[Livros Na Telona] Extraordinário - R. J. Palacio | Minha Vida Literária
10

jan
2018

[Livros Na Telona] Extraordinário – R. J. Palacio

Extraordinário

Livros Na Telona é uma coluna na qual analiso filmes que foram baseados em livros!


Sobre o Livro

Título: Extraordinário
Autor: R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Número de Páginas: 320
Ano de Publicação: 2013
Skoob: Adicione
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Já havia ouvido em diversos momentos que a leitura de Extraordinário, de R. J. Palacio, era obrigatória e, por isso, tinha curiosidade em realizá-la. Com o lançamento do filme, o livro acabou ganhando preferência em minha lista de leituras e finalmente consegui lê-lo antes que 2017 efetivamente acabasse.

Auggie nasceu com uma síndrome genética responsável por conferir a ele uma deformidade facial, que o fez passar por diversas cirurgias. Por isso, o garoto nunca havia frequentado uma escola, sendo educado em casa pela mãe. Contudo, seus pais optam por matriculá-lo em um colégio particular quando ele atinge a quinta série e Auggie se vê frente o obstáculo de ser tratado como um garoto como todos os outros, ainda que seu rosto seja tão diferente dos demais.

Apesar da premissa em si do livro ser bastante triste, considerando-se todas as dificuldades enfrentadas por Auggie e seus familiares, a narrativa de Extraordinário não o é. Ao contrário, há leveza na escrita de R. J. Palacio, principalmente porque os capítulos são narrados através das vozes de crianças: quem nos conta a história são Auggie, sua irmã e alguns de seus amigos.

Dessa maneira, há tanto um maior dinamismo na narrativa quanto também a oportunidade de o leitor encarar a história por diferentes perspectivas. Assim, somos capazes de enxergar os fatos não só pela ótica de Auggie, mas também pela ótica das pessoas que o cercam. Com isso, compreendemos os diferentes impasses e dificuldades sentidos, o que torna a leitura, sem dúvidas, muitos mais humana: em vez de julgarmos as personagens, entendemos o posicionamento de cada uma delas.

Há diversas passagens emocionantes em Extraordinário, que são intensificadas pela leveza da narrativa, tão facilmente envolvente. Dessa maneira, embora a leitura em si não seja triste, há momentos que o são. Independentemente deles, a mensagem do livro é bonita e tocante, de forma a ser bastante difícil lê-lo sem derrubar nenhuma lágrima.

Sendo bastante sincera, esperei que Extraordinário mexesse muito mais comigo do que de fato mexeu. Embora tenha visto a beleza de sua mensagem e me encantado com a coragem de Auggie em se mostrar tão comum como os demais garotos de sua idade, inclusive ao manter uma maturidade típica de alguém com dez anos, o livro não foi daqueles que mudou minha vida ou me impactou profundamente. Ao falar de sermos gentis com o próximo, torna-se universal, e não apenas ligado à situação específica que retrata; ainda assim, foi uma leitura gostosa, envolvente e emocionante em alguns momentos, mas nada muito além disso.

 

Sobre o Filme

Se o livro não me emocionou tanto quanto supus que emocionaria, a adaptação de Extraordinário me fez chorar durante praticamente todo o filme. E, apesar da minha reação ter sido bastante diferente frente ambas as mídias, o filme, na realidade, é bastante fiel à obra de R. J. Palacio.

Foram pouquíssimas as alterações realizadas na adaptação: a caracterização de algumas personagens, supressão de algumas cenas e inclusão de outras. Porém, no geral, tudo é muito similar ao livro: falas, acontecimentos, ordem de episódios e, até mesmo, a multiplicidades de vozes narrativas. Assim como no livro, o filme também alterna perspectivas e nos permite enxergar as situações pela ótica de diferentes personagens.

Se a história em si já é emocionante, transpô-la para um filme intensificou ainda mais as sensações. Acho que ver as cenas e as atuações deixou tudo mais real e mais próximo de nós, e por isso acabei me emocionando muito mais do que no livro. E da mesma maneira que há leveza durante a leitura, ela também se faz presente no filme por meio de passagens divertidas e pelo próprio fato do filme ser majoritariamente interpretado por crianças. E, é claro, há as passagens mais tristes, também presentes na obra original. Muitas cenas são de cortar o coração, e ouvir fungadas pela sala do cinema não é assim tão surpreendente.

