ao mesmo tempo, muito primitiva e infinitamente mais eloquente do que qualquer palavra seria capaz de ser. É um som terrível e belo, saído diretamente da alma para tocar alguma coisa escondida no fundo da minha. É o som que meu coração fez quando meus pais morreram, embora não o conhecesse até agora.”

página 61

Silêncio conta com ação, aventura e romance. Assim, ao mesmo tempo em que nos vemos curiosos pelo destino do povoado e pela jornada dos protagonistas, também torcemos pelo casal e somos envolvidos pela atração entre eles. Ainda, adorei a maneira de como Richelle Mead abordou a temática da audição: assim como demonstrou a importância desse sentido em diversos aspectos – e que, às vezes, não nos damos conta por já estarmos habituados a ele -, a autora também descreveu excelentemente o impacto de sua privação e de seu retorno à Fei. Adorei perceber, por exemplo, o quanto do nosso vocabulário é composto por palavras originadas da ação de se escutar (e, consequentemente, não fariam sentido em um lugar onde todos são surdos) e, principalmente, como foi escrito o momento quando Fei retorna a ouvir, pois pude pensar no som de uma maneira, que, talvez, eu jamais tivesse feito.

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Outro ponto que me conquistou foi a temática das desigualdades sociais existentes no povoado, além de outras questões interligadas, surgidas quando Fei e Li Wei expandem os limites de seus conhecimentos de mundo. Muitos dos questionamentos presentes ao longo da obra são bastante pertinentes principalmente por não serem próprios de Silêncio, mas também adequados a nossa própria sociedade. O único ponto negativo dessa abordagem, em minha opinião, refere-se ao final da história, o qual soou demasiadamente idealizado se levarmos em conta a forte estrutura de divisão de classes existente desde o início do livro.

“Meu coração martela dentro do peito quando fecho os olhos e ergo o rosto ao encontro do dele. Estou me sentindo embriagada, não por causa do saquê, mas por estar com Li Wei aqui desta maneira. Percebo, então, que não é a decoração extravagante, nem as roupas, nem a comida: o que torna este momento único é que, pela primeira vez, desde que nos conhecemos, aqui não existe uma hierarquia social. Nada de artista, nada de minerador. Somente nós dois.”

página 170

Por fim, assim como Richelle Mead se baseou em lendas Bálcãs e romenas para criar Academia de Vampiros, Silêncio foi desenvolvido a partir da mitologia chinesa. Durante o desenrolar da história, ainda que vejamos algumas referências a essa mitologia, é ao final que ela, de fato, se torna mais forte, de forma a podermos compreender os tantos acontecimentos ligados, inclusive, à história do povoado. Particularmente, gostei bastante de como essa temática foi inserida pela autora, permitindo que a história tanto tenha se tornado mais interessante quanto, também, tenha ganhado um toque particular.

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De modo geral, gostei de Silêncio principalmente por suas peculiaridades sobre a mitologia chinesa (ainda que ela não seja tão evidente na maior parte do enredo) e pela abordagem da audição na trama. Não foi uma história pela qual me vi ávida sobre seu desenrolar; mesmo assim, a leitura foi proveitosa e agradável, e a recomendo tanto aos que desejam conhecer a escrita da autora quanto aos que já são fãs de Mead.





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2 Respostas para "[Resenha] Silêncio – Richelle Mead"

Cailes Sales - 09, julho 2016 às (12:25)

Quero muito ler algo dessa autora! Apesar de querer começar pela série Academia de Vampiros, penso em ler Silêncio algum dia, pois a trama parece interessante, principalmente pelos seus aspectos preferidos no livro, a questão da surdez e o envolvimento, mesmo que leve, da mitologia chinesa, pois sempre gostei bastante de mitologia, principalmente a grega, e gosto de conhecer outras.
Preciso dizer que essa capa é muito bonita!
Abraço!

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Lara Xavier - 22, agosto 2016 às (13:40)

Quero muito ler esse livro, sou fã de academia de vampiro e estou curiosa para saber o que a Richelle fez em silencio. Amei a resenha.

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