[Resenha] O Vento da Noite - Emily Brontë | Minha Vida Literária
16

set
2016

[Resenha] O Vento da Noite – Emily Brontë

o-vento-da-noite-emily-bronte-minha-vida-literariaTítulo: O Vento da Noite
Autor: Emily Brontë
Editora: Civilização Brasileira
Número de Páginas: 154
Ano de Publicação: 2016
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Único livro no país que reúne exclusivamente a poesia de Emily Brontë, autora de O morro dos ventos uivante, este volume traz 33 poemas da escritora inglesa.
Publicado no Brasil originalmente em 1944, como parte da primorosa Coleção Rubáiyát, da editora José Olympio, “O Vento da Noite”, traduzido por Lúcio Cardoso, retorna em edição bilíngue pela Civilização Brasileira.
É uma bela oportunidade de reviver o encontro entre dois grandes nomes na literatura e de observar as especificidades que permeiam os processos de criação do autor e do tradutor – uma relação marcada pela sensibilidade, intimidade, escuta e delicadeza.
A edição é organizada e apresentada por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso. A prestigiada tradutora Denise Bottman assina o texto de orelha.

Emily Brontë foi imortalizada com O Morro Dos Ventos Uivantes, seu único romance publicado. Agora, a editora Civilização Brasileira traz uma nova edição de O Vento da Noite, coletânea de 33 poemas da autora traduzidos por Lúcio Cardoso, publicados pela primeira vez em 1944 pela editora José Olympio. Com apresentação e organização por Ésio Macedo Ribeiro, organizador dos Diários, de Lúcio Cardoso, a edição é bilíngue, permitindo a leitura dos poemas originais bem como das traduções segundo à visão de Cardoso.

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É importante ressaltar que essas são traduções livres, ou seja, privilegiam o sentido do poema ao invés de uma tradução literal, palavra a palavra. Assim, é comum encontrarmos diferenças entre as duas versões, como estruturas diferentes, modificação de palavras, versos reorganizados, suprimidos e, até mesmo, adicionados.

Outra alteração, consequentemente, está na perda de ritmo e sonoridade dos poemas originais. Nas traduções, a métrica não foi mantida, bem como o esquema de rimas. Assim, ainda que os poemas mantenham a essência, perderam a sonoridade original – algo comum de acontecer na tradução de poesias, já que é extremamente difícil manter sentido e sonoridade na passagem de um idioma para o outro. É sempre uma opção do tradutor preferir aquilo que considera mais essencial de ser mantido no poema, e fica nítida a escolha de Cardoso pelo sentido.

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As temáticas de Brontë abraçam sonhos, lembranças, fantasias, desilusões e morte, trazendo versos dotados de melancolia. Ainda, a presença da natureza é muito forte nos poemas, sendo ora local de refúgio e escape, ora conectada aos sentimentos do eu-lírico. De qualquer maneira, é impossível desassociá-la dos poemas de Brontë, assim como é impossível não reconhecer, aqui, o mesmo tom melancólico e, por vezes, sombrio presente em O Morro dos Ventos Uivantes.

O incrível de se fazer a leitura nos dois idiomas é tanto reconhecer suas diferenças quanto notar a maneira de como o tradutor enxergou os poemas originais. Também, como os traduzidos acabaram por perder sua sonoridade, pude fazer a leitura em voz alta dos originais e, assim, sentir toda sua força e intensidade. Ainda que, muitas vezes, eu não tenha conseguido compreender todo o sentido dos versos em inglês – a leitura de um poema não é fácil, principalmente em um idioma que não é o seu de origem -, sendo necessária a tradução para isso, eu seguia a leitura apenas para ouvir os versos e sentir a potência no som de cada palavra.

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De modo geral, como com qualquer poesia, a leitura de O Vento da Noite não é fácil, exigindo atenção e tempo do leitor – tempo este que será estendido caso os poemas sejam lidos em ambos idiomas e comparados entre si. Contudo, é uma experiência extremamente proveitosa, tanto por permitir um conhecimento extra do trabalho de Emily Brontë quanto por proporcionar a percepção de seu alcance poético. Mais uma vez, fui encantada pelas palavras da autora e pela intensidade e melancolia de suas emoções e obras.





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2 Respostas para "[Resenha] O Vento da Noite – Emily Brontë"

Renata Hellena - 17, setembro 2016 às (12:53)

Tenho curiosidade e receio de ler ao mesmo tempo rsrs Curiosidade por ser escrito por uma das irmãs Brontë e receio pela dificuldade de compreender a leitura ^^

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Jacilene - 30, setembro 2016 às (22:22)

Eu já li algumas vezes “O morro dos ventos uivantes” então, apesar de ser um livro difícil, ao longo dos anos se tornou também familiar e foi por isso que quis ler “O vento da noite”. Me surpreendeu a forma como o autor traduziu a poetica da Emily, mas no fim achei uma leitura proveitosa. Concordo com você que nesse poemas já existe qualquer coisa do tom de “O morro dos ventos uivantes”.

Pandora
O que tem na nossa estante

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