Independentemente de momentos tristes ou alegres, acima de tudo há uma mensagem belíssima sobre empatia em Extraordinário. A história não fala apenas sobre ser gentil com quem é diferente, mas que essa diferença existe em todos, justamente por cada um de nós enfrentar nossas próprias batalhas, muitas vezes desconhecidas a quem está de fora. Como em muitas outras tramas, há a lembrança de que não sabemos pelo que outra pessoa está passando e cabe a nós ser sempre gentil com o próximo, respeitando suas próprias dificuldades. E o filme deixa tudo isso muito claro, especialmente na cena final, uma das mais emocionantes de todo o longa — exatamente como no livro.

Sendo, mais uma vez, bastante sincera, talvez eu tenha preferido o filme ao livro, dessa vez, e a única explicação para isso é que o longa me envolveu e me tocou muito mais do que a leitura foi capaz de fazer. Surpreendente, eu sei, já que estou muito mais habituada ao contrário. Como disse, o filme é bastante fiel ao livro e traz exatamente a mesma mensagem; contudo, a transposição para o cinema foi muito feliz, simplesmente por deixar tudo ainda mais humano. Dessa vez, o branco das páginas contraposto ao negro das letras não foi tão capaz de me fazer enxergar cores e formas e de me fazer sentir tantas diferentes emoções quanto vê-las estampadas em uma tela.

 

Assista ao Trailer!





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9 Respostas para "[Livros Na Telona] Extraordinário – R. J. Palacio"

Aline Teixeira - 10, Janeiro 2018 às (17:26)

Olá Aione! Durante todo 2017 quis ler Extraordinário mas com o escasso tempo para leitura acabei dando prioridade a outros livros. Com toda comoção das mídias pelo filme não duvidava que faria sucesso. O filme eu também não assisti, não queria ver sem ter lido a obra primeiro. Tantos elogios ao longa deixam os leitores aliviados pois terão suas expectativas atendidas. Nesse ano irei DEFINITIVAMENTE ler a obra e aproveitar cada lição de vida que ela nos dá. Beijos

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Daiane Araújo - 10, Janeiro 2018 às (18:12)

Oi, Aione.

Eu estou lendo “Extraordinário”, comecei a ler no finalzinho do ano passado e já é um dos meus livros favoritos. Eu tive quase a mesma sensação que você… Já chorei, mas pensei que eu iria chorar mais. Estou esperando mais emoção no final do livro, vamos ver o que acontece… Mas, ele já me envolveu de um jeito impressionante!

Quanto à adaptação dele, não tenho o que falar, pois ainda não assisti, preferi primeiro ler o livro. Mas sei que será emoção na certa!

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Anna Mendes - 10, Janeiro 2018 às (18:44)

Oi Aione!
Eu li Extraordinário há alguns anos e simplesmente amei! A história me emocionou muito e me fez refletir sobre as minhas atitudes e sobre a pessoa que eu sou.
Assim que a adaptação foi lançada, fui assistir. O filme realmente é muito fiel ao livro, mas diferente de você, eu ainda sou mais apegada ao livro. O filme também me emocionou e me surpreendi com a atuação dos atores (que foi maravilhosa!). Porém, como o livro ainda assim é mais completo, eu acabei gostando mais. E também porque no livro há uma atenção maior aos preceitos do professor do Auggie e eles realmente me tocaram, algo que senti um pouco de falta no filme.
De qualquer forma, tanto o livro quanto o filme me emocionaram e me fizeram refletir. Acho que ambos deviam ser conhecidos por todos, desde de crianças até os mais velhos. Acho que as mensagens que ambos passam valem para qualquer geração 😉
Bjos!

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Carol Vidal - 10, Janeiro 2018 às (21:25)

Eu li Extraordinário em uma madrugada e chorei muito. No filme não foi diferente! A mensagem passada realmente é muito emocionante e a tática de ter várias vozes narrativas fez toda a diferença!

