[Livros Na Telona] Tudo e Todas As Coisas - Nicola Yoon | Minha Vida Literária
20

jun
2017

[Livros Na Telona] Tudo e Todas As Coisas – Nicola Yoon

Livros Na Telona é uma coluna na qual analiso filmes que foram baseados em livros!


Sobre o Livro

Título: Tudo e Todas As Coisas
Autor: Nicola Yoon
Editora: Arqueiro
Número de Páginas: 280
Ano de Publicação: 2017
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Sensibilidade. Essa é a palavra que, para mim, melhor sintetiza o que há em Tudo e Todas as Coisas, obra de Nicola Yoon recentemente adaptada para os cinemas e republicada pela editora Arqueiro em uma nova edição, agora com fotos do filme.

Maddie tem uma rara doença que a faz viver trancada em casa, isolada de tudo e todos para que nada desencadeie nela alguma reação que pode, inclusive, levá-la à morte. Ela vive assim há 18 anos e aprendeu a não questionar sua condição para não se frustrar com a vida que ela lhe oferece. Até Ollie se mudar para a casa da frente. Quando ambos iniciam um contato, Maddie, pela primeira vez, começa a se perguntar se manter-se viva é o mesmo que, de fato, viver.

– Que sentido teria isso? – pergunto, erguendo as mãos. – Eu apaixonada seria como um crítico gastronômico sem as papilas gustativas. Ou um pintor daltônico. Ou…
[…] – Claro que tem sentido – diz ela, me olhando sério. – Só porque você não pode experimentar tudo não quer dizer que não deva vivenciar nada.

página 74

Tudo e Todas as Coisas foi um dos livros mais ágeis que li nos últimos tempos. Não só a narrativa em primeira pessoa na voz de Maddie é extremamente fluida, principalmente por seu caráter intrínseco, tão ligado as suas emoções, quanto a própria estrutura narrativa permite essa agilidade. Há capítulos curtos, formados por um ou dois parágrafos, além de inúmeras ilustrações, próprias de Maddie, ilustrando seus pensamentos. Também, há trechos unicamente formados por trocas de mensagens entre Ollie e a garota, o que também aumenta essa fluidez.

A própria personalidade de Maddie é o que torna a leitura de Tudo e Todas as Coisas especial. Se por um lado temos uma jovem madura por ser capaz de lidar com sua situação de maneira que a torne admirável, por outro temos uma adolescente descobrindo a paixão, e não simplesmente por alguém, mas pela vida em si. Quando Maddie se questiona sobre o significado de se estar viva, ela também nos faz um lembrete: o de olharmos para nós e nossas vidas a fim de identificarmos se estamos vivendo com paixão o suficiente. Não necessariamente é preciso viver trancado em casa para se estar confinado em uma bolha.

Quero dizer que é por causa dele que estou aqui. Que o amor nos abre para o mundo.
Antes de conhecê-lo, eu era feliz. Mas agora estou viva, e as duas coisas são bem diferentes.

página 160

Nicola Yoon foi bastante feliz no desenvolvimento de Tudo e Todas as Coisas. Ao mesmo tempo em que a história é convidativa pelo romance e conflitos próprios de cada personagem (afinal, Ollie também tem sua carga de problemas e encontra em Maddie apoio e conforto emocional), a autora soube também trabalhar os clímax e revelações do enredo. Assim, a história tem medidas certas de romance, drama e reviravoltas, sendo capaz de conquistar o leitor até a última página.

De modo geral, Tudo e Todas as Coisas me proporcionou uma leitura leve e sensível, capaz de me transportar para o universo tão interior de Maddie nas poucas horas que estive em contato com o livro. Não foi uma leitura que chegou a me emocionar ou realmente impactar, ainda que tenha em si esse potencial. Sem dúvidas, uma obra gostosa e tocante, capaz de nos lembrar de aproveitarmos, simplesmente, tudo e todas as coisas em nossas próprias vidas.

 

Sobre o Filme

A adaptação cinematográfica do livro de Nicola Yoon chegou aos cinemas brasileiros na última quinta (15) e, desde as primeiras cenas, se mostra bastante promissora em trazer consigo a essência do livro.

