[Resenha] O Morcego (Harry Hole #1) – Jo Nesbo | Minha Vida Literária
07

dez
2016

[Resenha] O Morcego (Harry Hole #1) – Jo Nesbo

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Título: O Morcego
Autor: Jo Nesbo
Editora: Record
Número de Páginas: 350
Ano de Publicação: 2016
Skoob: Adicione
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Do submundo de Sydney às lendas aborígines, Jo Nesbø conduz o leitor por uma trama violenta e eletrizante, no primeiro grande caso de Harry Hole. O corpo de uma jovem norueguesa é encontrado em um rochedo no fundo de um penhasco. O caso intriga a polícia: a vítima apresenta sinais de estrangulamento e suspeita-se de violência sexual, mas não há qualquer vestígio de DNA ou impressão digital do criminoso.

Para colaborar com as investigações, a Divisão de Homicídios da Noruega envia o inspetor Harry Hole à cidade. Junto com o policial Andrew Kensington, Harry se depara com um caso mais complexo do que imagina: o que inicialmente parecia ser um crime isolado é apenas mais um em uma série de assassinatos cometidos por todo o país, sem qualquer relação aparente entre si. Um serial killer está à solta na cidade e, para Harry, a caçada começou.

O Morcego é o primeiro livro da série de Jo Nesbo protagonizada pelo investigador Harry Hole. A editora Record já havia publicado do terceiro ao oitavo volumes, tendo sido os dois últimos, Boneco de Neve e O Leopardo, lançados com o mesmo padrão de capa. Agora, tanto o primeiro quanto o segundo livros chegaram às livrarias, e provavelmente os volumes de número três a seis serão relançados com o novo design. E então restarão os nono e décimo livros serem traduzidos, sendo que há previsão de publicação do 11º na Noruega em 2017.

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Aqui não só acompanhamos o primeiro caso de Harry Hole narrado ao leitor como também conhecemos mais de seu passado, a fim de compreender seus traumas e o que o levou ao alcoolismo. Em O Morcego, Hole vai à Austrália investigar o assassinato de uma jovem norueguesa, e acaba descobrindo que o caso é muito mais complexo do que inicialmente aparentava.

Em terceira pessoa, a história é narrada pela perspectiva de Hole, mas também assume a visão de outras personagens. Ainda, senti uma maior agilidade na narrativa, principalmente em decorrência do número de diálogos e de frases mais curtas, algo que suavemente foi se alterando no transcorrer da série. Por tê-la iniciado do sétimo livro, conheci uma escrita mais amadurecida de Jo Nesbo, bem como também amadureceu seu domínio narrativo e capacidade de criação da trama.

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Com isso, quero dizer que tive uma experiência bastante diferente das demais dessa vez. Ao invés de uma leitura frenética, que me cativou desde o início, tive dificuldade de me prender às páginas, e não senti aquela angústia característica de tramas do gênero, provocada principalmente pela curiosidade na resolução. O caso é apresentado ao leitor sem algum elemento extra que provoque suspense, então todos os fatos iniciais são dados com relativa calma, e sem a atmosfera de um thriller. Contudo, devo acrescentar que fiz a leitura em um momento de cansaço, então muito provavelmente meu sono também prejudicou meu envolvimento.

Ainda que os elementos como um todo tenham um ar um pouco mais superficiais, se comparados ao grau de complexidade narrativa e do enredo em si atingido por Jo Nesbo em Boneco de Neve e O Leopardo, outros fatores característicos da série já estavam presentes em O Morcego, mesmo que de maneira mais singela. Entre eles, é possível citar a personalidade em si de Harry Hole, um tanto quanto problemática; um contexto político e social como pano de fundo, bastante relevante na trama; e a citação, ao longo da narrativa, de fatores aparentemente insignificantes, mas que, no momento certo, acabam por revelar seu propósito – o que demonstra a habilidade do autor ao desenvolver o romance.

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Em linhas gerais, O Morcego ficou aquém das minhas expectativas por meu contato prévio com a série ter sido em sua fase já amadurecida, com notável evolução do trabalho do de Jo Nesbo como escritor. De qualquer maneira, gostei do enredo e de sua resolução, ainda que meu envolvimento com a leitura tenha deixado a desejar. Aos fãs da série, certamente vale a pena conhecer seu início, além de também recomendar a leitura aos fãs de thrillers policiais, principalmente por causa dos volumes futuros.

SÉRIE: HARRY HOLE

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Observação: é possível ler os livros de maneira independente, já que cada um narra um diferente caso. Contudo, há o desenvolvimento da trajetória pessoal de Harry Hole, e aos que pretendem acompanhá-la, indico as leituras em ordem cronológica, partindo do primeiro volume e seguindo a ordem correta dos livros.





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3 Respostas para "[Resenha] O Morcego (Harry Hole #1) – Jo Nesbo"

Leticia Golz - 11, dezembro 2016 às (10:28)

Oi, Aione
Tenho ficado curiosa por essa série, pois gosto muito do gênero. Mas não entendo porque as editoras acabam publicando fora da ordem aqui no Brasil. Você sabe por quê? Aquela outra série da autora Nele Neuhaus (Lobo mau) foi a mesma coisa, né? Mesmo que cada história seja separada, muitos leitores preferem na ordem rs
Gostei de saber sua opinião sobre esse primeiro, apesar de suas ressalvas. Talvez tenha sido pelo cansaço mesmo, ou porque você já tinha percebido o amadurecimento do autor nos outros volumes. Espero ler a série ainda.

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Aione Simões 11 dez 2016

@Leticia Golz, acho que tem muito a ver com as burocracias de compra das editoras lá de fora. Não entendo muito a respeito, mas sei que há negociação de diferentes valores para cada volume, e as vezes acontece de, aqui, eles conseguirem comprar um dos livros, mas não outro. Nesse caso, considerando também se o autor é inédito ou não no país, acredito que a editora aqui vá preferir apostar no livro mais bem sucedido (se não houver uma obrigatoriedade de sequência), pensando que, talvez, possa não conseguir outros. Nesse caso, como os livros provavelmente venderam bem, eles puderam dar sequência à série, e acabaram retornando aos primeiros volumes (provavelmente de menor sucesso, se comparado aos últimos).
Talvez tenham outras questões, mas isso é o que consigo supor haha!
Beijão!

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Leticia Golz 14 dez 2016

@Aione Simões, Imaginei que seria algo relacionado a vendas, e nunca pensei pelo lado das burocracias, mas agora que você falou também acredito que seja por esses motivos.
Obrigada por responder, Aione! <3

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