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Cássio - 11, Janeiro 2018 às (07:08)

Oi Aione! Tudo bem?
Extraordinário é mais um livro e mais um filme para a minha lista.
Sobre a sensação de o livro tocar mais que o filme tenho uma teoria. É mais coisa minha, sem pretensão alguma de ser endossada por alguma pesquisa científica hahaha. Mas, vamos lá:
Transpor uma obra literária para a tela não é tarefa das mais fáceis. Se o autor participa da adaptação, como já aconteceu em muitos casos, há menor interferência no roteiro e maior fidelidade à obra. Para endossar, cito como exemplo dois filmes que me tocaram mais que o livro e dois filmes que, na minha opinião, perderam (e muito) na adaptação para a tela grande.
Começando pela “pior” opção vou ao encontro de O Caçador de Pipas e, a minha decepção mais recente, O Assassinato no Expresso do Oriente. É verdade que não haveria como Agatha Christie participar das adaptações para o cinema (talvez apenas da primeira), mas a mais recente quebrou, e muito, o clima do livro. Quanto à obra de Khaled Hosseini, a adaptação para o cinema, na minha opinião, foi um desastre. O livro é sensacional, mas o filme suprimiu partes importantíssimas da obra escrita. Resultado: aos meus olhos, um fracasso em forma de filme.
Indo para os exemplos que deram certo vou jogar pesado. Vi várias obras depois de ter lido o livro, mas duas em especial me tocaram muito. E, sim, já que estamos falando em verter lágrimas e chorar litros vou jogar pesado! hahaha
O menino do pijama listrado de John Boyne. Livro sensível que, graças à mão do autor no roteiro, ganhou contornos ainda mais lindos e tristes no cinema. Ficaria ainda mais cortante se tivesse sido rodado em preto e branco. E, lógico, o que considero o maior chororô de todos no cinema: Marley e eu, de John Grogan. Um sujeito que não chora nem na leitura, nem no filme, ou não tem coração ou nunca teve um bichinho de estimação pelo qual teve muito afeto (só de lembrar, tenho que segurar o choro por aqui). Uma menção honrosa para a A menina que roubava livros que conseguiu transportar para o cinema a Liesel Meminger que eu imaginava na leitura com uma exatidão impressionante.
É isso. Mais uma resenha sensacional e que transportou as emoções de um livro adaptado para as telas. Mas, lógico, vou começar pela leitura e depois vou à caça do filme.
Beijos

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Cássio 11 jan 2018

@Cássio

E apenas para completar o comentário, existe um outro aspecto que também transporta as emoções com mais facilidade para a tela: a tal da sensorialidade. É bem verdade que o efeito é mais intenso no rádio (razão pela qual sou apaixonado pela mídia), mas muitas vezes o que lemos não desperta tantas sensações quanto o que vemos em tela. E, por causa dela, é que nos filmes a intensidade das emoções é maior.

É isso! Beijos!

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Vitória Pantielly - 12, Janeiro 2018 às (07:44)

Oi Aione!
Pena o livro não ter te tocado tanto, comigo foi ao contrário, precisei pagar um pouco a leitura porque comecei a chorar e não conseguia continuar.
Assisti a adaptação e o que tenho a dizer é que ela é mais que fiel ao livro, a cada cena eu me lembrava da leitura, e não vou mentir, chorei de novo. A escolha dos atores foi de extrema excelência, todos cumpriram muito bem seu papel, e achei ótimo que mantiveram a narração por todos os personagens principais, como é no livro …
Recomendo muito “Extraordinário” , é um livro que todos deveriam ler.
Bjs

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Jady Santos - 12, Janeiro 2018 às (16:16)

Amei o filme <3
Mas na minha opinião eu achei melhor o livro ainda pelo fato de saber mais sobre os sentimentos de cada personagem, mesmo isso sendo muito bem interpretado pelos atores no filme. Serio é com certeza a melhor adaptação literária que já assisti, ficou ainda melhor do que eu imaginei.
Um filme para vida.
garotaeraumavez.blogspot.com.br

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Lily Viana - 16, Janeiro 2018 às (15:50)

Olá!
Eu quero muito assistir esse filme, a historia é muito emocionante e bem envolvente. Ganhei o livro e estou super ansiosa pela leitura.

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