Tanto as cenas são bastante fiéis às originais, quanto recursos próprios do livro foram transpostos e estão presentes, cada qual a sua maneira, no filme. Se, no livro, há ilustrações e diferentes estruturas de parágrafos, no filme, há diferentes apelos visuais, tanto no uso de cores quanto nas representações do “universo” criado por Maddie e Ollie. Simplesmente adorei a maneira de como foram representadas as trocas de mensagens entre o casal.

Como toda adaptação, há aspectos da obra original que ou não receberam tanta atenção ou que acontecem de maneira ligeiramente diferente, tomando um rumo próprio nessa nova leitura da trama, agora em outra mídia. No caso de Tudo e Todas as Coisas, são poucos os elementos efetivamente diferentes do livro de Nicola Yoon – diferentes ou por existirem apenas no filme ou por não terem nele aparecido – e nenhum deles é prejudicial.

Apenas dois aspectos, em comparação ao livro, deixaram a desejar, para mim, no filme. O primeiro são os problemas familiares de Ollie, algo bastante importante em sua construção como personagem. Ainda que eles existam no filme, a abordagem ao apresentá-los é muito mais sutil e não tão presente quanto na obra original. O outro, refere-se à reviravolta final. Enquanto, no livro, há uma intensificação do que ocorre pela compreensão da fragilidade das personagens envolvidas, no filme essa fragilidade não é tão evidente, o que dá ao fato certo grau de consciência, como se houvesse uma intenção racional por detrás da questão – e isso não corresponde à verdade.

De modo geral, o filme de Tudo e Todas as Coisas traz a sensibilidade e a leveza contidas no livro, sendo a última acentuada pelo fato do romance em si trazer a pureza do descobrimento do primeiro amor. É um filme capaz de agradar tanto os corações românticos da faixa etária a que se destina quanto os já mais amadurecidos e, até mesmo desgastados, que encontram no filme um sopro de rejuvenescimento e de descanso da realidade quotidiana.

 

Assista ao Trailer!

 





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4 Respostas para "[Livros Na Telona] Tudo e Todas As Coisas – Nicola Yoon"

Anna Mendes - 20, junho 2017 às (14:28)

Oi Aione!
Ainda não li este livro, mas estou bem curiosa.
Gostei bastante da premissa. Parece ser uma leitura envolvente e emocionante.
E essa nova edição do livro parece estar muito linda!
Espero ler o livro e assistir ao filme em breve 😉
Bjos!

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Lily Viana - 22, junho 2017 às (00:21)

Olá,
Que fofura de historia, de livros, de amor, paixão..resumindo.. tudo. Esse livro eu quero ler, conhecer, me envolve com a trama, me faz lembrar um pouco A culpa e das estrelas já que são relacionando a doenças que muitas vezes são muito triste. Eu já vi o trailer do filme e fiquei muito encantada com adaptação mas quero ler antes de assistir, com certeza espero que sejá breve!!

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Ana I. J. Mercury - 29, junho 2017 às (19:11)

Desde o lançamento do livro estou louca para lê-lo , e agora com o filmes, estou mais ainda!
Deu pra perceber que é um livro cativante. Bem emocionante e nos capta desde as primeiras páginas.
Estou supercuriosa pra saber mais do que acontecerá com a Maddie e como resolver seus problemas.
bjss

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Rudynalva - 30, junho 2017 às (21:57)

Aione!
Não li o livro e tam´bém não vi o filme, mas lembrei de um filme do início dos anos 2000, o Jimmy Bolha, a premissa é a mesma.
Bom saber que o filme de certa forma foi fiel ao livro, importante, porque nas adaptações geralmente muita coisa muda.
Deve ser o maior sofrimento ter de viver trancafiada dentro de casa por causa de uma doença e não conhecer muito o mundo lá fora.
Desejo um final de semana de luz e paz!
“Será que você vai saber o quanto penso em você com o meu coração?” (Renato Russo)
Cheirinhos
Rudy

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