[Resenha] Mary Barton - Elizabeth Gaskell | Minha Vida Literária
25

jan
2018

[Resenha] Mary Barton – Elizabeth Gaskell

Título: Mary Barton
Autor: Elizabeth Gaskell
Editora: Record
Número de Páginas: 460
Ano de Publicação: 2017
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Clássico impactante e à frente de seu tempo, de uma das grandes escritoras inglesas do século XIX, Elizabeth Gaskell Elizabeth Gaskell escreveu este romance em meio à crescente Revolução Industrial, ocorrida no século XIX, e às lutas trabalhistas por mais direitos. Apesar de sua origem burguesa e embora ela não tivesse a intenção de apoiar diretamente a revolução, o livro chegou a ser considerado subversivo devido à sensibilidade com que lida com a causa trabalhista. Além disso, sua protagonista ganha status de heroína, papel que em geral não cabia às mocinhas da época. A trama se desenvolve em torno de John Barton, operário que cria sozinho sua filha, Mary, e leva uma vida difícil com o pouco que ganha. A moça logo começa a trabalhar como costureira, para ajudar seu velho pai nas despesas. Inesperadamente, porém, Mary Barton se ilude com as propostas de Henry Carson, filho do dono da fábrica em que seu pai trabalha, apesar de seu coração bater mais forte por Jem, um jovem amigo da família e operário como seu pai. Assim se forma o triângulo amoroso que permeia a trama. Enquanto isso, a situação social na cidade de Manchester se agrava e, entre a falta de emprego e os salários miseráveis oferecidos, os trabalhadores escolhem negociar e protestar. Gaskell nos apresenta um final surpreendente, tanto para o embate social quanto para o desfecho amoroso.

Mary Barton é o primeiro livro de Elizabeth Gaskell, mais conhecida pelo renomado Norte e Sul. Mais do que obra de estreia da autora, o livro é um dos pioneiros da época em fazer da protagonista a heroína do enredo.

Mary é filha de um operário e sonha em ascender socialmente por meio do casamento. Ela vê uma possibilidade disso acontecer ao começar a ser cortejada por Henry Carson, filho do dono da fábrica onde o pai da jovem trabalha. Contudo, o fato de sempre ter sido amada por Jem Wilson, amigo de infância, a coloca em um triângulo amoroso capaz de afetar o destino de cada um dos envolvidos.

Elizabeth Gaskell transporta o leitor desde as primeiras páginas para a Manchester dos operários de meados do século XIX. Nela, enxergamos as situações de extrema pobreza e fome, além dos constantes embates entre a classe trabalhadora e seus patrões. Contudo, como a autora pertencia à burguesia, o livro foi considerado subversivo na época de sua publicação pela maneira sensível com que Gaskell retrata essa parcela da população, o que a levou focar na trama romântica de Mary Barton para atender o gosto dos leitores vitorianos. Independentemente do foco da obra, a verdade é que a escrita da autora tem um notável caráter sentimental, chegando até mesmo a beirar um tom dramático em algumas passagens.

O interessante da obra é como a autora consegue aliar diversos conflitos e, assim, proporcionar diferentes interesses durante a leitura: há o aspecto romântico, há uma trama de assassinato, há o caráter dramático e, sem dúvidas, há a perspectiva social. Sobretudo, há o delineamento das personagens, demonstrando as difíceis escolhas que acabam por enfrentar em decorrência de suas situações de vida. Nesse ponto, a figura de John Barton, pai de Mary, é uma das mais relevantes.

Apesar de ter achado a composição de Mary Barton interessante, a leitura não foi tão prazerosa quanto esperei. Não consegui me envolver tanto com a narrativa, além de ter achado seu tom sentimental às vezes exagerado: em vez de me comover, me dava a sensação de ser forçado, teatralizado. Também, o fato do romance ser construído em cima dos ideais da época — muito distantes dos que enxergo atualmente — fez com que esse ponto da trama não me cativasse, de forma que não me convenci sobre o envolvimento amoroso.

De qualquer maneira, Mary Barton traz uma história de amor com pitadas de drama e suspense sem deixar de ser o retrato de um importante período histórico através dos olhos de uma escritora da época. Sua obra tanto aponta para as condições do contexto em que viveu quanto demonstra sua visão de mundo, especialmente no que diz respeito à fé cristã, uma vez que a autora era bastante religiosa e esse é um tema importante no livro como um todo.





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9 Respostas para "[Resenha] Mary Barton – Elizabeth Gaskell"

Dandara Machado - 25, Janeiro 2018 às (17:51)

Aione,
Você já tentou Esposas e Filhas, publicado pela editora Pedrazul? Tem até a série da BBC. Acho que você irá gostar da profundidade dos personagens no livro. Obrigada por essa resenha, pois sou fã da autora e já encomendei o meu Mary Barton também. Além disso, em breve será lançado Ruth pela Pedrazul (vale a pena dr uma olhada na sinopse, esse romance parece ser um pouco diferente dos demais publicados). Realmente a questão religiosa é bastante relevante na obra dela, principalmente em Norte e Sul e, como você falou, nesse também, pois fazia parte do contexto dessa autora e de sua vida. Esposas e Filhas e Cranford (a série da BBC é deliciosa) são mais leves nesse sentido, pelo que eu me lembre.
Abraços e obrigada,
Dandara

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Anna Mendes - 26, Janeiro 2018 às (09:18)

Oi Aione! Adorei a resenha!
Eu não conhecia este livro e nem a autora, mas gostei bastante da premissa e fiquei curiosa para fazer a leitura.
Achei interessante saber que a autora mistura romance, suspense e crítica social na sua obra.
Também achei a capa muito bonita e delicada.
Enfim, não costumo ler livros desse gênero, mas talvez eu dê uma chance para este no futuro 😉
Bjos!

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Aline Teixeira - 26, Janeiro 2018 às (17:59)

Olá Aione! Esse livro impressiona pela densidade da trama, não é algo leve como estamos acostumados, além do romance a autora explora vários outros temas. Gostei bastante pois a historia se torna mais real devido a ser um romance de época realmente de outra época e não algo idealizado como estamos acostumados a ler. Beijos

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Lana Silva - 27, Janeiro 2018 às (08:40)

Sinceramente não sei se essa série uma leitura que irá me agradar, primeiro por retratar uma época, em que havia situações, que hoje em dia já não concordo muito, como você citou teve aspectos do relacionamento amoroso, que e algo inaceitável, e que por horas apareceu forçado e teatral. No entanto de trazer fatos políticos e sociais, e o que me chamou a atenção, e que por isto futuramente daria uma chance a obra.

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Adriana M. Leão - 29, Janeiro 2018 às (09:54)

Oi Aione!

Adorei a resenha e fiquei muito interessada na leitura desse livro.
Já ela na minha “wishlist”!!! = )
Não conheço a autora.. algum outro título dela pra indicar?

Beijos

Meu blog é: http://espiraldelivros.blogspot.com.br

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Ana Carolina Venceslau dos Santos - 29, Janeiro 2018 às (10:27)

Adorei essa sua resenha e eu acho que o que mais me impressionou foi o fato do livro ter sido escrito durante a Revolução Industrial eu gosto de livros de época inclusive livros históricos Então eu acho que esse livro foi meio que é um prato cheio para mim eu adicionei o livro aos meus favoritos da Saraiva que quando eu fizer a minha próxima compra já vou saber quais livros comprar então espero que a leitura não me decepcione até porque às vezes algum livros históricos ficam muito parados não sei explicar bem ao certo mas enfim

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Vitória Pantielly - 30, Janeiro 2018 às (12:21)

Oi Aione!
Não conhecia o livro, mais por ser um romance com tantas críticas me chama atenção… O que me incomoda um pouco é o triângulo amoroso, não sou mto fã, mas como não parece ser exatamente o foco do livro, como a fé é o principal acredito que seja uma história marcante.
Pretendo ler, a resenha me atiçou, é uma pena que não te conquistou tanto…
Beijos

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Daiane Araújo - 30, Janeiro 2018 às (20:16)

Oi, Aione.

Acho que se o livro não tivesse sido mudado, por ser alvo de críticas e apenas focado no romance, ele talvez teria trazido para a obra algo mais enriquecedor.

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Lily Viana - 31, Janeiro 2018 às (23:47)

Olá!
O livro é muito interessante, a historia me deixou bem intrigada com as coisas que aconteceram naquela época. Gosto muito de livros que envolve romance e um pouco de clichê. Não tinha conhecimento da autora mas adorei muito por conhecer.

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